Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

A promessa de uma nova vacina para combater o câncer

Terapia inovadora usa pela primeira vez células tumorais vivas para contra-atacar a doença no cérebro

Por Bernardo Garicochea, oncogeneticista*
6 fev 2023, 16h09

Uma novíssima vacina, com potencial de tratar um tipo agressivo de câncer cerebral, foi anunciada há pouco e promete abrir novas frentes no combate à doença. Embora os estudos tenham sido realizados até o momento apenas em camundongos (animais com um sistema imunológico bastante semelhante ao nosso), os passos trilhados são vistos com otimismo para o futuro.

Os testes focaram no glioblastoma, um tipo de câncer cerebral com alta taxa de letalidade. É prematuro afirmar que esse avanço pode abrir caminho à cura do câncer cerebral ou de outros tumores, mas é inegável que amplia horizontes nos campos da genômica e da biotecnologia na batalha contra a doença.

Os resultados animadores desse tratamento experimental, publicados no periódico Science Translational Medicine, chamaram a atenção da comunidade científica por se tratar da primeira medicação produzida em laboratório a partir de células tumorais vivas.

Ainda precisamos aguardar o desenrolar das pesquisas e validar a segurança e a eficácia da estratégia, mas a nova tecnologia, baseada em engenharia genética, pode inaugurar uma classe de vacinas terapêuticas para a oncologia.

Hoje, existem estudos mais avançados com outros tipos de vacina para o tratamento de tumores de mama, pulmão e pele (melanoma). Mas eles utilizam apenas células tumorais inativas. Eis a diferença.

Continua após a publicidade

De forma resumida, os cientistas conseguiram agora criar uma estratégia de reprogramação genética, espécie de “cirurgia molecular”, nas células do tumor do paciente, conferindo a elas um “superpoder” de combater as células cancerosas. É como usar armas do próprio inimigo para atacá-lo.

Durante o processo, essas células são mantidas vivas em meios de cultura. Em seguida, os pesquisadores “recortam” fragmentos de DNA dos locais onde serão feitas as alterações e os preenchem com novas partes, já modificadas. Com isso, o novo gene irá produzir funções diferentes do anterior, tornando a célula capaz de gerar substâncias tóxicas ao câncer assim que ela se infiltrar no tumor.

+ LEIA TAMBÉM: Novas fronteiras na guerra ao câncer

Nessa primeira etapa da avaliação, a vacina proporcionou um ataque duplo à doença, e de forma simultânea. Evitou, assim, o surgimento de recidivas, quando o câncer retorna. O tratamento interrompe também a comunicação das células cancerosas com o ambiente local, além de sinalizar para o sistema imune a necessidade de atacá-las.

Continua após a publicidade

Como resultado, as células tumorais são eliminadas e a imunidade consegue manter uma boa defesa a partir de suas reservas de células de memória. Caso o tumor volte, elas são convocadas a se multiplicar e retomar o ataque, diminuindo amplamente as chances de recidiva.

Apesar da classificação “vacina”, é importante pontuar que esse tipo de terapia só pode ser adotado no momento em que a doença já foi diagnosticada uma primeira vez. Com ela, o sistema imunológico é fortalecido e ganha a capacidade de reconhecer e contra-atacar melhor o câncer, ao mesmo tempo que poderá evitar o surgimento e a replicação de novas células malignas ao longo do processo.

Trata-se de um tratamento altamente individualizado, que se adapta ao DNA das células tumorais de cada paciente. Prova de que a oncologia de precisão está cada vez mais próxima de vencer o câncer.

Compartilhe essa matéria via:

* Bernardo Garicochea é diretor de oncogenética do Grupo Oncoclínicas e diretor clínico de câncer hereditário do OC Precision Medicine, laboratório do Grupo Oncoclínicas. É pós-doutor em biologia molecular pela Royal Postgraduate Medical School (Inglaterra) e em genética humana pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center (Estados Unidos)

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

A saúde está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA SAÚDE.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.