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Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e criador do Endodebate e do Diacordis. Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do diabetes
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Por que todo médico deveria pesquisar Alzheimer nas consultas de rotina?

Sem rastreamento não há diagnóstico; e sem diagnóstico, não há tratamento efetivo

Por Carlos Eduardo Barra Couri
1 dez 2023, 17h43

Estima-se que ao menos 1,7 milhão de pessoas acima de 60 anos no Brasil vivam com algum tipo de demência, sendo que 1 milhão destas pessoas possuam a doença de Alzheimer.

E pasmem: estima-se que pelo menos 70% não possuam o diagnóstico.

Com o envelhecimento e o aumento da expectativa de vida da população, é óbvio que tenhamos mais casos de Alzheimer. Em paralelo, há uma tendência na sociedade de normalizar a perda de memória como algo comum ou “coisa da idade”.

Sem a suspeita não há diagnóstico; e, sem diagnóstico, não há tratamento efetivo. Isto se deve em parte devido ao desconhecimento da população geral e por falta de rastreamento feito pela classe médica nas consultas regulares.

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Usualmente, a detecção do Alzheimer é feita por neurologistas, psiquiatras ou geriatras, e em fases mais avançadas da doença. Mas quantas vezes você, leitor, consultou-se com um neurologista na vida? Ou com um geriatra?

Com isso, perdemos uma grande janela de oportunidade para diagnóstico precoce: trata-se da fase chamada de comprometimento cognitivo leve.

Segundo o neurologista Luiz Eduardo Novis de Farias, nesta fase a pessoa ainda não preenche os critérios de diagnóstico de demência, mas possui déficits pontuais de memória e cognição, sem afetar sua independência. Estima-se que tenhamos cerca de 2.3 milhões de brasileiros com esta condição.

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“Nem toda pessoa com comprometimento cognitivo leve vai evoluir para o Alzheimer; e outras condições podem causar este quadro, como depressão, síndrome da apneia obstrutiva do sono, hipotireoidismo etc” afirma Novis de Farias.

Por outro lado, vários problemas de saúde acompanhados por outros médicos se associam ao maior risco de doença de Alzheimer como: diabetes, obesidade, sedentarismo, hipertensão, sedentarismo, surdez e outras mais.

Vale lembrar que a demência não afeta só a pessoa que a possui, mas também seus familiares. A grande maioria dos cuidadores são mulheres, que apresentam uma grande sobrecarga emocional, muitas vezes também necessitando de atenção médica.

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E estes pacientes possuem um gasto elevado: cerca de 3 mil reais ao mês com gastos diretos, e 3 800 reais com gastos indiretos.

O rastreamento da demência

Falando especificamente da minha área de atuação, a diabetologia, há anos a Associação Americana de Diabetes recomenda o rastreamento anual de demência em todas as pessoas com diabetes acima de 65 anos de idade.

Há, inclusive, cientistas que se referem ao Alzheimer como diabetes tipo 3.

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+ Leia também: Os fatores que aumentam o risco de demência em quem tem diabetes

E este rastreamento não poderia ser feito também por cardiologistas, ginecologistas e clínicos gerais?

Além dos exames de rotina que a maioria das pessoas já faz, existem testes clássicos que podem ser aplicados no consultório por médicos com algum grau de treinamento, como o mini-exame do estado mental e a avaliação cognitiva de Montreal (conhecida como MoCA).

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Há ainda metodologias utilizando tablets e plataformas digitais, como o Altoida e o EC-Screen (rastreamento cognitivo eletrônico). Estes últimos não necessitam de muita expertise na aplicação.

Todos os testes citados acima podem e devem ser feitos por médicos considerados “não especialistas” em demência e Alzheimer.

Com a suspeita clínica em mãos após o exame de rastreio, aí sim é recomendado o encaminhamento do paciente ao neurologista.

Para ser médico, há uma condição básica (dentre várias) que é ser um eterno estudante. E creio que este é o caso do rastreamento de demências.

Vamos estudar e rastrear!

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