Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

A nova era das cirurgias à distância com robôs

Tecnologia 5G pode revolucionar e expandir cirurgias robóticas feitas remotamente, mas há desafios à vista, sobretudo no Brasil

Por Thays Takahashi, médica especialista em informática e gestão de saúde*
Atualizado em 8 fev 2022, 11h09 - Publicado em 7 fev 2022, 10h24

A telecirurgia robótica, procedimento realizado por robôs controlados de forma remota por médicos, não é mais assunto de ficção científica.

Nas duas últimas décadas, o desenvolvimento da cirurgia à distância com robôs tem sido lento e gradual, principalmente por conta dos desafios relacionados à velocidade e à confiabilidade das redes de transmissão de dados. Contudo, ela já virou uma realidade.

Uma das primeiras telecirurgias feitas no mundo, e também uma das mais célebres, aconteceu ainda em 2001: chamada de Operação Lindbergh, ela permitiu que um cirurgião em Nova York, nos EUA, operasse uma pessoa em Estrasburgo, na França.

Tratou-se da remoção de uma vesícula biliar. O médico, Jacques Marescaux, operou o paciente por meio de um aparelho robótico com o oceano Atlântico no meio.

De lá para cá, a evolução da banda larga do 3G para o 4G fez com que a velocidade das conexões saltasse de 2 Mbps para 200 Mbps. E a chegada da internet de quinta geração, o 5G, vai proporcionar conexões de mais de 1 Gbps, com latência de menos de 10 milissegundos, contra 20 a 30 milissegundos do 4G.

Continua após a publicidade

+ Leia também: A gamificação no tratamento e na reabilitação dos pacientes

Isso abre um mundo de possibilidades na medicina, em especial quando aliada à inteligência artificial, à nanotecnologia e ao feedback háptico, que permite ao cirurgião “sentir” a textura e a resistência dos materiais como se estivesse lá (até videogames hoje possuem recursos como esses).

O que essa nova geração de conectividade deve proporcionar vai além de promessas. É verdade que muito do que tem sido feito ainda tem caráter experimental. Mas já conhecemos o potencial da alta banda larga e da baixa latência.

Latência, vale dizer, é o tempo necessário para um dispositivo “conversar” com o outro. Imagine que a demora ou agilidade para um robô obedecer a um comando enviado por um cirurgião em outro canto do mundo pode ser a diferença entre vida e morte na sala de operações.

Continua após a publicidade

Se antes não havia infraestrutura adequada para transformar a telecirurgia em algo habitual nos hospitais, vemos o potencial de isso virar rotina com o 5G.

Em 2019, por exemplo, foram realizadas cirurgias complexas de coluna a distância baseadas na quinta geração da internet em 12 pacientes de seis hospitais de seis cidades diferentes na China. O país é um dos que lideram esse tipo de tecnologia, tendo também efetuado neurocirurgias remotas.

+ Leia também: Como a inteligência artificial pode elevar a segurança da anestesia

Esses recursos trazem vantagens principalmente para especialidades médicas com baixo número de profissionais disponíveis em determinada região. Por exemplo, no campo da cirurgia de mão, apenas 0,2% dos profissionais declaram ser especializados na área, segundo a pesquisa Demografia Médica no Brasil 2020, do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Continua após a publicidade

Os benefícios do 5G não param por aí. Essa rede, que ainda não é uma realidade em larga escala por aqui, poderá contribuir com a execução de exames a distância, o que é fantástico se pensarmos num país de grandes proporções como o nosso, com locais de difícil acesso e maior dificuldade de instalação e retenção de profissionais habilitados.

Um exame de tomografia computadorizada por emissão de pósitrons, por exemplo, gera arquivos extremamente pesados — de até 1 gigabyte de informações por paciente.

Se é necessário efetuar um exame remoto, arquivos deste tamanho podem ser baixados com muita lentidão em uma rede atual. Imagine poder baixar essa quantidade de dados e imagens em poucos segundos!

O 5G também vai diminuir falhas de conexão nas teleconsultas, permitindo uma experiência mais próxima de uma consulta presencial.

Continua após a publicidade
Compartilhe essa matéria via:

Mas, para que tudo isso chegue ao cidadão, precisamos ir além dos desejos e encarar os prós e contras de esperar tanto pelo 5G, já disseminado em outras nações. Pois, ao lado de todo o seu potencial, há desafios e custos de implantação.

Entre eles está o desenvolvimento de uma rede verdadeiramente global que possa viabilizar colaborações que ultrapassem fronteiras nacionais e regionais. Mas esse tipo de parceria pode esbarrar em barreiras legais e burocráticas.

Também é difícil prever quão acessível será a tecnologia (para centros de saúde, governos e comunidades) e como será a transição da medicina para o universo 5G.

Continua após a publicidade

Uma pesquisa feita por mais de uma dezena de especialistas da Universidade Harvard, nos EUA, e publicada no periódico The Lancet ainda em 2015, estimou que, no mundo todo, 5 bilhões de pessoas não têm acesso a cuidados cirúrgicos seguros, sendo que os países são afetados desproporcionalmente pelo problema.

Em um território com as necessidades e o tamanho do Brasil, o 5G é uma oportunidade única para transformar a telecirurgia robótica em um procedimento mais habitual e democrático.

* Thays Takahashi é médica especializada em gestão de saúde pela Unesp e gerente de Informática Médica da CTC 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.