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O que esperar da vacina bivalente para Covid-19?

Pesquisador explica o papel da nova geração de imunizantes contra o coronavírus e a pandemia em curso

Por Rafael Resende, biólogo*
Atualizado em 30 nov 2022, 18h02 - Publicado em 30 nov 2022, 18h01

Quando a pandemia de Covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em março de 2020, as medidas não farmacológicas, como uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social, formavam, na época, a única linha de ação para a prevenção da doença causada pelo vírus Sars-CoV-2.

Em paralelo, centros de pesquisa movimentaram bilhões de dólares em um esforço coletivo na busca de uma vacina capaz de reduzir o número de mortes pela infecção. E foi assim que projetos de pesquisa saíram do papel e novas tecnologias e formulações, que até então estavam em fase experimental ou eram voltadas a outras doenças, se tornaram uma realidade.

Esse foi o início de uma nova era para as vacinas, muitas delas desenvolvidas com técnicas pioneiras de biologia molecular, como vetor viral e RNA mensageiro (mRNA). E também um divisor de águas no controle da Covid-19.

Apesar de imunizantes como esses nunca terem sido licenciados anteriormente, é importante ressaltar que foram criados a partir de estudos em andamento realizados há anos, boa parte deles destinada a enfermidades como câncer, malária, ebola, aids e mesmo infecções semelhantes à Covid-19, como Sars e Mers.

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Mesmo passando por pesquisas rigorosas e sendo aprovadas por agências regulatórias no Brasil e no exterior, as vacinas enfrentam um desafio que torna o custo da pandemia ainda mais alto: a recusa de parte da população em se vacinar. Pessoas julgam os produtos disponíveis ineficazes ou perigosos e caem na teia de teorias fantasiosas, que desmerecem décadas de estudos na área.

Estima-se que, no país, 70 milhões de pessoas não completaram o esquema vacinal contra Covid-19. Essa ruptura na cadeia de imunização abre risco para surtos da doença, uma ameaça concatenada ao surgimento de novas variantes e subvariantes virais (BA.4 e BA.5), derivadas da ômicron, a mais prevalente no país até o momento.

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De fato, isso já está acontecendo. Os dados recentes mostram aumento na incidência da doença no país nas últimas semanas. E, quanto maior o número de pessoas infectadas, maior o surgimento de mutações do vírus, gerando variantes cada vez mais resistentes e com maior potencial de disseminação.

A arma do nosso lado é a vacinação. Para que um imunizante desempenhe bem seu papel, ele precisa ser específico. Sua função é apresentar ao nosso sistema imunológico informações sobre o agente infeccioso a ser combatido. Para isso, sua fórmula contém uma substância que remete ao próprio vírus, como um mRNA, um DNA, uma proteína ou mesmo parte do vírus que foi inativada ou atenuada em laboratório.

No entanto, com o surgimento das novas variantes, é importante dizer que o Sars-CoV-2 já não é mais o mesmo vírus que conhecíamos no início da pandemia, quando os primeiros casos surgiram em Wuhan, na China.

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Trata-se agora de um vírus com diversas mutações cujas sequências genéticas se diferem substancialmente das do vírus original. E as vacinas precisam acompanhar essa evolução.

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É por essa razão que estão aparecendo agora as vacinas de segunda geração, as bivalentes. São assim chamadas por possuírem duas substâncias essenciais em sua composição: a primeira é a sequência biológica da nova variante ômicron (incluindo suas subvariantes BA.1, BA.4 e BA.5, mais prevalentes atualmente e com maior potencial infeccioso) e a segunda é uma sequência que remete ao vírus original.

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Essas vacinas estimulam nosso sistema imunológico a elaborar uma linha de defesa mais específica e, consequentemente, mais eficaz contra o vírus. É o início de uma nova era na intensa luta para o fim da pandemia.

A primeira vacina bivalente para Covid-19 foi aprovada há pouco pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Cominarty Bivalente (da Pfizer) pode ser utilizada como reforço único a quem tomou a primeira dose da vacina monovalente (específica somente ao vírus original), independente do fabricante.

Por enquanto, no Brasil, a nova vacina é indicada a adolescentes acima de 12 anos e adultos, e apenas como dose de reforço. Não está recomendada para primeira vacinação nem para crianças.

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Nos estudos clínicos, a vacina bivalente demonstrou capacidade de produzir quatro vezes mais anticorpos neutralizantes contra as variantes BA.4 e BA.5, quando comparada à monovalente, sobretudo em adultos acima de 55 anos de idade, que compõem a faixa etária de risco para a forma grave da doença. Os resultados de segurança e tolerância foram similares aos observados para a vacina monovalente.

Esses dados reforçam que a última geração do imunizante deve representar uma proteção adicional à população e cravar mais um marco na luta da ciência contra o Sars-CoV-2 e essa pandemia que já chega ao seu terceiro ano.

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*Rafael Resende é biólogo, com pós-doutorado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e pesquisador na área de imunologia da Fiocruz/RJ

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