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Meu filho é extremamente irritado. O que fazer?

Esse é um dos sinais mais comuns de uma série de doenças psiquiátricas que aparecem na infância. Veja quando procurar ajuda de um profissional

Por André Biernath Atualizado em 22 jun 2018, 12h07 - Publicado em 21 jun 2018, 21h04

Convenhamos: um pouco de birra aqui, um choro acolá, são comportamentos normais que todos experimentamos no período da infância e da adolescência. Porém, quando essa reação se torna exagerada e chega até a atrapalhar a convivência com os familiares e os amigos, é preciso tomar uma atitude.

Esse foi um dos temas de uma palestra apresentada hoje (21) durante o Congresso Cérebro, Comportamento e Emoções, um dos maiores eventos de neurociências do país, que acontece em 2018 na cidade gaúcha de Gramado. Segundo a aula da psiquiatra Fernanda Krieger, de Porto Alegre (RS), a irritação extrema até virou uma doença independente no último Manual Americano de Diagnóstico de Transtornos Mentais, o DSM-5, publicado em 2013. O documento classifica a irritação além da conta como Desordem Disruptiva de Desregulação do Humor, ou DMDD na sigla em inglês.

De acordo com os critérios utilizados, o problema realmente aparece quando há um prejuízo funcional, algo que traga complicações à vida da criança ou do adolescente. Outro ponto importante é que esse comportamento deve dar as caras em mais de um ambiente por onde aquele indivíduo circula. Em outras palavras, não seria possível classificar como DMDD o caso de alguém que fica estressado somente na escola ou na casa da avó. 

Anteriormente, essas situações eram geralmente diagnosticadas como transtorno de humor bipolar. Na atualização, os autores levaram em conta a publicação de algumas pesquisas mostrando que o jovem irritado, se não passasse por um tratamento, tinha uma tendência maior a ver seu quadro evoluir na vida adulta para uma depressão, e não para uma bipolaridade como era o esperado.

Essa criação do DMDD há cinco anos, contudo, é bastante controversa. “A irritabilidade está mais para um sintoma que pode surgir em vários transtornos psiquiátricos diferentes, como na depressão, na bipolaridade e no autismo”, diz Fernanda. Nesse sentido, ela se assemelha a uma febre, um sinal comum a várias doenças distintas. “Ainda precisamos de mais trabalhos para entender melhor essa situação”, admite a especialista.

Como proceder nesses casos?

O primeiro passo é prestar atenção no seu filho e ver se ele apresenta alguma alteração no comportamento que esteja realmente impactando em seu dia a dia. Há mudanças naturais em cada faixa etária e outras que sinalizam encrencas. Conversar com o médico também é fundamental: no primeiro momento, o pediatra pode ajudar e, se necessário, encaminhar para um psiquiatra ou um psicólogo.

“Em relação aos tratamentos, nossa tendência é mirar na causa daquele sintoma de irritação, que pode ser uma ansiedade, uma bipolaridade ou um déficit de atenção”, acrescenta Fernanda. É possível lançar mão da psicoterapia e, em determinados casos, até de remédios.

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