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O lúpus não precisa ser vilão na gestação

Essa doença realmente traz desafios adicionais. Mas, com orientação e alguns ajustes, é possível passar por essa fase sem intercorrências

Por Gabriela Araújo Munhoz, reumatologista*
11 jun 2024, 08h42

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune, crônica, que afeta diversos órgãos. Manifesta-se em qualquer idade, embora seja mais comum em mulheres na fase reprodutiva, com proporção de nove para cada homem. Dados da Lupus Foundation of America apontam que cerca de 5% das crianças desenvolvem lúpus se a mãe ou o pai o tiver.

A gestação em uma mulher com LES é considerada de risco, portanto, deve ser planejada em conjunto com o reumatologista e o obstetra. O momento ideal para que a paciente esteja liberada para engravidar é quando ela estiver há pelo menos seis meses sem sinais de atividade de doença (que chamamos de remissão), a fim de reduzir o risco de complicações maternas e fetais.

Quando a mulher com lúpus ativo engravida, o controle da doença torna-se mais difícil. Há risco de diversas complicações, como piora do funcionamento dos rins, hipertensão arterial, sobrecarga da função cardíaca e até mesmo eclâmpsia.

Embora atualmente seja possível uma gestação sem complicações em um grande número de mulheres com lúpus, a gravidez não é recomendada quando a doença estiver ativa ou quando a paciente estiver tomando medicamentos que podem oferecer riscos ao bebê.

Contraindicam formalmente a gestação casos de hipertensão pulmonar grave, doença pulmonar restritiva grave, acidente vascular cerebral nos últimos seis meses, insuficiência cardíaca grave e renal crônica. Sim, essas são possíveis complicações do lúpus.

+Leia também: É possível (con)viver com o lúpus?

Estudos recentes apontam que metade das mães com lúpus tiveram uma gravidez sem intercorrências, 20% desenvolveram uma crise de LES durante a gravidez e 15%, uma no pós-parto. As complicações mais comuns foram os distúrbios hipertensivos (18%), parto prematuro (33%), restrição de crescimento intrauterino (15%) – levando a neonatos pequenos para a idade gestacional – e morte fetal intrauterina (4%).

Existe uma forma de lúpus, conhecida como lúpus neonatal, que ocorre em alguns bebês e é transmitida por gestantes com anticorpos específicos (anti-Ro e/ou anti-La positivos), acometendo cerca de 1 a 2% dessa população. Esses anticorpos passam da mãe para o feto através da placenta.

Os sintomas são erupções na pele do recém-nascido, alterações hepáticas e hematológicas que desaparecem nos primeiros seis meses de vida. Uma manifestação rara é o acometimento cardíaco, que ocorre entre 18 e 24 semanas de gestação, acarretando em arritmia na criança. Essa complicação pode ser detectada e tratada durante a gravidez através da realização de ecocardiograma fetal e intervenção precoce.

A LES não afeta diretamente a fertilidade das mulheres. No entanto, alguns medicamentos que são usados podem impactar negativamente nesse contexto, enquanto outros oferecem risco ao desenvolvimento do feto.

Por isso, a mulher com lúpus deve ser orientada quanto às medicações cujo uso é permitido ou contraindicado nesse período.

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Alguns outros cuidados são fundamentais para a boa evolução da gestação, como:

  • Proteger-se do sol, fazendo uso de filtro e evitando exposição ao ar livre entre as 10h até às 15h
  • Evitar situações de estresse
  • Manter hábitos saudáveis de alimentação, evitar excesso de sal e frituras
  • Cessar o tabagismo
  • Comparecer regularmente nas consultas de pré-natal
  • Fazer o uso correto das medicações prescritas
  • Realizar os exames complementares solicitados
  • Praticar exercícios físicos regularmente e com supervisão
  • Efetuar controle da pressão arterial

É importante ressaltar que cada gestação se desenvolve de maneira particular. Mas, com os cuidados e tratamento adequados, a chance de as mulheres com lúpus terem uma gestação saudável e sem intercorrências é muito boa.

*Gabriela Araújo Munhoz é reumatologista, membro da Sociedade Paulista de Reumatologia, doutora em lúpus eritematoso sistêmico pela USP e médica assistente responsável pelo ambulatório de Lúpus Eritematoso Sistêmico da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

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