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O mundo também é dos vírus. E o virologista e especialista em coronavírus Paulo Eduardo Brandão, professor da Universidade de São Paulo (USP), guia nosso olhar sobre esses e outros micróbios que circulam por aí.
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Vírus sincicial respiratório: cuidado, ele é de tirar o fôlego!

Aumento no número de casos dessa infecção, preocupante para bebês, reforça adoção de medidas preventivas, alerta colunista

Por Paulo Eduardo Brandão
7 dez 2022, 18h01

Há outro vírus por aí que gosta muito de infectar nosso sistema respiratório e tem sido notícia ultimamente por causa de um inesperado aumento no número de casos. É o vírus sincicial respiratório (VSR), um antigo conhecido que, junto com os vírus da Covid-19 e da gripe, forma um “trisal” viral que está por trás de problemas potencialmente graves e fatais.

O VSR, achado pela primeira vez em 1956, é recoberto por um envelope salpicado de proteínas e, no seu interior, está o modesto RNA que comanda sua vida quando ele infecta nossas células. Conforme se multiplica, as células humanas vão perdendo sua forma normal e acabam se unindo umas às outras de um modo tal que não dá mais para ver no microscópio cada célula individual.

É meio como se pegássemos várias batatas e fizéssemos um purê. E esse purê de células é o que chamamos de sincícios, do grego syn (junto) e kytos (células), que dá nome ao vírus. A preferência pelos pulmões que ele tem e compartilha com outros vírus similares é o que dá o nome à sua família: Pneumoviridae.

Os primeiros sinais de uma infecção pelo vírus sincicial respiratório são os mesmos dos conhecidos resfriados: espirros, febre, falta de apetite e irritabilidade. É uma infecção tão comum nos mais novos que pode apostar que você deve ter tido antes de completar 4 anos de idade.

Quando o vírus migra para as partes mais baixas dos pulmões, podem aparecer tosse e chiados aos respirar. A partir daí, o grande perigo é a pneumonia: esse vírus, aparentemente inofensivo para crianças maiores, pode levar bebês a morte.

A severidade do ataque também é maior em indivíduos mais velhos e naqueles com a imunidade comprometida ou que possuem doenças cardíacas e pulmonares pré-existentes.

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Mas por que é que tantos vírus adoram infectar nosso sistema respiratório? A superfície dos pulmões é uma área de pouso gigantesca para vírus: para cada quilograma do nosso peso, temos 1 metro quadrado de área pulmonar, o que, para uma pessoa de 100 quilos, representaria 100 metros quadrados de superfície, área equivalente a 1/3 de uma piscina semi-olímpica.

Não dá para errar um mergulho desses: vírus respiratórios sempre acham um lugar para se dar bem e se reproduzir ali. E, conforme o estrago nos pulmões se amplifica, esses vírus abrem caminho para bactérias que estavam só esperando uma oportunidade.

Tudo isso, junto com a própria resposta do nosso organismo, pode acabar impedindo que os pulmões captem oxigênio, o que acaba afetando todo o organismo muito rapidamente.

E como é que pode ter lugar para tanto vírus nesse aeroporto do sistema respiratório humano? Além da área imensa que eles têm para aterrissar, cada tipo de vírus (coronavírus, gripe e VSR) usa um caminho diferente para penetrar as células. E, se todos estiverem juntos, aí o bombardeio é bem mais rápido e aterrador.

Não há um tratamento específico para o vírus sincicial respiratório. O que se recomenda é cuidar da febre e da hidratação e, nos casos mais sérios, buscar atendimento médico. O comprometimento da respiração pode exigir o uso de máscaras de oxigênio no hospital.

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Tampouco existem vacinas contra esse vírus. Mas tudo que aprendemos na pandemia de Covid-19 se aplica para ele como medida preventiva: lavar bem as mãos, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, entre outras coisas.

E é assim que cai o mistério de por que os casos de VSR têm aumentado. Com o fim do uso massivo de máscaras de proteção e a volta das aglomerações, veio uma avalanche viral. Com vírus sincicial respiratório, gripe e até novas variantes do coronavírus no meio. Para gripe e Covid-19, pelo menos temos vacinas, que impedem que as infecções se agravem.

O jeito é se cuidar. Às vezes respirar é tão inconsciente que não nos damos conta de quão fundamental é para nossa vida. Para nos lembrar disso, o filósofo e imperador romano Marco Aurélio escreveu: “Quando despertar, pense em que privilégio é estar vivo – respirar, pensar, aproveitar e amar”.

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