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Novo equipamento para tratar hiperplasia da próstata chega ao Brasil

Com ele, uma técnica chamada enucleação prostática com laser se torna mais segura e eficaz para lidar com os sintomas da hiperplasia prostática benigna

Por Maria Tereza Santos 24 mar 2021, 17h51

Recentemente, chegou ao Brasil um novo equipamento para tratar a hiperplasia prostática benigna — o crescimento anormal da próstata, que é comum a 50% dos homens acima dos 50 anos. O aparelho, batizado de MOSES, é usado em uma cirurgia chamada enucleação prostática com laser, e pode diminuir o risco de complicações no pós-operatório e o tempo de internação.

Quem adquiriu o equipamento foi o Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or, em São Paulo. Mas, antes de explicarmos como ele funciona, é necessário entender melhor a hiperplasia da próstata.

Segundo o urologista Miguel Srougi, da Universidade de São Paulo, o quadro surge por desequilíbrios hormonais típicos do envelhecimento. Esse crescimento, que fique claro, não é um câncer. Ainda assim, a próstata aumentada pode comprimir a uretra, que é o canal por onde o xixi passa. “O indivíduo começa a sentir urgência em urinar. Ele levanta de noite várias vezes para ir ao banheiro e às vezes deixa escapar urina”, relata Srougi, que também atende no Vila Nova Star. Em outras situações, a hiperplasia provoca a obstrução do xixi.

Verdade que, em dois terços da população masculina, o quadro é leve e mal provoca desconfortos. “Por outro lado, 30% se sentem muito incomodados”, informa o urologista.

Como é o tratamento convencional da hiperplasia prostática benigna

Quando o paciente reclama da condição, a primeira opção são os medicamentos. Se eles não funcionam, mas a próstata ainda não está tão grande, os especialistas podem partir para uma ressecção transuretral

A operação consiste em introduzir uma ferramenta pela uretra que irá raspar o pedaço da próstata que está tampando o canal urinário. É como se alguém estivesse aumentando a largura de um túnel.

Agora, se a próstata atinge um tamanho considerável, é necessário partir para uma cirurgia mais ampla. O médico faz um corte do umbigo até o púbis, abre a bexiga e retira o conteúdo do interior da glândula com as mãos.

Além de ser uma intervenção complexa, o pós-operatório tem suas chatices. “O homem fica de cinco a sete dias no hospital, lavando a bexiga com soro e sentindo dor. E há o risco de a sonda entupir ou surgirem coágulos”, conta Srougi.

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  • A enucleação prostática com laser

     

    Ela é um procedimento minimamente invasivo e que representa um avanço justamente por evitar esses contratempos nos casos mais graves de hiperplasia. Os médicos inserem um aparelhinho fino pela uretra, e que chega até a próstata. Uma vez lá, ele dispara um laser que desprende o tecido interno da glândula — o seu núclero.

    “É como cortar a extremidade de uma laranja e separar os gomos da casca com os dedos”, compara Srougi.

    Aí, outro equipamento em forma de tubo é introduzido pelo pênis. Ele viaja até a próstata, tritura os tecidos internos da glândula e, por fim, suga-os para serem retirados do corpo.

    “Tudo isso dura apenas uma hora, e o paciente volta para casa no dia seguinte”, conta o professor. Embora a técnica em si exija aparelhos específicos e treinamento, Srougi destaca que a economia de recursos no centro cirúrgico e de despesas com a internação torna o seu custo-benefício bastante interessante.

    Atenção: a enucleação prostática com laser já é realizada no Brasil há pelo menos três anos. Só que os aparelhos antigos traziam um risco mais alto de machucar a uretra. Em certos casos, a lesão leva a dores e até incontinência urinária.

    É aí que entra o MOSES. “Esse aparelho tem um laser mais potente e tritura os tecido da próstata rapidamente. Isso diminui a possibilidade de problemas no pós-operatório”, afirma Srougi.

    Por enquanto, o MOSES só está disponível no Hospital Vila Nova Star. Porém, é possível realizar a enucleação prostática com outros aparelhos até no Sistema Único de Saúde (SUS).

    “Infelizmente, a técnica não é tão simples, o que faz com que seja pouco utilizada no Brasil”, lamente Srougi.

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