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O que asma, dermatite atópica e rinossinusite crônica têm em comum?

Estudos apontam que a inflamação tipo 2 pode estar por trás de doenças alérgicas

Por Abril Branded Content - Atualizado em 25 set 2020, 16h57 - Publicado em 25 set 2020, 10h00

Inflamação é um processo natural do corpo e algo mais comum do que gostaríamos. Trata-se de uma resposta fisiológica que pode ser desencadeada em situações de trauma (como cortes, quedas ou a implacável topada no dedo do pé), por algumas doenças ou ainda pela ação de vírus e bactérias. Inchaço, dor, vermelhidão e até febre são alguns dos sintomas desse fenômeno, ativado pelo organismo para convocar os glóbulos brancos e outras células de defesa a entrar em ação e começar o processo de cura.¹

Nos últimos anos, uma série de estudos vem apontando que uma categoria específica de inflamação pode ser o ponto em comum entre enfermidades como asma, dermatite atópica e rinossinusite crônica com pólipo nasal. Trata-se da inflamação tipo 2.²Assim como os demais tipos, ela é um sistema de defesa do organismo – nesse caso, acionado pela exposição a alérgenos como poluição, fumaça de cigarro e até elementos aparentemente inofensivos, como plantas e pelos de animais domésticos.² Tal qual outras inflamações, a tipo 2 por si só não é uma doença. 

O problema é que, em algumas pessoas, essa resposta do organismo acontece de maneira exagerada, aí sim, provocando enfermidades. Essa reação acentuada libera as chamadas citocinas tipo 2, que causam alterações nas barreiras mucosas do nariz, pulmão e pele e um aumento na produção de anticorpos – especialmente aqueles que provocam a alergia.²

“As doenças alérgicas e a inflamação do tipo 2 estão aumentando exatamente porque nós estamos modificando o nosso estilo de vida. Fatores como poluição, tabagismo e estresse podem também disparar a resposta do tipo 2 a partir das mucosas ou da pele”, afirma Norma Rubini, professora titular de alergia e imunologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e coordenadora da comissão de políticas de saúde da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

Doenças relacionadas à inflamação tipo 2

É comum que os portadores dessa inflamação apresentem duas ou mais enfermidades relacionadas a ela.²A asma, por exemplo, é uma doença crônica associada, na maioria dos casos, à inflamação das vias aéreas, do nariz aos bronquíolos. “Em cerca da metade dos pacientes, observa-se a inflamação tipo 2, caracterizada essencialmente pela ocorrência de alergia respiratória e/ou pelas contagens elevadas de eosinófilos no sangue. Esses glóbulos brancos são biomarcadores da inflamação tipo 2, ou seja, indicam a sua presença”, explica o pneumologista Álvaro Cruz.

ABC/Abril Branded Content

    

Segundo o otorrinolaringologista Fabrizio Romano, a rinossinusite crônica pode ter diversas características e é dividida entre primária e secundária. A secundária tem uma causa específica; já a primária não. “Entre as primárias, dividimos em quando é decorrente de uma inflamação tipo 2 e quando não é. Normalmente, as tipo 2 são mais difíceis de tratar e precisa-se usar medicações, principalmente os corticosteroides, que são a primeira linha de tratamento”, diz Romano. 

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No caso da dermatite atópica, ela se manifesta como um eczema. “Podem aparecer manchas claras ou avermelhadas, ter muita coceira e, com o passar do tempo, a pele vai ficando seca. Nessa doença, há duas heranças genéticas: disfunção da barreira cutânea e a desregulação imunológica da inflamação tipo 2. E descobrimos recentemente que a própria inflamação tipo 2 agrava os problemas de barreira da pele. Por isso é muito importante fazer o diagnóstico e tratar essa inflamação”, diz Norma. “Nos casos mais leves de dermatite atópica, algumas medidas simples, como a hidratação da pele, evitar banhos muito quentes e o uso de roupas de algodão, são suficientes. Mas, quando chega a um estágio moderado, é importante fazer o tratamento medicinal”, alerta a médica. 

Meios de controle 

A identificação da inflamação tipo 2 pode ser feita por características clínicas ou por exames comumente realizados, como o hemograma. “Normalmente, o diagnóstico era feito considerando aspectos clínicos, se o paciente possuía polipose, asma… Agora, já existem marcadores biológicos que dão mais certeza a respeito desse tipo de inflamação, garantindo melhores resultados nos tratamentos escolhidos”, afirma o otorrinolaringologista. 

“O diagnóstico permite fazer tanto a prevenção, investigando os fatores que provocam a doença, quanto o tratamento com medicamentos mais modernos”, explica Norma. Normalmente essas patologias são tratadas com anti-histamínicos, broncodilatadores e corticoides – remédios com uma série de efeitos colaterais, como obesidade, hipertensão, osteoporose e diabetes –, mas agora uma nova classe de medicamentos, os chamados imunobiológicos, promete uma revolução do ponto de vista do tratamento.  

“Em vez de bombardear toda a resposta inflamatória do indivíduo com corticoides, os imunobiológicos permitem atuar de forma mais precisa diretamente na inflamação tipo 2”, afirma Norma. Em linhas gerais, eles são prescritos para as formas graves da doença, depois de sucessivas tentativas com os remédios disponíveis e dos diagnósticos clínico e laboratorial. Segundo a médica, estudos comprovam impacto significativo nos sintomas, com diminuição das crises, hospitalizações e, no caso dos pólipos nasais, também das cirurgias.

Na prática, isso significa o controle perene e com mais segurança das doenças – o que, para quem sofre com seus sintomas debilitantes e os tratamentos agressivos que tentam debelar as crises, é uma mudança e tanto. “Estamos falando de melhora na qualidade de vida do paciente”, conclui a médica. 

MAT-BR-2001274 – Setembro /2020. Material destinado ao público geral.

Referências:

    1. Cruvinel WM, Mesquita Jr. D, Araújo JAP, Catelan TTT, Souza AWS, Silva NP, Andrade LEC. Sistema Imunitário – Parte I. Fundamentos da imunidade inata com ênfase nos mecanismos moleculares e celulares da resposta inflamatória. 2010. Rev Bras Reumatol.
    2. Gandhi NA, Bennett BL, Graham NM. Targeting key proximal drivers of type 2 inflammation in disease. Nature Reviews Drug Discovery, vol. 15, no. 1, pp. 35-50, 16 October 2016. 
    3. Carr s, Chan E, Watson W. Eosinophilic esophagitis. Allergy, Asthma & Clinical Immunology, vol. 14, no. Suppl 1, p. 58, 2018. 
    4. Steinke JW, Wilson JM. Aspirinexacerbated respiratory disease: pathophysiological insights and clinical advances. Journal of Asthma and Allergy, vol. 9, pp. 37-43, 2016. 
    5. Heffler E et al. J Allergy Clin Immunol Pract, 2018 [E-Pub]. 
    6. Shaw DE et al. Eur Respir J, 2015; 46:1308-1321. 
    7. Maio S et al. Allergy, 2018; 73:683-695. 
    8. Simpson E et al. J Am Acad Dermatol, 2016; 74:491-498. 
    9. Silverberg JI et al. Ann Allergy Asthma Immunol, 2018; 121:604-612. 
    10. Won H, Kim Y, Kang M. Age-related prevalence of chronic rhinosinusitis and nasal polyps and their relationships with asthma onset. Ann Allergy Asthma Immunol, vol. 120, no. 4, pp. 389-394, 2018. 
    11. Staniorski CJ et al. Int Forum Allergy Rhinol, 2018; 8:495-503. 
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