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O Futuro do Diabetes

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Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e criador do Endodebate e do Diacordis. Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do diabetes
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Anticoagulantes, diabetes e doenças cardíacas: uma questão de dose

Aspirina deve ser oferecida sozinha ou junto com anticoagulante para reduzir o risco cardíaco em quem tem diabetes? Nosso colunista trata do assunto

Por Carlos Eduardo Barra Couri
4 fev 2022, 16h36

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em pessoas com diabetes e muita gente nem desconfia disso. E estamos falando especialmente de derrame cerebral e infarto do coração.

Ambas as condições estão associadas, na maioria das vezes, a uma placa de gordura nas artérias que irrigam o coração, as famosas coronárias, ou as artérias cerebrais.

Com a presença dessa placa associada a vários fatores inflamatórios, ocorre a formação de um coágulo sanguíneo que entope de vez os vasos, gerando os temidos infartos e derrames.

Há muito tempo a ciência confirma os benefícios e a segurança de se baixar o colesterol intensamente em pessoas com diabetes justamente para prevenir essas doenças cardíacas. Mas um ponto tem sido deixado de lado: a anticoagulação.

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Um importante estudo chamado Compass, publicado em 2017 na prestigiada revista New England Journal of Medicine, trouxe uma discussão valiosíssima: vale a pena apenas usar aspirina para a prevenção dos coágulos ou seria melhor ser mais agressivo e utilizar um anticoagulante junto à aspirina?

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Cabe lembrar que todos os pacientes incluídos na pesquisa já tinham apresentado alguma doença cardíaca prévia.

E qual o resultado? Aqueles que usaram aspirina acompanhada do anticoagulante rivaroxabana em doses baixas tiveram menos derrames, infarto e morte por causas cardíacas do que aqueles que ficaram só na aspirina. E justamente o grupo de pessoas com diabetes teve um benefício ainda maior.

Outro achado do estudo foi a redução de amputações das pernas em indivíduos que já tinham sintomas de má circulação.

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O grande temor nesse trabalho era o risco de sangramentos (mais comumente o gastrointestinal), já que a combinação de aspirina com anticoagulante aumenta ainda mais o perigo desse efeito colateral. Daí porque se usou uma dose menor do anticoagulante.

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De qualquer forma, apesar de o risco de sangramento seguir maior no grupo que recorreu à aspirina e ao anticoagulante, o benefício cardiovascular desse esquema também foi superior. A balança pesou, portanto, para esse lado.

Por isso, a maioria das sociedades médicas, inclusive a Associação Americana de Diabetes e a Sociedade Europeia de Cardiologia, recomenda atualmente a união da aspirina a uma dose baixa de rivaroxabana em pessoas com diabetes e que tiveram doenças cardíacas prévias.

Mas, claro, essas recomendações não são universais. Cabe ao médico discutir com o paciente e pesar os prós e contras em cada caso.

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