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Quais as estratégias para conter a Covid-19 no Brasil?

Dos alertas dos meios de comunicação sobre o isolamento ao uso de recursos digitais para monitorar infectados: vale tudo para frear o novo coronavírus

Por Abril Branded Content Atualizado em 26 nov 2020, 17h48 - Publicado em 3 dez 2020, 11h00

Preparar o sistema de saúde para receber pacientes e isolá-los, orientar a população sobre medidas para evitar a propagação do Sars-CoV-2, proteger os grupos mais vulneráveis à doença – não são poucos os desafios no enfrentamento de uma crise sanitária da magnitude da pandemia de Covid-19. A empreitada é ainda mais desafiadora num país de dimensões continentais, com diferentes estruturas de assistência, seja na rede pública ou na privada.

Principais estratégias usadas para evitar o colapso do sistema de saúde

Diante de uma emergência que pegou o mundo inteiro de surpresa no início de 2020, governos e a sociedade como um todo tiveram que reagir rapidamente. A necessidade de contar com a colaboração da população continua exigindo esforços para reforçar as recomendações de segurança, sempre alinhadas com as melhores práticas internacionais.

Isolamento 

Tecnicamente, o termo se refere à estratégia de separar pessoas infectadas ou com suspeita de ter contraído o Sars-CoV-2, para evitar a sua propagação. Em casos leves de Covid-19, tratados em casa, o paciente, na medida do possível, deve se manter isolado dos demais moradores e, claro, não sair às ruas, a menos que precise de atendimento médico presencial. No ambiente hospitalar, alas inteiras foram reservadas para receber apenas indivíduos com a doença. Já no chamado distanciamento social, a ideia é incentivar a permanência das pessoas em casa a maior parte do tempo, de forma a reduzir o risco de contágio.

Na opinião de Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), o isolamento social foi um ponto vital no manejo da pandemia. “Se não tivéssemos adotado essa medida, teríamos um número ainda maior de casos, nos aproximando perigosamente do colapso do sistema de saúde em vários locais do país, com consequente aumento da mortalidade”, avalia. “Basta olhar particularmente para a curva de doentes em Manaus e Fortaleza, onde em determinado momento não se conseguiu fazer o achatamento no ritmo adequado, e os hospitais não deram conta do atendimento”, exemplifica.

Quarentena

Nesse caso, estamos falando de medidas restritivas impostas pelas autoridades, em nível municipal ou estadual. Trata-se de regular que tipos de atividades podem ser mantidas, com regras sobre horário de funcionamento de estabelecimentos e serviços. O objetivo é limitar a circulação de pessoas e evitar aglomerações. Em geral, os programas de flexibilização da quarentena são divididos em fases e baseados em indicadores, como a média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para pacientes com Covid-19 e o número de novas internações e de óbitos. Nas fases mais restritivas, apenas os serviços essenciais podem funcionar; nas mais controladas, a chamada fase verde, há permissão para reabrir cinemas, teatros e demais atividades culturais – seguindo os protocolos de segurança determinados.

Máscaras

Hoje de uso obrigatório em espaços públicos e privados, elas já foram alvo de polêmica no contexto da pandemia. Houve um momento em que as máscaras eram indicadas apenas para pacientes sintomáticos. “No início, os próprios especialistas não recomendavam que todo mundo usasse”, constata o sanitarista Gonzalo Vecina. O receio, diz o médico, era que elas dessem uma falsa sensação de segurança, induzindo descuidos e comportamentos de risco. Com o crescimento do número de casos e o conhecimento de que muitos carregam o Sars-CoV-2 e continuam assintomáticos, as máscaras caseiras viraram expediente para evitar a transmissão. “Elas retêm o vírus presente nas gotículas que saem quando respiramos, tossimos ou espirramos. Ou seja, ao usá-las, você protege quem está por perto se estiver contaminado”, justifica Vecina.

