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Sarcoma de partes moles, um tipo de câncer, ganha remédio novo no Brasil

O tratamento aumentou consideravelmente o tempo de vida de pessoas com casos avançados desse tumor

Por Theo Ruprecht - Atualizado em 1 fev 2019, 16h30 - Publicado em 10 Maio 2018, 17h29

Há certos tipos de câncer que, apesar de todos os avanços recentes na oncologia, só podiam ser tratados com armais mais convencionais, a exemplo de quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Esse era o caso do sarcoma de partes moles, um tumor que surge em tecidos como músculos, ossos e gordura. Mas chegou ao Brasil um medicamento moderno que, para certos especialistas, representa uma revolução no tratamento.

O nome do fármaco é olaratumabe, da farmacêutica Eli Lilly. Em estudos que justificaram sua aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a droga, em conjunto com a químio, acrescentou 12 meses de vida a pacientes com casos avançados de sarcoma de partes moles. Isso quando comparada ao uso isolado da quimioterapia.

“O benefício é muito considerável. Tanto que as agências reguladoras liberaram o medicamento em diferentes países, inclusive aqui, mesmo antes da finalização dos chamados estudos de fase 3, que envolvem um número maior de voluntários”, contextualiza o oncologista Rodrigo Munhoz, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Essa informação é importante. Por mais que a novidade seja animadora, temos de esperar os resultados dessas pesquisas para ver o real efeito do olaratumabe entre os pacientes – tanto os positivos quanto as eventuais reações adversas.

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De qualquer forma, a chegada da medicação foi comemorada por trazer uma opção de tratamento em uma área escassa de novidades há décadas. O olaratumabe, pertencente à classe das terapias-alvo, inibe moléculas que estimulam a proliferação da enfermidade.

Ou seja, ele freia sua progressão mirando pontos específicos do câncer, ao invés de, como a químio, bombardear boa parte do corpo.

Como fica o tratamento

O olaratumabe não é indicado para qualquer caso de sarcoma de partes moles. Quando é detectada nos estágios iniciais, a doença costuma ser combatida com cirurgias que removem a parte afetada do corpo. A radioterapia às vezes entra em cena para reduzir o risco de reincidência.

É quando o mal se espalha para outras partes do organismo que o olaratumabe entra em cena. Mas, até agora, sua aprovação é apenas para os casos avançados em que não se utilizou antraciclinas, um tipo de químio bastante empregado nas situações mais graves.

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Mais: essa estratégia moderna não está disponível a crianças e adolescentes. Hoje, 8% de todos os cânceres infantis são sarcomas de partes moles.

“É possível que, no futuro, o uso desse remédio seja expandido para um maior grupo de pessoas”, avisa Munhoz, que também atua no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Mas, para isso, precisamos de estudos que confirmem a eficácia e a segurança do olaratumabe em diferentes cenários”, arremata.

O fármaco é administrado na veia do paciente. E, como a maioria dos tratamentos recém-chegados ao Brasil, não está disponível ano serviço público.

O sarcoma de partes moles é comum?

Trata-se de um câncer relativamente raro. No Brasil, não existem estimativas sobre a incidência da doença, porém todo ano morrem cerca de 5 mil pessoas com ela nos Estados Unidos.

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Entre os indivíduos com o problema, mais ou menos metade desenvolverá metástases – ou seja, focos de tumor em outras partes do corpo. Nesse estágio, menos de 20% das pessoas sobrevivem por mais de cinco anos (contra 83% dos pacientes com sarcomas localizados). Que avanços como o olaratumabe aumentem essas taxas.

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