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A espera(nça) por uma vacina

Na nova edição de VEJA SAÚDE, mergulhamos nos bastidores e discussões que envolvem as pesquisas com as vacinas para o coronavírus

Por Diogo Sponchiato - Atualizado em 16 out 2020, 15h28 - Publicado em 16 out 2020, 14h41

Nós vivemos um momento estranho. Aguardamos ansiosos uma vacina que detenha de vez o coronavírus ao mesmo tempo que assistimos à queda nos índices de imunização contra outras doenças, mais um reflexo da própria pandemia. As famílias ainda evitam ir a postos e clínicas tomar as picadas e o sistema de saúde precisa reorganizar a logística e suas prioridades com base no avanço ou no recuo da Covid-19 em cada cidade ou estado. Não tá fácil!

Embora as taxas de contaminação e mortes venham regredindo no Brasil, os cientistas são taxativos ao afirmar que só uma vacina será capaz de botar um ponto final mais rápido e definitivo à pandemia. Só uma fórmula segura e eficaz impedirá que, a exemplo de países europeus, enfrentemos segundas ou terceiras ondas da infecção. É por isso que VEJA SAÚDE não poderia deixar de tratar essa busca pelo imunizante com profundidade.

E são os bastidores, dilemas e progressos desse movimento global que você acompanha na reportagem de capa assinada pela jornalista Chloé Pinheiro. Cobrindo a pandemia desde o início, ela se debruçou sobre estudos e dossiês e conversou com grandes pesquisadores para montar um roteiro com as promessas e desafios no horizonte. Essa é uma jornada que envolve tecnologias de ponta, esforço humano, bilhões de dólares, disputas políticas e mercadológicas e fake news.

Até contarmos com a(s) vacina(s) — e talvez até após a aplicação da primeira geração desses produtos —, teremos de cumprir nosso papel cidadão de continuar higienizando as mãos, usando máscara e respeitando o distanciamento social (em menor ou maior grau). E precisaremos nos imunizar contra a desinformação propagada pelas redes sociais.

A vacina da Covid-19 nem chegou e já existem grupos espalhando teorias da conspiração e se esgoelando em oposição à obrigatoriedade de tomar essa ou qualquer outra picada. Teve gente que até ecoou a Revolta da Vacina, em 1904, quando o Rio de Janeiro abrigou um motim contra a campanha de imunização da varíola. A diferença brutal, como ensina o historiador Nicolau Sevcenko, é que naquela época as pessoas se indignavam diante da “metamorfose urbana” e das “medidas de saneamento e redistribuição espacial” que desalojavam e oprimiam o povo, sobretudo os mais pobres.

A reação deles, resumiu o professor em um ensaio clássico (clique aqui para ver e comprar), “não foi contra a vacina, mas contra a história”. A história agora é outra, e a ideia é que as vacinas, esse patrimônio de saúde pública, nos ajudem, da forma mais democrática possível, a encerrar esse triste capítulo da epidemia.

A saída de um craque

De estagiário a repórter especial, foram quase dez anos de Editora Abril, cobrindo as principais questões e avanços no universo da saúde. Coração, obesidade, câncer, bem-estar mental, Alzheimer, doenças infecciosas como a Covid-19… Praticamente nenhum tema escapou da pena e da visão aguçada do jornalista André Biernath.

Inquieto, sonhador e realizador, esse paulistano ganhou dezenas de prêmios e ainda idealizou e dirige a Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência. Ele se despede nesta edição de VEJA SAÚDE e parte para um novo desafio pelo Brasil e o mundo, dando sequência à sua brilhante trajetória. Como editor e leitor, só tenho a agradecer pelo talento e empenho que nos foram emprestados. Saúde, André!

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