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Primeiro medicamento injetável e mensal contra o HIV é aprovado nos EUA

O remédio concentra duas substâncias já usadas contra o HIV e pode substituir o regime de comprimidos diários em parte dos pacientes. Saiba mais sobre ele

Por Maria Tereza Santos 1 fev 2021, 17h03

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o primeiro medicamento injetável HIV. Produzido pelo laboratório ViiV Healthcare, o chamado Cabenuva é aplicado apenas uma vez ao mês.

Ele é composto por duas substâncias já utilizadas no tratamento do vírus, o cabotegravir e a rilpivirina. A ideia é que ele sirva como um substituto aos comprimidos tomados diariamente para alguns pacientes.

A aprovação veio através de dois estudos randomizados e controlados com 1 182 pessoas infectadas pelo HIV. Após as análises, os cientistas concluíram que o novo remédio é eficaz e seguro.

Não foram constatadas alterações nas células de defesa dos voluntários e todos continuaram apresentando supressão do vírus. Ou seja, os pacientes não desenvolvem a aids e praticamente não transmitem o HIV.

Para quem o Cabenuva é indicado e como funciona a aplicação

A novidade ainda está restrita a certos perfis de indivíduos. Ela é indicada aos adultos que já estavam em tratamento, com a supressão do HIV estável e que não tenham histórico de falha na terapia, nem resistência conhecida ou suspeita ao cabotegravir e à rilpivirina.

E, antes de iniciar o novo tratamento, os americanos deverão passar um mês tomando cabotegravir e rilpivirina em comprimido. Dessa forma, garante-se que eles serão bem tolerados antes da transição para a versão mensal.

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O infectologista José Valdez Madruga, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), conta que o intervalo entre as doses e até o fato de o fármaco ser injetável facilitam a adesão à terapia.

“Será uma opção para quem não gosta de tomar comprimidos todos os dias. É bastante atraente para a população em situação de rua, indivíduos privados de liberdade e também pessoas que viajam frequentemente”, comenta.

Porém, nem tudo são flores. “A principal desvantagem é que esse medicamento precisa ser administrado em ambiente hospitalar”, pontua o especialista.

Além disso, há efeitos adversos. Segundo as pesquisas citadas no início, os seguintes sintomas apareceram em mais de 2% dos participantes: desconforto no local da aplicação, febre, cansaço, dor de cabeça, enjoo, alterações no sono, tontura ou erupções na pele.

Ainda assim, a aprovação representa um avanço. “É uma mudança na forma como o HIV é tratado. Cabenuva reduz a de dosagem de 365 dias para 12 dias por ano”, afirmou, em comunicado à imprensa, Lynn Baxter, líder da ViiV Healthcare na América do Norte.

“É importante ter várias alternativas para individualizarmos a terapia. Não existe uma que seja boa para todos”, complementa Madruga.

O remédio deve estar disponível nos Estados Unidos em fevereiro de 2021. Infelizmente, ainda não há previsão de chegada no Brasil.

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