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A síndrome de super-homem, o tabu do preservativo e as DSTs

Pesquisas demonstram que, desde a adolescência, há baixa adesão à camisinha, o que só aumenta o risco de doenças sexualmente transmissíveis

Por Daniel Zylbersztejn, urologista*
Atualizado em 15 mar 2023, 11h42 - Publicado em 16 dez 2020, 10h35

Quando falamos na prevenção de HIV, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis (as ISTs), pensamos logo na necessidade de usar o preservativo, um método reconhecidamente eficaz, barato e acessível à população. Porém, na prática, essa lógica que parece óbvia não é tão clara e está longe de ser uma realidade.

Como prova disso, uma pesquisa recém-publicada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostra que, embora os homens adultos de 22 estados brasileiros contemplados afirmem saber o que são as ISTs, 80% se consideram fora de risco para a contaminação e somente 11% se consideram em perigo. É como se as consequências do sexo sem camisinha fossem um problema para o vizinho, para aquele colega de trabalho ou amigo festeiro, mas nunca algo que possa acontecer consigo.

Esse fato é o que chamamos de “fadiga do preservativo”. Apesar de os homens saberem da sua importância e da publicidade em torno dele, a baixa motivação para o seu uso e a falta de uma comunicação efetiva por profissionais capacitados contribuem para esse cenário.

Se de um lado existe o conhecimento, mas pouca efetividade na prática, nos adolescentes que estão iniciando a vida sexual a situação não é tão diferente. Um levantamento feito para a campanha #VemProUro — iniciativa da SBU que incentiva maior acesso dos adolescentes aos médicos — revela que 15% dos jovens de 12 a 18 anos já tiveram iniciação sexual, mas 44% não usaram preservativo na primeira relação e 35% não usam ou usam raramente a camisinha.

Para piorar, 38% dos meninos admitem não saber sequer colocar o preservativo. Para os entrevistados, o sexo ainda é um tabu, pois 41% afirmaram não conversar com ninguém sobre o tema.

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Apesar de a transmissão das ISTs ocorrer geralmente por relação sexual oral, vaginal e retal sem proteção, as doenças também se disseminam por via vertical na hora do parto (de mãe para filho), bem como por secreções corporais contaminadas, transfusões sanguíneas e compartilhamento de agulhas e seringas no uso de drogas injetáveis.

Em pleno século 21, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima 1 milhão de novos casos de ISTs curáveis entre pessoas de 15 a 49 anos no mundo por dia! Quando nos referimos aos quatro tipos mais comuns — sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase —, esses números podem ultrapassar os 376 milhões de casos anuais.

Esses dados demonstram o desafio de saúde pública que enfrentamos, pois essas infecções podem gerar sérias consequências. Muitos indivíduos infectados não apresentam quaisquer dos sintomas típicos, como corrimento uretral e vaginal, dor ao urinar e dor no baixo ventre. Só que as repercussões das ISTs são potencialmente graves: envolvem lesões nos genitais, infertilidade e tumores malignos, por exemplo.

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Em dezembro, a SBU abraça a campanha Dezembro Vermelho, cujo objetivo é orientar a população sobre as ISTs e mostrar que não existe super-homem quando se fala em estar imune às consequências do sexo desprotegido.

O verdadeiro super-homem é aquele que se conscientiza de que precisamos melhorar nossos hábitos, aderir às campanhas de vacinação disponíveis, evitar parceiros sexuais múltiplos sem proteção e entender, de uma vez por todas e desde a adolescência, que o preservativo não só evita uma gravidez indesejada mas também é o melhor instrumento para prevenir ISTs e ter uma vida sexual saudável.

* Daniel Suslik Zylbersztejn é urologista, coordenador da campanha #VemProUro e da Área de Adolescência da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)

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