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Por que usar máscaras mesmo após a segunda dose da vacina

Entenda os motivos para manter o acessório no rosto depois da imunização contra a Covid-19 e quando poderemos abandoná-lo

Por Maria Tereza Santos 22 jun 2021, 17h57

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro contestou a obrigatoriedade do uso de máscara por pessoas que se vacinaram contra o coronavírus ou que já contraíram a Covid-19. Após a declaração, profissionais da saúde criticaram a fala do presidente, informando que ainda não é seguro abandonar o acessório.

De acordo com a infectologista Raquel Stucchi, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), há três principais motivos para continuar vestindo a máscara mesmo após receber a segunda dose do imunizante.

“Primeiramente, nenhuma vacina tem 100% de eficácia”, aponta. Assim, os imunizantes só serão de fato eficientes em proteger toda a população quando a maior parte dos indivíduos tiver levado a picada.

Para ilustrar melhor esse raciocínio, a analogia do goleiro tem sido bastante usada. Ora, ainda que ele seja excelente, pode tomar gols – sobretudo se as bolas não param de chegar ao gol. Para facilitar seu trabalho, a defesa do time deve ajudar – na comparação, os zagueiros representam medidas como uso de máscara e distanciamento. Para entender melhor, leia aqui.

Além disso, ainda não há evidências de que as vacinas têm o poder de barrar a transmissão do coronavírus. Ou seja, quem já recebeu as duas doses pode se contaminar e passar o vírus adiante – mesmo que seu próprio quadro seja leve ou assintomático. Em um cenário em que a maioria da população não está vacinada, como o do Brasil, o potencial de estrago é enorme.

“Por fim, nós estamos em um momento de grande circulação do vírus. Então, o risco de as pessoas terem Covid-19 segue alto”, completa a infectologista, que também é professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Lembrando que, até o momento, apenas 11,5% dos brasileiros tomaram as duas doses.

E os países que abandonaram a máscara?

Em alguns lugares, a utilização do acessório ao ar livre já não é mais obrigatória, como Nova Zelândia, Israel, Inglaterra e parte dos Estados Unidos. “São locais que aplicam imunizantes com alta eficácia e que tiveram uma redução significativa do número de casos, internações e óbitos”, enumera a especialista.

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Mesmo assim, a professora faz uma ressalva em relação à decisão. “Alguns países que liberaram uso do acessório estão com recrudescimento de casos, possivelmente porque ainda havia uma circulação do vírus ou de novas variantes”, informa Raquel.

É o caso da Inglaterra, que, mesmo com 46,9% da população totalmente imunizada, corre o risco de passar por uma terceira onda devido à disseminação da variante Delta do Sars-CoV-2, detectada pela primeira vez na Índia.

Nos Estados Unidos, o abandono da máscara foi considerado precipitado. “Eles deveriam ter esperado um período maior para ter certeza de que realmente estavam num momento de controle da pandemia, com diminuição sustentada do número de casos e hospitalizações, além de redução expressiva da circulação do vírus”, analisa a médica.

Quando poderemos finalmente andar sem máscara no Brasil?

De acordo com a infectologista, levando em consideração a taxa de eficácia das vacinas atuais, só conseguiremos dizer adeus à máscara quando no mínimo 80% da população acima de 18 anos estiver vacinada – com as duas doses, não custa frisar.

“Além disso, precisamos de uma redução nas taxas de infecções, internações e mortes. Isso deve ocorrer lá para o final de 2021”, aponta a professora.

No entanto, a especialista faz um alerta: no final do ano, boa parte dos brasileiros estará completando de sete a nove meses de imunização. Por enquanto, não temos evidências de quanto tempo a proteção dura. Mas, quando chegar esse momento, há a possibilidade de as vacinas terem perdido um pouco da eficácia, sendo necessário aplicar um reforço.

“Por isso, não dá para garantir que, com 80% da população vacinada, realmente haverá diminuição de casos. Para tirar a máscara, não basta estarmos imunizados, é preciso controlar a pandemia”, ressalta Raquel. Daí porque a morosidade da vacinação é tão preocupante.

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