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Remédio falso para autismo e outras doenças é retirado do mercado

Batizado de MMS, o suposto medicamento é feito de dióxido de cloro, que é corrosivo e não traz benefícios, seja para o autismo ou para outro problema

Por Da Redação Atualizado em 1 jul 2019, 17h33 - Publicado em 30 abr 2019, 17h50

Como muitos produtos enganosos na área da saúde, o MMS (sigla em inglês para Solução Mineral Milagrosa) promete benefícios espantosos, que incluem a cura do autismo, a do câncer… Mas nenhumas dessas alegações é verdadeira. Tanto que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está fazendo um esforço extra para retirar qualquer anúncio na internet desse remédio falso – ele é proibido desde 2018 no Brasil.

O MMS é composto por dióxido de cloro. “É uma substância que pode ser usada em produtos alvejantes para tratamento de água. Ela não tem comprovação científica para ingestão em seres humanos”, afirma Renata Fonseca, gerente de fiscalização da Anvisa, em comunicado por vídeo. “Alertamos que o MMS não tem indicação para o autismo nem para outra alegação de saúde”, completa.

Essa molécula, portanto, não é segura. Segundo a Anvisa, o dióxido de cloro é corrosivo e inclusive precisa ser manipulado com equipamentos especiais para não causar danos. Como se fosse pouco, sua inalação pode trazer riscos para as vias aéreas.

E, claro, faltam estudos que evidenciem benefícios do MMS. Em resumo, ele sequer é um tratamento para o autismo – e muito menos uma cura.

Em uma busca no PubMed, um dos principais agregadores de pesquisas científicas publicadas no mundo, encontra-se apenas uma menção à Solução Mineral Milagrosa. Trata-se do caso de uma mulher de 41 anos que teria desenvolvido a síndrome de Kikuchi-Fujimoto após tomar MMS uma única vez.

Essa condição rara inclui febre e inchaço dos nódulos linfáticos – e poderia ter sido disparada por um processo inflamatório decorrente do dióxido de cloro.

Cá entre nós, o próprio nome do suposto medicamento levanta suspeitas. Sempre desconfie de produtos tidos como miraculosos na área da saúde.

“Queremos alertar as mães para não substituir tratamentos por esse tipo de produto”, pede Renata. Ela ainda recomenda para as pessoas que denunciem anúncios e eventuais pontos de venda online do MMS, em nome da saúde pública.

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