Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Fertilização in vitro: as taxas de sucesso subiram muito

Uma das áreas que avança a passos largos na Medicina, a reprodução assistida hoje dispõe de técnicas que elevaram demais a chance de o bebê nascer

Por Theo Ruprecht
Atualizado em 15 fev 2019, 14h05 - Publicado em 22 nov 2016, 15h19

Há menos de duas décadas atrás, as taxas de sucesso da fertilização in vitro ficavam na casa dos 30%. Ou seja, somente uma a cada três tentativas de fecundar um óvulo com um espermatozoide no laboratório e, então, introduzi-lo no útero dava certo. Eis que, durante o Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva deste ano, os especialistas já falavam em 80% de chance de o procedimento funcionar. “Estamos orgulhosos do progresso nos índices de nascimentos. Eles são uma medida real dos avanços na área”, afirmou Bradley Van Voorhis, presidente da Sociedade Americana de Tecnologia para a Reprodução Assistida, em um comunicado à imprensa.

Leia também: Exames caseiros que apontam o momento mais fértil da mulher

A melhora de fato é inegável, mas o médico Marcio Coslovsky, da Primordia Medicina Reprodutiva, no Rio de Janeiro, pede cautela com números tão elevados. “Na verdade, as boas clínicas brasileiras trabalham com uma taxa de 40 a 45%. E as melhores atingem 51%”, estima. Isso porque as tecnologias mais modernas não devem ser aplicadas em todos os casais por uma questão de custo e acesso ao tratamento — elas são destinadas a quem apresenta problemas significativos para engravidar, por exemplo.

Leia também: 10 fatores que conspiram contra fertilidade do homem

Ainda assim, mesmo os cálculos menos otimistas demonstram uma evolução enorme. “E isso se deve a vários fatores”, diz Coslovsky. Um deles é o melhor preparo dos profissionais — que não se limitam ao médico. Atualmente, os embriologistas e os enfermeiros também sabem lidar melhor com os pacientes e com as técnicas disponíveis para fazer a fertilização em laboratório. Esse local, aliás, mudou bastante. A possibilidade de congelar adequadamente o embrião para implantá-lo na hora em que o útero está mais preparado é só um dos vários casos que ilustram essa nova realidade. Não duvide: os equipamentos e a educação dos profissionais são cruciais para atingir um alto patamar de sucesso. Daí porque procurar clínicas referendadas.

Continua após a publicidade

Um trabalho apresentado naquele congresso americano mostrou que o índice de nascimentos variava de 51 a 66% — usando as tecnologias mais inovadoras — dependendo do médico que atendia o casal.

Fora isso, dois procedimentos devem ser destacados: a análise da receptividade endometrial e a biópsia embrionária (ou diagnóstico genético do embrião). O primeiro consiste em extrair material do endométrio para verificar, via um teste genético, quando ele estará mais apto para receber o futuro bebê. Em geral, mesmo sem essa avaliação os experts têm uma boa ideia disso baseados em um calendário padronizado. A questão é que nem toda mulher respeita essa agenda. “A técnica individualiza o tratamento de acordo com eventuais particularidades”, resume Coslovsky.

Leia também: Bote a endometriose para correr

Já a biópsia embrionária nada mais é do que um exame genético feito com os embriões criados a partir da fecundação em laboratório. Com essa informação, os especialistas sabem quais estão mais aptos para evoluírem — o que facilita a escolha de qual implantar na barriga da mãe. Como um anexo, essa estratégia também pode detectar eventuais falhas no DNA que predisporiam a doenças ou síndromes genéticas. De novo, estamos falando de uma individualização nunca vista antes na área.

Continua após a publicidade

Aliás, são essas técnicas que, quando empregadas em conjunto e dentro de um laboratório high tech com profissionais de alto gabarito, garantem aqueles 80% de chance de a fertilização in vitro dar certo. Mas de novo: lançar mão de tudo isso é muito oneroso. “Hoje em dia, recorremos a essa tática em pacientes com falhas sucessivas de implantação e um diagnóstico fechado de dificuldade para engravidar”, informa Coslovsky. Entretanto, é provável que os custos caiam com o tempo, ampliando o acesso dessas soluções para mais gente.

Agora, não devemos medir o sucesso da reprodução assistida apenas pela porcentagem de nascimentos. Nos últimos anos, a quantidade de gestações múltiplas (quando nascem gêmeos, ou trigêmeos, ou…) caiu consideravelmente. Por quê? Os avanços permitiram implantar menos embriões no útero sem derrubar a chance de ao menos um vingar. Se no passado até 50% das fertilizações in vitro bem sucedidas terminavam em ao menos dois bebês, atualmente esse número caiu para menos de 30%. “O nascimento de um único filho é o ideal. O de gêmeos é aceitável. Mas, acima disso, já não ficamos satisfeitos”, contextualiza Coslovsky.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

A saúde está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA SAÚDE.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.