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Depressão na adolescência: como perceber e lidar?

A abordagem da doença foi assunto no 5º Congresso Internacional Sabará de Saúde Infantil

Por Abril Branded Content Atualizado em 11 dez 2020, 17h59 - Publicado em 18 dez 2020, 10h00

A depressão não costuma ser vista como um problema de jovens, mas é na transição entre a adolescência e a vida adulta que ela costuma aparecer. No 5º Congresso Internacional Sabará de Saúde Infantil, o psiquiatra Christian Kieling, professor de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trouxe o que há de mais atual nas pesquisas envolvendo depressão e suicídio na adolescência.

O problema merece atenção redobrada por parte dos pais, médicos e psicólogos. No mundo, cerca de 800 000 pessoas morrem por suicídio a cada ano e 90% dos casos decorrem de transtornos mentais diagnosticáveis, como a depressão. Entre os jovens brasileiros, ela é a terceira causa de morte mais frequente, só atrás da violência interpessoal (definição que inclui assassinato, agressão, bullying, entre outros tipos de abusos) e de acidentes. “Além da mortalidade, precisamos pensar também na morbidade: o impacto na qualidade de vida”, explica Kieling. Mesmo nos casos em que um transtorno mental não leva ao suicídio, o peso que ele tem sobre o desenvolvimento de um jovem é significativo.

Determinar um quadro de depressão, porém, não é ciência exata. “Infelizmente, nenhum fator de risco vai predizer quem vai ou não vai tentar o suicídio”, lamenta o psiquiatra. Mas alguns sinais indicam a necessidade de avaliação mais aprofundada por parte de um especialista. Kieling recomenda um olhar atento se uma criança ou adolescente passa a apresentar humor triste ou irritável, ou se tem diminuição do interesse ou do prazer em atividades que antes costumavam animá-la.

Também é importante contornar tabus. Apesar do temor de que uma conversa sobre o tema possa agravar o quadro ou “dar ideias” suicidas, pesquisas vêm mostrando que o diálogo com um profissional treinado tende, na verdade, a reduzir os riscos. “Um estudo na Europa com 11.000 adolescentes mostrou reduções na taxa de ideação grave e de tentativa de suicídio, indicando que podemos conversar diretamente com o adolescente”, resume o psiquiatra.

Outro engano diz respeito à população que costuma ser afetada pela depressão. Segundo Kieling, três quartos dos suicídios registrados anualmente ocorrem em países de baixa e média renda. “Não é coisa só de país rico e desenvolvido”, reforça. Em sua apresentação no congresso, Kieling ainda deu exemplo de frases que podem agravar ou ajudar na abordagem de um jovem com quadro de depressão. “O mais importante não é necessariamente falar ou oferecer conselhos, mas estar disposto a escutar”, conclui. Kieling também foi um dos convidados do 2o Fórum de Políticas Públicas em Saúde na Infância, promovido pela Fundação José Luiz Egydio Setúbal – mantenedora do Hospital Sabará e do Instituto Pensi –, que, além da saúde mental, abordou os temas segurança alimentar e imunizações.

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