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Câncer de próstata: testagem genética contribui para prevenção da doença

A investigação de biomarcadores permite traçar um tratamento personalizado e assertivo, além de auxiliar no diagnóstico precoce de gerações futuras

Por Abril Branded Content
Atualizado em 24 nov 2023, 17h27 - Publicado em 24 nov 2023, 16h32

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma).1 Por outro lado, entre todos os tipos de tumores, ele é um dos com maior chance de cura, chegando a 97% se rastreado em estágio inicial.2

Apesar desse prognóstico tão positivo, a realidade ainda parece bastante distante, já que 62% dos homens só procuram ajuda médica diante de sintomas insuportáveis.3 Em outras palavras, menos da metade deles consulta o médico para a prevenção e rastreio precoce de doenças.

O resultado? “Enquanto nos meios onde o acompanhamento é feito através do toque retal e PSA casos avançados representam menos do que 30%, em países em que isso não é feito de rotina, como no Brasil e, particularmente, dentro do SUS, casos avançados podem chegar até 60% a 70% dos pacientes”, diz Fernando Cotait Maluf, diretor médico associado do Centro de Oncologia da BP e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Tudo sobre o câncer de próstata

A próstata, glândula masculina que está localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, é um órgão pequeno e que faz parte do sêmen.1 Essa glândula cresce naturalmente ao longo da vida, mas o câncer surge quando células se multiplicam de forma anormal e formam um tumor.1 Setenta e cinco por cento dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos, sendo considerado um câncer da terceira idade.1 

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Geralmente a doença não provoca sintomas. Porém, em estágio avançado ela pode causar micção frequente, fluxo urinário fraco ou interrompido, vontade de urinar frequentemente à noite (nictúria), sangue na urina ou no sêmen, disfunção erétil, dor no quadril, costas, coxas, ombros ou outros ossos, caso o câncer tenha se disseminado para outras regiões do corpo, e fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.5

Como grande parte desses problemas pode ser provocada por outras condições clínicas que não o câncer de próstata, é importante buscar a orientação do médico caso sinta algum sintoma.5

Exames e prevenção

Seguir uma alimentação saudável, não fumar, praticar atividade física e visitar regularmente o médico são atitudes que contribuem para a boa saúde em geral e podem ajudar na prevenção desse câncer.6 Mas, como a enfermidade é silenciosa e pode começar sem que o paciente sinta algum sinal, a realização de exames preventivos para o diagnóstico precoce é determinante para um final feliz.

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Por meio de uma simples coleta de sangue é medida a quantidade de proteína produzida pela próstata – o antígeno prostático específico (PSA). Níveis alterados podem indicar câncer ou outras doenças benignas, antes de quaisquer sintomas.7 

O exame deve ser feito em combinação com o toque retal, no qual o médico pode observar alterações no formato, tamanho e consistência da glândula prostática. Se o resultado desses testes for anormal, é indicado a realização de exames adicionais para verificar se o homem tem câncer.7 Com os exames de rotina em dia, o câncer de próstata provavelmente será diagnosticado em estágio inicial, aumentando as chances de cura desse paciente.7 

Testagem genética para um tratamento personalizado

“Nesse sentido, os avanços da medicina de precisão têm se mostrado incrivelmente importantes para levantar a suspeita e a confirmação de tumores de próstata secundários a alterações genéticas passadas de pai para filho. Hoje sabemos que em torno de 10% a 15% dos pacientes com câncer de próstata têm alguma alteração genética que pode levar esse câncer a aparecer. A importância disso é que os tratamentos podem ser modificáveis e também o aconselhamento para aquele paciente e para a sua família”, explica Maluf. 

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Como o câncer de próstata é heterogêneo, ou seja, pode ter diversas assinaturas genéticas, a realização de um exame clínico-patológico para identificar os biomarcadores oncológicos – proteínas, genes ou outras moléculas que influenciam na maneira com que as células cancerígenas crescem, se multiplicam e respondem ao tratamento8 – tem se mostrado extremamente importante. Isso porque, a partir desse laudo, o médico conta com informações necessárias para eventualmente traçar uma terapia personalizada e mais adequada àquele paciente, especificamente.8 

O especialista explica que, graças ao avanço na oncologia de precisão, mesmo em casos de descoberta tardia da doença as perspectivas para os pacientes têm sido promissoras. 

“Ela tem um papel muito importante no sentido de eventualmente selecionar tratamentos e, também, você conseguir identificar quais são as mutações que não são exclusivas do tumor e do corpo para, eventualmente, proceder o aconselhamento genético para o paciente e sua família. É importante entender que as alterações mutacionais do tumor, sejam elas germinativas, casos em que a pessoa nasce com elas em todas as células do corpo, ou exclusivas do tumor, que são vistas através da medicina de precisão, têm um impacto significativo no manejo da doença localizada, mas, principalmente, na doença avançada”, destaca Maluf.

De acordo com diretrizes da European Society for Medical Oncology (ESMO), National Comprehensive Cancer Network (NCCN) e European Association of Urology (EAU), é recomendado que o teste HRR (sigla em inglês de reparo por recombinação homóloga) seja aplicado em todo diagnóstico com metástase,4,9 já que o rastreamento dos biomarcadores por meio do teste genético pode permitir oferecer ao paciente um tratamento personalizado. 

