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Dieta pelo bem da digestão

Escolhas à mesa são decisivas para quem tem a síndrome do intestino irritável. Conheça o pacote de medidas | por Paula Sperb e Sílvia Lisboa

Por Redação Saúde é Vital - Atualizado em 27 mar 2019, 10h53 - Publicado em 26 fev 2016, 13h07

No café da manhã, que tal um pãozinho com mel acompanhado de um copo de leite? Na hora do almoço, só não pode faltar feijão. Para o lanche da tarde, cai bem uma pera. E, no jantar, uma saladinha de milho verde pra encerrar o dia sem exageros. Embora combinem com uma rotina saudável, todos esses alimentos podem causar o maior sufoco se você sofre da síndrome do intestino irritável (SII), condição marcada por gases, cólicas e constipação ou diarreia. Isso porque eles reúnem doses carregadas de FODMAPs, sigla em inglês que representa as iniciais de oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis. Tantos palavrões significam o seguinte: são carboidratos de difícil digestão.

“Eles propiciam a entrada de um maior volume de líquidos no intestino delgado e provocam mais fermentação no intestino grosso”, explica a nutricionista Marianne Williams, da Fundação do Serviço Nacional de Saúde, no Reino Unido. Por causa dessas características, os FODMAPs disparam os desconfortos típicos de quem tem o intestino sensível — algo em torno de 20% da população. Cortá-los do cardápio traria, portanto, um baita alívio a essa gente. E isso já está sendo observado na prática.

Pesquisas da Universidade Monash, na Austrália, indicam que a dieta com baixo teor de FODMAPs funciona em 75% dos casos. Em um desses estudos, feito com 30 portadores do distúrbio, constatou-se a redução dos sintomas na ordem de 50% após três semanas com o novo regime — a melhora apareceu especialmente depois da primeira semana. E nem adianta creditar o ganho a um efeito psicológico. Os voluntários não foram informados de que se tratava de um menu especial para que sua expectativa não influenciasse os resultados.

Diferentes categorias de alimentos, como frutas, grãos e leguminosas, têm compostos que, para algumas pessoas, armam uma confusão intestinal. Melancia, centeio e lentilha estão entre eles. O leite e seus derivados também entram na lista — para não ficar sem o cálcio presente nesses itens, o jeito é apelar para as versões sem lactose. A primeira fase da intervenção tem uma duração que varia de duas a oito semanas. Nesse período, é importante que a restrição a esses alimentos seja total. “Só assim é possível avaliar a eficácia do tratamento”, afirma a nutricionista Letícia Fuganti Campos, da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral.

Para evitar deslizes e facilitar a adoção da dieta pobre em FODMAPs, a Federação Brasileira de Gastroenterologia divulgou em sua página na internet uma tabela completa com os alimentos liberados e os proibidos. Mas esse recurso não concede sinal verde para correr ao supermercado e começar o investimento no novo cardápio, viu? Antes de mexer no menu, é necessário visitar um especialista. Tudo para garantir que, depois das mudanças, seu corpo não sofrerá com a ausência de nenhum nutriente.

A dieta contra a SII é dividida em três fases. Na primeira, que deve durar entre duas e oito semanas, o objetivo é banir os FODMAPs. Na segunda, o indivíduo deve reintroduzir, aos poucos, os alimentos proibidos e prestar atenção naqueles que mais desencadeiam as crises. Essa etapa serve para conhecer melhor o humor e as reações do intestino. Na terceira e última fase, a ideia é adotar um regime alimentar mais próximo do normal. “A meta é voltar com a maioria dos alimentos, desde que os sintomas permaneçam controlados. Assim, o indivíduo consegue identificar os mais, digamos, perigosos”, explica a nutricionista Jane Muir, do Departamento de Gastroenterologia da Universidade Monash.

Se os sintomas do distúrbio não melhorarem com o cardápio especial, convém voltar ao consultório para rever as estratégias. “O acompanhamento médico continua sendo a melhor pedida para controlar a SII”, ressalta Carlos Fernando Francesconi, chefe do Serviço de Gastroenterologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Até porque nem sempre a dieta com baixo teor de FODMAPs é a melhor aposta.

Francesconi costuma indicá-la apenas a pacientes com quadros de SII mais severos. “Nos casos leves ou moderados, uma dieta considerada balanceada já é o suficiente”, garante o gastro. “Nenhum alimento deve ser banido para sempre”, reforça. Na dieta dos FODMAPs, cabe reforçar, isso não acontece. Ela deve durar, no máximo, dois meses. Se for além disso, existe o risco de ocorrer uma modificação na flora intestinal e, como consequência, uma piora nos sintomas que já atormentam os portadores da condição.

Outra recomendação de quem entende: pessoas sem a síndrome não têm motivos para adotar esse programa alimentar — não, ele não ajuda a emagrecer. “Os FODMAPs, na verdade, são até bem-vindos para um intestino saudável. Portanto, devem, sim, ser consumidos por quem não apresenta a SII”, avisa a pesquisadora australiana Jaci Barrett. Aliás, se o indivíduo só tem constipação, por exemplo, é provável que sejam necessários outros tipos de ajuste no cardápio (e isso influenciará inclusive na escolha dos alimentos).

Francesconi pontua ainda que a dieta não pode ser encarada como a protagonista do tratamento da SII. Afinal, falamos de um quadro complexo no qual o estresse tem enorme impacto. “Casos de luto, violência e até crise econômica afetam a digestão”, diz o especialista. Conhecido como segundo cérebro, o intestino também está sujeito a alterações de temperamento. Mas é bom saber que a comida certa, mesmo como coadjuvante, pode ajudar a acalmar seus ânimos.

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Sem FODMAPs

Um dia seguindo a dieta para acalmar o intestino

Desjejum

Leite de soja ou leite sem lactose batido com banana e aveia. Ou um pão sem glúten com queijo sem lactose acompanhado de uma fatia de melão.

Lanche da manhã

Iogurte sem lactose e uma porção de morango ou de abacaxi.

Almoço

Forre metade de um prato com cenoura, alface, tomate, pepino, berinjela, abobrinha, espinafre, rabanete e abóbora. Na outra metade, coloque uma porção de arroz integral com um peixe ou uma carne (vermelha ou de frango).

Lanche da tarde

Mix de oleaginosas e uma tangerina.

Jantar

Repita o almoço. Dá para substituir o arroz por batata- -doce ou batata-inglesa, polenta ou macarrão sem glúten. Sempre reserve mais espaço para a salada. Ovo também está permitido.

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