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Meu filho é extremamente irritado. O que fazer?

Esse é um dos sinais mais comuns de uma série de doenças psiquiátricas que aparecem na infância. Veja quando procurar ajuda de um profissional

Convenhamos: um pouco de birra aqui, um choro acolá, são comportamentos normais que todos experimentamos no período da infância e da adolescência. Porém, quando essa reação se torna exagerada e chega até a atrapalhar a convivência com os familiares e os amigos, é preciso tomar uma atitude.

Esse foi um dos temas de uma palestra apresentada hoje (21) durante o Congresso Cérebro, Comportamento e Emoções, um dos maiores eventos de neurociências do país, que acontece em 2018 na cidade gaúcha de Gramado. Segundo a aula da psiquiatra Fernanda Krieger, de Porto Alegre (RS), a irritação extrema até virou uma doença independente no último Manual Americano de Diagnóstico de Transtornos Mentais, o DSM-5, publicado em 2013. O documento classifica a irritação além da conta como Desordem Disruptiva de Desregulação do Humor, ou DMDD na sigla em inglês.

De acordo com os critérios utilizados, o problema realmente aparece quando há um prejuízo funcional, algo que traga complicações à vida da criança ou do adolescente. Outro ponto importante é que esse comportamento deve dar as caras em mais de um ambiente por onde aquele indivíduo circula. Em outras palavras, não seria possível classificar como DMDD o caso de alguém que fica estressado somente na escola ou na casa da avó. 

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Anteriormente, essas situações eram geralmente diagnosticadas como transtorno de humor bipolar. Na atualização, os autores levaram em conta a publicação de algumas pesquisas mostrando que o jovem irritado, se não passasse por um tratamento, tinha uma tendência maior a ver seu quadro evoluir na vida adulta para uma depressão, e não para uma bipolaridade como era o esperado.

Essa criação do DMDD há cinco anos, contudo, é bastante controversa. “A irritabilidade está mais para um sintoma que pode surgir em vários transtornos psiquiátricos diferentes, como na depressão, na bipolaridade e no autismo”, diz Fernanda. Nesse sentido, ela se assemelha a uma febre, um sinal comum a várias doenças distintas. “Ainda precisamos de mais trabalhos para entender melhor essa situação”, admite a especialista.

Como proceder nesses casos?

O primeiro passo é prestar atenção no seu filho e ver se ele apresenta alguma alteração no comportamento que esteja realmente impactando em seu dia a dia. Há mudanças naturais em cada faixa etária e outras que sinalizam encrencas. Conversar com o médico também é fundamental: no primeiro momento, o pediatra pode ajudar e, se necessário, encaminhar para um psiquiatra ou um psicólogo.

“Em relação aos tratamentos, nossa tendência é mirar na causa daquele sintoma de irritação, que pode ser uma ansiedade, uma bipolaridade ou um déficit de atenção”, acrescenta Fernanda. É possível lançar mão da psicoterapia e, em determinados casos, até de remédios.

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