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Em meio a aumento de casos de Covid-19, quarta dose da vacina é ampliada

A campanha de vacinação do coronavírus, contudo, segue a passos lentos. A segunda dose de reforço chega quando só metade do público-alvo tomou a primeira

Por Chloé Pinheiro 10 jun 2022, 17h20

O Ministério da Saúde estendeu a recomendação da quarta dose da vacina da Covid-19 — cujo nome correto agora é segundo reforço — para pessoas acima dos 50 anos e profissionais de saúde. A notícia chega em tempo de aumento de casos e discussões sobre uma possível quarta onda da doença.

Alguns estados já estavam aplicando o imunizante neste público-alvo. Mas a campanha de vacinação, que começou forte, desacelerou nos últimos meses. Cerca de metade da população tomou o primeiro reforço (antes chamada de terceira dose). E só 35% das crianças estão devidamente imunizadas.

“A cobertura da primeira dose foi alta [está em 90%], mas estagnou na segunda”, comenta a infectologista pediátrica Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

A médica destaca que esse problema não é exclusivo do Brasil. “Vimos em Israel, nos Estados Unidos. As pessoas decidiram que duas doses é o suficiente, mas só consideramos protegido quem tem o esquema completo, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde”, completa. 

+ Leia mais: Sem terceira dose, população começa a ficar desprotegida contra a Covid-19

Além da sensação de segurança com a queda de casos graves e óbitos (promovida pelas vacinas, aliás), falta comunicação oficial sobre os motivos para as mudanças no calendário, e a desinformação floresce enquanto isso. 

A vacinação contra a Covid-19 hoje 

Para a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o ponto crítico é explicar o calendário atual. “A comunicação foi falha em mostrar que, com exceção das crianças, o esquema vacinal completo não é mais o de duas doses”, diz. 

Portanto, vamos começar esclarecendo esse ponto. Atualmente, a campanha está assim: 

  • Indivíduos acima dos 50 anos e imunocomprometidos: duas doses*, com intervalo definido de acordo com a vacina + dois reforços, com intervalo de quatro meses entre eles 
  • Entre 12 e 49 anos: duas doses (ou dose única) + um reforço 
  • Crianças dos 5 aos 11 anos: duas doses 

O reforço é feito com uma dose, com as fórmulas à base de vetor viral (AstraZeneca ou Janssen) ou de RNA mensageiro (Pfizer). 

* No Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacina da Janssen ainda é de dose única. Mas a SBIm recomenda duas doses com intervalo de dois meses, o que tem sido feito em alguns estados.

+ Leia também: Covid: como funcionam as vacinas de RNA que serão usadas nas crianças

Vai chegar para todo mundo? 

Até agora, os estudos não mostram muitas vantagens em estender a recomendação para toda a população. Apesar de se infectarem, os indivíduos jovens e saudáveis seguem adoecendo menos gravemente com o esquema das três doses.

A SBIm concorda com a visão do ministério. “Os dados de outros países mostram que os mais velhos e imunocomprometidos se beneficiam mais do segundo reforço”, explica Mônica. É que eles tendem a perder rapidamente a imunidade ensinada pelas vacinas.  

Mas é provável que o cenário mude. Entre as possibilidades, está a de incorporar uma dose adicional para as outras faixas etárias em um futuro próximo. “Com a circulação das filhas da Ômicron, BA.2, BA.4 e BA.5, e passados alguns meses do primeiro reforço, o complemento pode se tornar importante”, continua a pediatra.

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Outra possibilidade é a chegada de vacinas novas, inspiradas nas variantes recentes ou mais eficazes em impedir a transmissão do vírus. Nessa segunda linha de pensamento, há especialistas defendendo que o imunizante poderia ser inalável para criar uma barreira protetora no nariz, principal porta de entrada do Sars-CoV-2.

Um adendo: experts em saúde pública ponderam ainda que, em um cenário onde há países com falta de vacinas, o ideal seria priorizar a primeira dose nessas regiões para, aí sim, ampliar os reforços ao resto do mundo.     

