Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

Remédio é aprovado para conter insuficiência cardíaca (não importa o tipo)

Nova indicação de medicamento ampliará número de pessoas com a doença no coração que poderão se beneficiar de um comprimido

Por Múcio Tavares de Oliveira Jr, cardiologista*
8 jun 2022, 09h55

A insuficiência cardíaca é um distúrbio em que o coração não consegue suprir mais as necessidades do corpo. Ou seja, a enfermidade se desenvolve quando a ação de contração ou relaxamento do órgão se torna inadequada, normalmente devido à fraqueza ou à rigidez do músculo cardíaco, ou mesmo a ambas.

São dois os tipos de insuficiência cardíaca. Na de fração de ejeção reduzida, o coração se contrai com menos força e bombeia uma porcentagem menor do sangue do que retorna a ele. Na com fração de ejeção preservada, o órgão fica enrijecido e não relaxa após a contração, o que prejudica sua capacidade de se encher de sangue.

Independentemente do tipo, a insuficiência cardíaca é um problema grave, com alto risco de mortalidade e uma questão de saúde pública. No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na população em geral, sendo que a insuficiência do coração é a primeira causa de internação hospitalar em pessoas acima dos 60 anos.

Metade dos pacientes com essa condição pode morrer até cinco anos após o diagnóstico e a doença e o tratamento trazem um alto ônus financeiro para o Sistema Único de Saúde (SUS), representando a maioria dos custos relacionados a hospitalizações no contexto das doenças cardiovasculares. Um estudo baseado em dados do DATASUS sobre admissões por insuficiência cardíaca entre 2007 e 2016 mostrou que o custo médio por paciente internado aumentou 97% no período.

Continua após a publicidade

+ LEIA TAMBÉM: Insuficiência cardíaca, novo fôlego para um coração cansado

Além dos impactos no sistema de saúde, a doença pesa na qualidade de vida dos pacientes. Porém, temos boa notícia, com a aprovação neste mês de uma nova indicação de um medicamento para pessoas com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a prescrição da empagliflozina para esses pacientes, o que significa que, a partir de agora, os indivíduos com a doença poderão se beneficiar de mais um tratamento a despeito do tipo de fração de ejeção.

Continua após a publicidade

A empagliflozina é um comprimido inicialmente desenvolvido para tratar o diabetes. Estudos clínicos subsequentes com a medicação demonstraram resultados positivos também para pacientes com insuficiência cardíaca, tendo ou não diabetes.

+ LEIA TAMBÉM: O que está mudando no tratamento do diabetes

BUSCA DE MEDICAMENTOS Informações Legais

DISTRIBUÍDO POR

Consulte remédios com os melhores preços

Favor usar palavras com mais de dois caracteres
DISTRIBUÍDO POR
Continua após a publicidade

Em 2021, a Anvisa aprovou o uso do medicamento como parte do arsenal de tratamento para a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. O aval veio após a publicação de um importante estudo que demonstrou redução de 25% no risco de morte ou hospitalização com a utilização da empagliflozina, além do tratamento-padrão.

A nova decisão da agência deriva dos resultados positivos apresentados por outro estudo, o EMPEROR-Preserved, que contemplou adultos com ou sem diabetes e diagnóstico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. O trabalho concluiu que o remédio demonstrou redução de 21% no risco relativo de morte cardiovascular ou hospitalização por essa doença do coração.

Pesquisas anteriores que testaram várias drogas nesse grupo de pacientes não haviam conseguido comprovar benefícios claros até o momento. A empagliflozina, por sua vez, representa um tratamento capaz de melhorar significativamente a saúde de pessoas com ambos os tipos de insuficiência cardíaca, fora reduzir a progressão das lesões renais, tão frequentes nessa população.

Continua após a publicidade

Ou seja, hoje os pacientes podem contar com uma terapia que auxilia no restabelecimento do equilíbrio entre os sistemas cardíaco, renal e metabólico, diminui o risco de complicações graves e aumenta a qualidade de vida.

Como médico e pesquisador que se dedica a essa área há anos, posso afirmar que estamos diante de um marco no tratamento da insuficiência cardíaca no Brasil. Temos o primeiro e único medicamento aprovado que consegue reduzir o risco de morte e hospitalização independente do tipo da doença.

Essa é uma notícia com potencial de transformar a vida de milhões de brasileiros. E que faz nosso coração pulsar de tanto orgulho.

Continua após a publicidade
Compartilhe essa matéria via:

* Múcio Tavares de Oliveira Jr é cardiologista, pesquisador e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.