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A primeira droga contra um tipo agressivo de esclerose múltipla

Uma esperança para os pacientes que, até então, não tinham opções para barrar a paralisia física e a degeneração cognitiva causadas pela doença

Uma boa notícia para quem sofre de esclerose múltipla: a agência americana de saúde (FDA) aprovou o uso da substância ocrelizumabe para tratar duas versões da doença, a remitente recorrente e a primária progressiva. Esta é a primeira droga aprovada para tratar a forma progressiva do problema, que é mais rara e agressiva – ela ajuda a barrar a paralisia física e a degeneração cognitiva causada pela inflamação crônica.

A aprovação se baseou em três pesquisas publicadas recentemente no periódico científico New England Journal of Medicine. O ocrelizumabe obteve os resultados mais notáveis em testes com pacientes com esclerose múltipla recorrente: reduziu as atividades dos marcadores da doença e barrou a progressão da inflamação com poucos efeitos colaterais.

Apesar de as pessoas com esse tipo de esclerose terem algumas opções de terapia, muitas das drogas mais eficazes contra a doença demonstram efeitos colaterais significativos. Já nos portadores que apresentam a forma mais grave, a esclerose primária progressiva, a droga diminuiu moderadamente a degeneração.

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O ocrelizumabe funciona como um anticorpo que será injetado nos pacientes a cada seis meses para barrar uma classe de células imunológicas, conhecidas como células B. Quando essas células estão funcionando normalmente, ajudam o corpo a combater infecções. Quando estão desajustadas, porém, contribuem para danificar o sistema nervoso central, desempenhando um importante papel para a progressão da esclerose.

A substância estará disponível no mercado americano em duas semanas e será vendida pelo Genentech, um braço do laboratório farmacêutico Roche. “Eu vejo isso como um grande passo. A magnitude dos benefícios que percebemos com o ocrelizumab em todas as formas de escleroses são realmente impressionantes”, afirma Stephen Hauser, presidente do departamento de neurologia da Universidade da Califórnia e líder do comitê que supervisionou os testes de aprovação.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica que acomete o sistema imunológico. Acontece quando as células de defesa do organismo atacam o sistema nervoso central, provocando dificuldades motoras e sensoriais. Apesar de estar sendo estudada em vários países, as causas da esclerose ainda não são conhecidas. Mas, a partir de análises quantitativas de pacientes, sabe-se que é mais recorrente em mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, e de pele branca.

A esclerose múltipla ainda não tem cura e os principais sintomas são fraqueza muscular, dores nas articulações, alterações na coordenação motora, depressão e disfunções na bexiga e no intestino. A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) estima que 35 mil brasileiros convivam com a doença.

Este conteúdo foi publicado originalmente em Superinteressante.com

 

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