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“Ah, mas eu peguei Covid na onda de Ômicron…” 

Tem notícia falsa circulando por aí afirmando que ter contraído Covid recentemente já desperta as defesas o suficiente para dispensar a vacina. Não é bem assim. 

“A imunidade conferida pela doença tende a ser menor, então precisamos tomar a vacina para garantir a proteação por mais tempo e diminuir o risco de Covid longa”, argumenta Ethel. 

Um estudo publicado recentemente na revista científica Nature confirma que a infecção pela Ômicron confere uma proteção curta e “fraca” contra o coronavírus. “Além disso, os subtipos dessa nova variante têm uma capacidade grande de provocar a reinfecção”, destaca Ethel. 

Pra quê tanto reforço?  

Veja, é a primeira vez que vemos vacinas sendo desenvolvidas tão rapidamente e aplicadas no meio de uma pandemia dessa magnitude. Os principais estudos de segurança e eficácia foram concluídos, mas em outros pontos ainda estamos “trocando o pneu com o carro andando”, como dizem os especialistas.

A duração da imunidade, como o efeito de um remédio, só pôde ser averiguada na prática, com a distribuição em massa das injeções. E tem também a chegada das variantes, que escapam parcialmente das fórmulas.

Mas isso não quer dizer que a vacina não funcione. “É uma evasão parcial do efeito do imunizante, tanto que até agora estamos vendo uma subida de óbitos e casos graves que não é proporcional ao aumento de casos”, pontua Mônica. Ou seja, o vírus até consegue infectar bastante gente imunizada, mas tem dificuldade em provocar consequências graves. 

É bom lembrar também que é comum haver reaplicações periódicas em outras infecções, especialmente contra as respiratórias, que têm essa característica de sofrer mutações e conferir uma imunidade mais curta. 

No caso da gripe, por exemplo, tomamos o reforço anualmente, independentemente de termos pego gripe alguma vez na vida. “E ninguém fala em vigésimo reforço, nem a doença deixa de circular. É provável que com a Covid aconteça algo semelhante”, comenta Ethel. 

Pandemia não acabou 

Com o relaxamento das medidas preventivas, o surgimento de subvariantes e a chegada do frio, os casos de Covid-19 e de outras doenças respiratórias estão aumentando. “Estamos vivendo uma quarta onda, com aumento da média móvel de novas infecções e elevações nos óbitos”, alerta Ethel. 

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A especialista pontua que a taxa de reprodução do vírus está há três semanas acima de 1 em alguns estados. Nesse cenário, cem pessoas infectadas infectam pelo menos mais cem pessoas, indicando o descontrole da pandemia. 

É fato que vemos menos pessoas adoecendo e as cenas dramáticas das UTIs lotadas parecem superadas, só que isso é justamente por causa dos imunizantes. A Ômicron até tende a ser mais leve, mas os dados da vida real mostram que os não vacinados (ou quem não completou o esquema) são maioria nos hospitais. 

Na onda de Covid do início do ano, em diversos estados os não vacinados ocupavam até 80% dos leitos de UTIs. 

E a vacinação privada? 

Recentemente, foi autorizada a venda da vacina da Covid-19 na rede particular. Algumas clínicas estão disponibilizando as doses inclusive para quem está fora do público-alvo da quarta dose, desde que apresentem prescrição médica, por um preço na casa dos R$ 200. 

As sociedades médicas e especialistas veem a medida com ressalvas. A SBIm divulgou uma nota técnica reiterando que farmácias e clínicas privadas devem seguir o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em outras palavras, precisariam se ater ao público-alvo designado pelo governo.

“Além disso, o centro deve nutrir o sistema de informações do Ministério da Saúde, notificar erros vacinais e se responsabilizar pelo monitoramento de eventos adversos”, pontua Mônica. Na rede pública, a farmacovigilância é muito ativa, garantindo a segurança da vacinação. 

Vale lembrar que o produto vendido, da AstraZeneca, já é aplicado no SUS por meio da parceria com a Fiocruz. 

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