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Câncer de mama agora é o mais incidente, superando o de pulmão

Apesar de praticamente só atingir mulheres, o tumor de mama contabilizou 2,26 milhões de novos casos no mundo em 2020. Especialista explica os motivos

Por Mariana Nakajuni, da Agência Einstein* Atualizado em 10 Maio 2021, 12h14 - Publicado em 16 mar 2021, 12h29

Um recente levantamento divulgado pelo Global Cancer Observatory (GCO) revela que, em 2020, o tumor de mama foi responsável por 11,7% dos novos casos de câncer no mundo, afetando 2,26 milhões de pacientes. Com esses números, ele superou o de pulmão (2,2 milhões de novos casos) e se tornou o câncer mais diagnosticado do ano passado. Atenção: a estatística não considera os tumores de pele não-melanoma, que são ainda mais comuns, porém raramente letais.

“Vale lembrar que o câncer de pulmão acomete tanto homens quanto mulheres, diferentemente do de mama, em que 99% dos casos surgem no sexo feminino”, aponta o oncologista Rafael Kaliks, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Levando em conta apenas sexo feminino, o tumor de mama representou 24,5% dos novos casos em 2020.

O médico explica que existe uma tendência mundial para o aumento da incidência dessa doença, ao mesmo tempo em que há uma queda nos casos de câncer pulmonar, principalmente por causa da diminuição progressiva do tabagismo pelo mundo.

Kaliks acrescenta que a ampliação da mamografia de rastreamento, exame que detecta o câncer de mama, contribui para que mais casos sejam contabilizados. Ao mesmo tempo em que aumenta o número de pacientes diagnosticados, o exame amplia a possibilidade de cura ao ajudar a identificar a doença em fases iniciais.

Outro fator que contribui para o aumento dos números é a obesidade e o sedentarismo, que seguem em ascensão. Os dois fatores elevam o risco de desenvolver a enfermidade.

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Mas atenção: ainda que a incidência do câncer de mama seja maior, o de pulmão continua sendo o que provoca mais mortes no mundo.

A mamografia é o principal recurso para diagnóstico do tumor de mama na sua fase inicial. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomenda que as mulheres façam uma mamografia basal entre os 35 e 40 anos e, após os 40, passem a realizá-la anualmente. Mas isso deve ser discutido caso a caso, com o médico.

  • Os impactos da Covid-19

    Um levantamento da Fundação do Câncer, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), revela que a pandemia levou a uma redução de 84% no número de mamografias. Seja pelo medo de contaminação pelo coronavírus ou em razão do fechamento temporário de serviços de oncologia, muitas mulheres adiaram suas consultas de rotina.

    Nos casos de detecção tardia, a mulher pode perceber um nódulo, retração da pele na mama, inversão do mamilo, mudanças de volume, vermelhidão ou saída de secreções pelo mamilo. “Tudo isso acende uma luzinha amarela e a mulher deve procurar imediatamente o seu ginecologista para investigar”, explica Kaliks.

    O médico afirma que as medidas de isolamento social são, de fato, fundamentais para conter a propagação do vírus. Porém, as mulheres não podem deixar de se submeter aos exames, nem abandonar o tratamento.

    *Este conteúdo é da Agência Eintein.

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