Higienização das mãos

A ação é tão importante que a Organização Mundial da Saúde (OMS), muito antes da pandemia, havia instituído uma data, 5 de maio, como Dia Mundial da Higienização das Mãos. O uso de água, sabão e álcool em gel há tempos vem merecendo campanhas entre os profissionais de saúde como forma de prevenir infecções hospitalares. No fim de 2019, o Proadi-SUS, grupo de hospitais privados que dá suporte à rede pública, divulgou o resultado de um programa nesse sentido feito em quase 120 instituições espalhadas pelo Brasil: cerca de 2 900 infecções foram evitadas com as melhorias implementadas. As mãos, afinal, são vias de transmissão de microrganismos.

Numa situação como a que estamos atravessando, uma das primeiras providências dos especialistas em saúde foi reforçar a necessidade de zelar pela limpeza das mãos ao sair, ao voltar para casa, ao manusear alimentos – os quais, aliás, também precisam passar por uma boa sessão de água e sabão antes de serem guardados.

O que foi feito para auxiliar na proteção dos grupos de risco

Como parte do enfrentamento da Covid-19, o Ministério da Saúde disponibilizou o TeleSUS. O serviço, composto por aplicativo, chat online, telefone e Whatsapp exclusivos, tem como objetivo estimular o isolamento tanto de pessoas que desconfiam ter sido contaminadas quanto dos grupos de risco – idosos e indivíduos com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão –, evitando deslocamentos aos postos de saúde se não houver sinal de gravidade da doença.

Em outro exemplo, esse na iniciativa privada, uma parceria entre a GSC Integradora de Saúde, a Dasa e a Rede Ímpar criou o Pronto Atendimento Digital, serviço de telemedicina que orienta sobre medidas de prevenção da Covid-19, identifica casos suspeitos e faz acompanhamento e orientação durante a quarentena para os quadros que não exigem atendimento presencial. O serviço está disponível hoje para mais de 1,4 milhão de pessoas, garantido mais segurança a esse grupo, tirando dúvidas e evitando deslocamentos e idas desnecessárias a serviços de emergência. “A telemedicina é uma experiência muito positiva. Hoje mais de 90% das consultas de atenção primária ainda estão sendo feitas por meio dessa ferramenta, o que comprova que tivemos uma mudança de cultura e quebra de paradigma superimportante”, afirma Ana Elisa Siqueira, CEO da GSC.

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Dentro do modelo de coordenação de cuidado, a GSC também utilizou um serviço de telemonitoramento digital de pós-alta de pronto-socorro para evitar pacientes nas filas dos hospitais e ajudar na prevenção. “No pico da pandemia, quando houve o receio de sobrecarregar o sistema de saúde, conseguimos dar a tranquilidade tanto para o paciente quanto para o médico de que haveria a orientação correta, além de apoiar os hospitais a não sobrecarregar as suas internações”, lembra Ana Elisa. O serviço de Alta PS vem sendo adotado com sucesso, por exemplo, por hospitais da Rede Ímpar, no Rio de Janeiro e em Brasília, e no Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Mais de 6 000 pessoas com suspeita de Covid foram atendidas até meados de outubro pelo serviço e acompanhadas remotamente pela GSC. Dessas, 43% fizeram o teste para Covid e 59% tiveram resultado positivo, e não houve nenhum óbito.

Teleatendimento pelo SUS e rede privada

O tema da telemedicina, aliás, entrou em evidência nessa pandemia. Autorizado pelo Ministério da Saúde em caráter emergencial em março de 2020, a estratégia de usar tecnologia para consultas a distância ganhou força tanto no SUS quanto na saúde suplementar e privada.

“Muitas empresas já vinham se preparando tecnologicamente para isso. Hoje, com a necessidade de manter o distanciamento, o recurso tem sido fundamental na triagem da Covid-19 e no acompanhamento de pessoas com doenças crônicas”, avalia o neurologista Jefferson Gomes Fernandes, presidente do Conselho Curador do Global Summit Telemedicine & Digital Health, da Associação Paulista de Medicina (APM).

