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Programas de vacinação infantil ajudariam a reduzir o uso de antibióticos

Segundo estudo, crianças que se vacinaram contra rotavírus e pneumococos estariam mais protegidas de doenças que costumam ser tratadas com esses remédios

Por Maria Tereza Santos Atualizado em 12 Maio 2020, 14h50 - Publicado em 12 Maio 2020, 07h56

Uma pesquisa publicada no periódico científico Nature mostra que programas de vacinação infantil contra os rotavírus (causadores de problemas gastrointestinais) e pneumococos (bactérias por trás de pneumonia, meningite e otite) diminuem a necessidade de recorrer a tratamentos com antibióticos em crianças de até 5 anos. Isso, por sua vez, ajudaria a controlar um problema que assusta os cientistas: a resistência bacteriana.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas das universidades Princeton e da Califórnia, nos Estados Unidos, e do Imperial College London, na Inglaterra, analisaram pesquisas domiciliares de 16 países de baixa e média renda.

As informações de mais de 60 mil crianças diziam respeito à aplicação e eficácia das vacinas contra rotavírus e pneumococos e também à incidência de tratamento com antibióticos para infecção respiratória aguda e diarreia.

Após cruzar os dados, os estudiosos constataram que 24,8% das doenças do sistema respiratório e 21,6% dos casos de diarreia foram provocados por agentes que poderiam ser debelados por esses imunizantes tomados na infância.

Inclusive, os pequenos vacinados contra os pneumococos e rotavírus corriam, respectivamente, 8,7% e 8,1% menos risco de passar por esses problemas, comparados àqueles que não se imunizaram.

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  • Com esse resultado, os autores estimam que os programas de vacinação previnem, aproximadamente, 23,8 milhões de enfermidades respiratórias e 13,6 milhões de casos de doenças diarreicas todos os anos em países de baixa e média renda – quadros para os quais um antibiótico tende a ser empregado.

    Eles ainda calculam que 40 milhões de outros quadros infecciosos seriam evitados se os níveis de cobertura vacinal melhorassem.

    No entanto, os autores assumem que a pesquisa possui limitações. Tem o fato, por exemplo, de que as condições de saúde da meninada foram relatadas pelos pais, e não tiradas de documentos médicos.

    Além disso, a investigação focou nos efeitos diretos dos imunizantes. E sua eficiência foi checada em um estrato específico da população (menores de 5 anos), justamente a faixa etária com maior probabilidade de pegar as chateações analisadas.

    Ainda assim, os experts acreditam que os achados evidenciam a necessidade de priorizar as vacinas infantis como parte da estratégia global de combate à resistência bacteriana. Ora, o uso excessivo de antibióticos é um dos motivos que levam ao surgimento das chamadas superbactérias – ou seja, aquelas que não sucumbem diante desse tipo de remédio.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) já publicou documentos em que pede mais atenção ao assunto. Segundo a entidade, se nada for feito, podemos entrar em uma nova era, na qual infecções comuns – como a provocada por um simples corte no dedo – seriam capazes de causar até mortes.

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