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Cabelos brancos demandam cuidados específicos?

Quando os fios perdem a cor, é preciso focar em certos aspectos para mantê-los saudáveis e bonitos

Por Thaís Manarini
Atualizado em 22 jan 2020, 15h39 - Publicado em 18 fev 2019, 18h34

Recentemente, a revista SAÚDE trouxe, em reportagem de capa, uma série de informações sobre cabelos – dos problemas mais comuns à análise do impacto de procedimentos e produtos nos fios. Mas a leitora Rosecler Pasqualini sentiu falta de um foco maior nos cabelos brancos, que, aliás, andam pra lá de cobiçados.

Primeiro, vale entender por que as madeixas perdem a cor. De acordo com a dermatologista e cirurgiã capilar Leila Bloch, da clínica Bloch, na capital paulista, existem duas principais teorias para explicar esse fenômeno. Uma é a dos radicais livres, moléculas que prejudicam nossas células.

“Com o tempo, nosso corpo perde a capacidade de combatê-los. E eles levam ao envelhecimento”, conta, lembrando que esse processo também repercute na pele.

A outra explicação tem a ver com a chamada exaustão folicular. Parece que, após dez ciclos de crescimento dos fios (cada um dura cerca de três anos e meio), os melanócitos, que produzem melanina, ou seja, o composto que dá cor ao cabelo, começam a cansar. “Com isso, eles param de produzir o pigmento”, conclui Leila.

A pesquisadora Cibele Lima, doutora em ciências farmacêuticas na área de cabelos pela Universidade de São Paulo (USP), comenta que, embora os fios brancos apareçam, em geral, entre os 34 e 44 anos, em alguns indivíduos eles podem dar o ar da graça mais cedo, lá pelos 20. “Em grande parte, isso é devido à genética da pessoa”, esclarece. “Alguns estudos também associam a outros fatores, como tabagismo e certas doenças”, completa.

As particularidades dos fios brancos

A aparência platinada traz consigo algumas mudanças que merecem atenção. A dermatologista e tricologista Mabe Gouveia, da clínica Valéria Marcondes, em São Paulo, conta que a melanina, além de dar cor aos fios, é superimportante para a proteção direta e indireta das proteínas capilares.

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Para ter ideia, os locais antes preenchidos pela melanina passam a ser compostos por ar. “Isso deixa os fios mais leves e arrepiados, isto é, com frizz”, raciocina Cibele.

Como se não bastasse, a pesquisadora da USP informa que o pigmento oferece proteção fotoquímica ao cabelo. “Sem ele, a radiação ultravioleta degrada tanto proteínas estruturais e aminoácidos como lipídios importantes para a lubrificação dos fios, o que pode levar ao ressecamento”, ensina.

Segundo Leila, um dos impactos da secura é que o fio corre mais risco de se quebrar, principalmente durante a escovação. Para amenizar a situação, ela sugere investir mais na hidratação das madeixas.

“Produtos com queratina, aminoácidos, antioxidantes [como flavonoides], manteigas e óleos vegetais são bem-vindos”, avalia Cibele. Ela recomenda, para fins de manutenção, aplicar formulações sem enxágue até uma próxima lavagem. “Se o cabelo estiver em boas condições, vale até usar o secador para finalizar e selar as camadas de cutículas dos fios”, diz.

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É que o calor do aparelho ajuda a potencializar a eficiência do leave-in (produtos sem enxague), aumentando o brilho. Você só não pode se esquecer de aplicar um protetor térmico antes da secagem, tá?

Outra coisa: é fundamental resguardar os cabelos do sol. “Esse cuidado minimiza o ressecamento”, justifica Cibele. Chapéus são aliados nessa tarefa.

E o xampu?

A sugestão é levar para casa xampus e condicionadores de cor cinza ou roxa. Cibele revela que a pigmentação desses produtos neutraliza o tom amarelado que o cabelo branco tende a ganhar, devolvendo um prateado natural aos fios.

“Esses produtos devem possuir uma formulação com alto poder hidratante para compensar o ressecamento provocado pela perda de melanina e outros fatores intrínsecos ao envelhecimento, como produção diminuída de sebo”, afirma.

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