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Diagnóstico precoce de gerações futuras

A descoberta da mutação contribui, ainda, para o diagnóstico precoce das gerações futuras. É sabido que 15% dos homens com câncer de próstata avançado vão apresentar mutação BRCA1, BRCA2 ou ATM.2 Inclusive, pacientes com mutação de BRCA2, gene também presente no câncer de mama, têm um risco elevado de desenvolver tumores de próstata mais agressivos e em idades mais jovens.2 Por isso, nesses casos, pessoas com próstata devem começar a realizar os exames preventivos com 40 anos.2 A mesma indicação é para indivíduos que tenham caso de pai e irmãos diagnosticados com câncer de próstata, devendo iniciar também a avaliação entre os 40 e 45 anos, devido ao maior risco.

Ele conta que a importância da realização de teste genético é tamanha que a NCCN10 e o ESMO11 recomendam o teste HRR em pacientes com câncer de próstata metastático ou na progressão para resistente à castração, um exame feito em amostra tumoral para a investigação de variantes somáticas e potencialmente herdadas nos genes da via de HRR, como BRCA1, BRCA2, ATM, entre outros. 

O teste germinativo, realizado por amostra de sangue ou saliva, também é fundamental no tratamento e avaliação de risco do câncer de próstata, recomendado para pacientes com câncer de próstata metastático ou em casos com histórico familiar sugestivo de câncer de próstata hereditário,2 uma vez que a hereditariedade é um dos principais fatores de riscos para o desenvolvimento da doença. O Philadelphia Prostate Cancer Consensus Conference 2019, um consenso multidisciplinar, preconiza o teste genético germinativo nesses casos.12

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A realização desse teste também é recomendada pela NCCN,13 já que entre um e quatro pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração apresentam mutações nos genes de via HRR e 50% destes correspondem a mutações germinativas.14

Importância da realização de testes genéticos

Os testes genéticos são um passo fundamental para permitir a descoberta da mutação e, consequentemente, possibilitar a escolha de um tratamento personalizado, além de alertar as novas gerações no grupo familiar sobre a importância de iniciar a realização de exames preventivos cedo e trazer uma diferente perspectiva prognóstica. 

Material destinado a todos os públicos. BR- BR-27075. Aprovado em novembro de 2023.

Referências

  1. INCA – Instituto Nacional de Câncer – Câncer de Próstata. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/prostata. Acesso em: 25 out 2023.
  2. Maluf FC. Vencer o câncer de próstata. 2 ed. São Paulo: Dendrix, 2020.   
  3. Instituto Lado a Lado pela Vida / Núcleo de Pesquisas LAL. Pesquisa “10 respostas sobre a saúde do homem”. 2021. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1n0ai4PjRPch6yYVErGk-t0VQz0FAkmB3/view. Acesso em: 25 out 2023.
  4. Parker C, et al. Anns Oncol. 2020;31:1119-1134.
  5. Oncoguia. Sinais e sintomas do câncer de próstata. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/sinais-e-sintomas-do-cancer-de-prostata/1188/289/. Acesso em: 25 out 2023. 
  6. Biblioteca Virtual em Saúde. Dicas em saúde. Câncer de próstata. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/137cancer_prostata.html. Acesso em: 25 out 2023.
  7. Oncoguia. Detecção precoce do câncer de próstata. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/deteccao-precoce-do-cancer-de-prostata/5855/289/. Acesso em: 25 out 2023.
  8. Oncoguia. Biomarcadores oncológicos. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/biomarcadores/7204/840/. Acesso em: 25 out 2023. 
  9. Referenced with permission from the NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines) for Prostate Cancer V.3.200. @National Comprehensive Cancer Network, Inc. 2020.
  10. NCCN. Clinical practice guidelines in oncology: prostate cancer version 4.2018. 15 August 2018.
  11. Parker C, et al. Anns Oncol. 2020;31(9):1119-1134.
  12. Onconews. Teste genético no câncer de próstata: como e para quem?. Disponível em: https://www.onconews.com.br/site/noticias/noticias/ultimas/5067-testes-gen%C3%A9ticos-no-c%C3%A2ncer-de-pr%C3%B3stata-como-e-para-quem.html. Acesso em: 25 out 2023.
  13. Referenced with permission from the NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines) for Prostate Cancer V.3.2020. © National Comprehensive Cancer Network, Inc. 2020. Todos os direitos reservados. Acessado em (28 de janeiro de 2021). Para ver a versão mais recente e completa da diretriz, acesse NCCN.org online. A NCCN não oferece nenhuma garantia de qualquer tipo em relação ao seu conteúdo, uso ou aplicação e se isenta de qualquer responsabilidade por sua aplicação ou uso de qualquer forma.
  14. Lang SH, et al. Int J Oncol. 2019 Sep; 55(3): 597-616; Pritchard CC, et al. N Engl J Med 2016;375:433-453. Na R, et al. Eur Urol 2017;71:740-747; 5. Nicolosi P, et al. JAMA Oncol 2019;5:523-528.
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