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Numa parceria com o CDD (Crônicos do Dia a Dia), esse espaço dá voz a pessoas que vivem ou viveram, na própria pele, desafios e vitórias diante de uma doença crônica, das mais prevalentes às mais raras
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As dores e as vitórias de uma pessoa com DPOC

Uma paciente com DPOC conta como a jornada até encontrar tratamento adequado quase a fez desistir – mas a persistência resgatou sua qualidade de vida

Por Elizabeth Castro de Oliveira, pessoa com DPOC*
Atualizado em 3 Maio 2024, 12h57 - Publicado em 2 Maio 2024, 15h48

Eu sempre gostei de aproveitar a vida! Vivia rodeada por amigos e não dispensava uma festa com bons drinques – e sempre com meu cigarro nas mãos. Como boa parte da minha geração, comecei a fumar muito jovem. Achava elegante.

Mas, já de início, se você fuma, peço encarecidamente que pare! Você vai confirmar, ao ler a minha história, que o cigarro e a minha teimosia me levaram a situações desesperadoras – e não desejo isso para ninguém.

Com 39 anos, comecei a me sentir muito cansada. Qualquer atividade me deixava ofegante e com falta de ar. Percebi que havia algo errado, então procurei ajuda médica. Na época, graças ao meu esposo, eu tinha um excelente plano de saúde, o que me possibilitou agendar uma consulta no melhor hospital de São Paulo.

Ao me examinar, o pneumologista disse que havia algo sério no pulmão. Fiquei assustada, mas, teimosa que sempre fui, não segui suas orientações. Ignorei o diagnóstico e a vida seguiu.

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Assim que completei 40 anos, o cansaço e a falta de ar se tornaram mais intensos e até incapacitantes. Era um novo sinal de alerta.
Procurei outro pneumologista que, ao analisar meus exames, observou um nódulo significativo no pulmão. Segundo ele, parecia não haver relação com o cigarro. Diante dessa fala, eu continuei fumando.

Fiz a cirurgia, retirei o nódulo e voltei a fumar assim que recebi alta do hospital. Porém, a felicidade durou pouco.

Logo as crises de falta de ar e o cansaço voltaram e, em uma delas, fui para o pronto-socorro. Aí um médico atencioso viu o meu histórico naquele hospital, pediu mais exames e me deu o diagnóstico de DPOC, ou doença pulmonar obstrutiva crônica.

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Eu não sabia o que isso significava, mas entendi que era a responsável por todas as minhas crises de falta de ar. Nesse mesmo dia, iniciamos um tratamento. E o pneumologista reforçou que era preciso parar de fumar naquele instante.

Como a vida é cheia de surpresas, logo que iniciei o tratamento meu esposo faleceu. Foi um choque para a família.

Após sua morte, muitas coisas mudaram: perdi o plano de saúde, mudei de cidade e tive uma queda significativa no meu padrão de vida. Em meio a tudo isso, parei com o tratamento que estava fazendo. Eu não tinha cabeça nem condições para continuar.

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+Leia também: Entrevista: se o cigarro sumisse, a DPOC seria uma doença rara

A doença continuou avançando e as crises ficaram cada vez mais fortes. Diante disso, procurei assistência no Sistema Único de Saúde (SUS), mas foi difícil encontrar um tratamento que fizesse efeito. Foram inúmeras tentativas que quase me fizeram desistir.

Como as crises ainda me acompanhavam, eu procurei auxílio em clínicas populares. Nessa jornada, passei em consulta com diversos especialistas, iniciei inúmeros tratamentos, fiz até fisioterapia respiratória. Mas nenhum procedimento fez diferença na minha vida. Então, eu entendi que aquela era minha condição e passei a aceitar.

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Já sem esperança, fui em mais uma consulta com um pneumologista. Ao ouvir minhas queixas, ele comentou sobre uma terapia que alinhava três medicamentos e que era indicada para o meu caso. Apesar do alto custo do medicamento, assim que recebi a receita, passei em uma farmácia e rapidamente iniciei o tratamento.

Para minha felicidade, o medicamento foi bastante eficaz. Eu comecei a sentir diferença logo nos primeiros dias. A indisposição foi passando e as crises diminuindo. Voltei a fazer atividades que há tempos não realizava – não por falta de vontade, mas por dor e indisposição.

Para mim, uma das maiores conquistas foi voltar a tomar banho sem o uso do oxigênio. Perceber que posso respirar com meus pulmões foi algo gratificante.

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Claro que ainda tenho limitações, afinal, sou uma paciente crônica e a DPOC vai me acompanhar para sempre. Mas, só de sentir o ar entrando e saindo sem o auxílio de aparelhos, me sinto grata e animada para viver as alegrias que a vida pode me proporcionar.

*Elizabeth Castro de Oliveira é uma paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

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