Para Joel Formiga, especialista em transformação digital na saúde, a inovação tecnológica vem ajudando no combate à pandemia em duas frentes. “Primeiro, com ferramentas analíticas que permitem conhecer os números relativos à doença e fazer estimativas baseadas em modelos de maneira muito dinâmica”, descreve. “O estado de São Paulo fez um bom trabalho de dados, o que permitiu criar projeções regionais, por época e por grupos, favorecendo um plano de abertura das atividades mais elaborado”, conta. “A inovação digital é também uma forma de contato em massa entre os gestores de saúde e os pacientes, seja na área de diagnóstico ou no monitoramento dos doentes e de seus contatos”, continua. “Isso é um dos fatores fundamentais para reduzir a letalidade e mitigar complicações da doença”, pondera Joel Formiga.

Organização no atendimento presencial dos hospitais

Logo que se confirmou a presença da Covid-19 no país, hospitais públicos e privados se mobilizaram para socorrer a onda de infecções e proteger as pessoas internadas por outras doenças. Chamou atenção a operação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), que rapidamente fez a transferência de pacientes de seu Instituto Central para as outras unidades e abriu nada menos que 900 vagas exclusivas para casos de coronavírus. “Uma das respostas mais impressionantes na crise foi essa do HC, liberando 200 leitos para UTIs especiais para Covid-19”, destaca Gonzalo Vecina.

Da mesma forma, instituições privadas destinaram áreas específicas para infectados pelo Sars-CoV-2 e se reorganizaram para atender em segurança emergências e os demais pacientes. Hoje as instituições estão preparadas com protocolos seguros: fluxos diferentes impedem o contato de quem chega com sintomas de gripes ou outro problema respiratório com aqueles que apresentam outras queixas. Virou rotina a obrigatoriedade de máscaras, medição de temperatura e higienização das mãos com álcool em gel para poder entrar nos hospitais e Unidades Básicas de Saúde.

Conclusão

A busca pela redução da transmissão e dos índices de mortalidade ainda passa pelos mesmos cuidados do início da pandemia: manter as medidas de isolamento e evitar aglomerações, fazer uso de máscara e higienizar as mãos com frequência.

A esperada aprovação de alguma das vacinas em desenvolvimento é promessa de proteção e alívio, sobretudo para os brasileiros mais vulneráveis. Quando isso acontecer, espera-se que muitos dos novos hábitos se mantenham e ajudem a aprimorar a saúde pública do país de forma geral.

“Quando vier a vacina, começa uma nova etapa na transformação digital do setor de saúde”, ressalta Joel Formiga. Ele destaca três pontos em que a digitalização fará diferença na imunização:

  1. No controle da elegibilidade, ou seja, na hora de estabelecer os critérios de qual público deve se vacinar primeiro.
  2. No registro vacinal de cada cidadão que recebeu as doses.
  3. No monitoramento dos vacinados a longo prazo: para saber se apareceram sintomas e se a imunidade se manteve. Um acompanhamento que idealmente deverá ser feito por, pelo menos, uma década, diz o especialista.

Um desafio para a saúde pública

Projetos assistenciais ou educativos concebidos para promover o acesso dos cidadãos a recursos que beneficiem seu bem-estar e qualidade de vida – a categoria Medicina Social do 3º Prêmio Abril e Dasa de Inovação Médica ganha ainda mais relevância diante da mais grave crise sanitária das últimas décadas. Numa edição especial voltada ao esforço de profissionais de saúde, cientistas, gestores e autoridades públicas para vencer a pandemia, um júri técnico e científico, com grandes nomes da medicina brasileira, avalia trabalhos dessa e de outras quatro categorias – Prevenção, Medicina Diagnóstica, Tratamento e Genética.

Os ganhadores serão anunciados em um evento virtual no começo de dezembro. Saiba mais sobre o regulamento e conheça os jurados no site da premiação

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