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Numa parceria com o CDD (Crônicos do Dia a Dia), esse espaço dá voz a pessoas que vivem ou viveram, na própria pele, desafios e vitórias diante de uma doença crônica, das mais prevalentes às mais raras
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Como a depressão moldou a vida de Ellen Milgrau

Hoje com mais de 1 milhão de seguidores, a influenciadora digital e modelo conta os tombos que a depressão lhe deu, e a oportunidade que surgiu daí

Por Ellen Milgrau*
20 set 2023, 09h37

Eu tinha 19 anos quando entrei em uma das minhas piores crises de depressão. Fui definhando aos poucos. Não conseguia fazer nada, nem as tarefas mais básicas, como tomar banho e comer. Foi muito difícil.

Para os meus pais – conservadores e quase sem nenhuma informação sobre o tema –, a depressão era frescura.

A vida deles sempre foi trabalhar. Primeiro, vendendo cebolas na feira e, depois, fazendo o ganha pão na loja de materiais de construção que administram até hoje. Eles realmente não entendiam o porquê de eu não conseguir levantar para lavar uma louça.

Nessa época, estava vivendo o término de um relacionamento abusivo logo depois de voltar da Europa, onde minha carreira como modelo estava desabrochando.

Na verdade, eu nunca pensei em viver da moda. Na adolescência, cheguei a sofrer um assédio sexual e me sentia péssima com o meu corpo. Também fui vítima de bullying na escola por ser muito magra.

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Foi aí que minha irmã me incentivou a buscar uma agência de modelos, justamente como forma de lutar contra todas essas dores. Na Europa, estava no meu melhor momento profissional: já havia trabalhado com Prada e Ralph Lauren e sido modelo exclusiva da Valentino.

Mas esse ex-namorado me fez perder tudo. Perdi contratos, dinheiro, minha sanidade mental. Eu tinha me esforçado para chegar onde estava, então foi um baque muito grande. Sim, cheguei ao ponto de tentar tirar a minha vida.

+ Leia também: Setembro Amarelo: mês de prevenção ao suicídio

Enfim, o diagnóstico veio: depressão, bipolaridade e comportamento suicida. Se a situação era preocupante por um lado, pelo menos me trouxe alívio: eu finalmente poderia dar um nome para tudo o que vinha sentindo.

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Comecei a me tratar com a ajuda financeira de um amigo e, aos poucos, surgiram trabalhos. Levar a sério esse tratamento foi essencial para me tirar daquela situação crítica.

Em paralelo ao que acontecia na minha vida particular, eu ganhava popularidade na internet.

Eu sempre tive um humor diferenciado: era crítica, com a língua afiada. Conforme fui me recuperando, passei a postar mais vídeos e fotos, do meu jeitão mesmo, e isso foi conquistando as pessoas. Eu aparecia andando em caminhão de lixo, pulando dentro de caçamba…

Com esse crescimento nas redes sociais, comecei a trabalhar também como influenciadora digital. Minha pegada era mostrar o dia a dia de forma menos idealizada.

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Faxina Milgrau

Foi mais ou menos assim que tive a ideia de criar o Faxina Milgrau. Tudo começou no ano passado, quando decidi ajudar um amigo que estava vivendo um quadro grave de depressão.

Me ofereci para limpar e arrumar a casa dele, porque sempre fui organizada e gostava de deixar tudo limpinho. Durante essas atividades eu me desligo do mundo e consigo me entregar sem pensar em mais nada.

Aí deu o estalo: será que essas faxinas podem ajudar outras pessoas com depressão? E será que eu posso aproveitar esses momentos para gravar vídeos e conscientizar as pessoas sobre transtornos mentais?

Eu arrisquei… e deu certo.

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Já entrei em casas para fazer a faxina que estavam com infestação de baratas. Outras tinham ratos mortos. Havia casas em que as roupas estavam tão mofadas que não poderiam ser reaproveitadas.

Se a pessoa está vivendo nesse estado de insalubridade, ela com certeza está em sofrimento extremo. A última coisa que ela precisa é ser discriminada, ou chamada de preguiçosa.

O Faxina Milgrau é uma forma de amenizar a dor, sem críticas e com muita compreensão e acolhimento. E com conscientização.

A ideia deu tão certo que comecei a chamar artistas para participar e criei uma temporada chamada “Faxina Milgrau Celebrities”. Alguns nomes incríveis já participaram, como a Karol Conká, a Linn da Quebrada e a Maju Trindade.

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A vida não é um passeio no parque. O diferencial é como reagimos às peças que ela prega na gente. E, mais importante, não precisamos passar por tudo sozinho. Se você está atravessando um momento difícil, não significa que ele vai durar para sempre.

Peça ajuda. Juntos, curamos as feridas mais rápido.

* Ellen Milgrau é modelo, influenciadora digital e criadora do projeto Faxina Milgrau.

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