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O Futuro do Diabetes Por Blog Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), além de autor do livro O Futuro do Diabete (Ed. Abril). Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do problema

Diabetes e Alzheimer: um motivo para evitar os altos e baixos da glicose

Sabia que existe um elo entre o diabetes e doenças por trás da demência? Nosso colunista explica essa relação, reforçada por um novo estudo

Por Carlos Eduardo Barra Couri Atualizado em 2 jul 2021, 19h58 - Publicado em 2 jul 2021, 18h14

Já temos evidências epidemiológicas apontando que pessoas com diabetes têm um risco de 73% de desenvolver demências com o avançar da idade — e um risco de 56% de enfrentar a doença de Alzheimer em si.

O reverso também é verdadeiro: pessoas com Alzheimer encaram uma maior probabilidade de ficar com diabetes. O ponto intrigante é que, até o momento, não sabemos exatamente os mecanismos biológicos que unem ambas as doenças.

Um estudo recente, publicado no periódico médico Diabetes Care, avaliou dados do sistema de saúde britânico e contemplou mais de 450 mil pessoas com diabetes acima de 50 anos. Durante o seguimento, os pesquisadores do Imperial College de Londres detectaram quais características são indicativas para maior risco de demência.

O principal preditor foi a presença de hipoglicemias constantes: um risco aumentado em 30%. Além disso, pessoas que já tinham algumas sequelas do diabetes (como nos olhos ou nos rins) apresentavam um risco 10% maior. Níveis de glicose frequentemente elevados nos primeiros três anos de diagnóstico do diabetes ou grandes oscilações na glicemia foram outros fatores associados à demência.

Esses dados tornam mais clara a mensagem: controlar o açúcar no sangue desde o início da detecção do diabetes, evitar hipoglicemias e prevenir sequelas são medidas bem-vindas para afastar também o declínio cognitivo e males como o Alzheimer.

Os médicos que cuidam de pessoas com diabetes devem ficar atentos a sintomas neurológicos sugestivos de demência e realizar testes clínicos para o diagnóstico em caso de qualquer suspeita. Hoje, a Associação Americana de Diabetes recomenda que sejam feitos testes neurológicos anuais em todas as pessoas com diabetes acima dos 65 anos de idade.

Cuidar da cabeça é mais um motivo para manter o diabetes sob controle.

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