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Médicos, nutricionistas e outros profissionais da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) explicam as novas (e clássicas) medidas para resguardar o peito
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Visitas regulares ao dentista também protegem o coração

Novas evidências científicas reforçam que a ligação entre doenças bucais e cardiovasculares é real e merece a atenção de todos

Por Paulo Sérgio da Silva Santos, cirurgião-dentista*
Atualizado em 12 jul 2024, 17h19 - Publicado em 11 jul 2024, 11h35

Você sabia que, a cada vez que usa a escova de dentes e o fio dental ou vai ao dentista, está também cuidando da sua saúde cardiovascular?  Pois é, estima-se que cerca de 45% das doenças cardíacas e 36% das mortes delas derivadas começam na cavidade bucal.

Um novo trabalho publicado na última edição da Revista Científica da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) endossa e amplia essa relação, que vem sendo estudada há quase cem anos. Cáries, periodontite, inflamações graves na gengiva, infecções na polpa e tecidos ao redor da raiz do dente estão vinculadas às ocorrências cardiológicas.

Essas doenças, muitas vezes causadas pelo acúmulo da placa bacteriana, tártaro e falta de higiene oral, podem fazer com que bactérias originárias da boca “migram”, via corrente sanguínea, para o sistema cardiovascular. Além disso, repercussões de inflamações orais favorecem as doenças ateroscleróticas.

A meta-análise mencionada acima contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, e se baseou na consulta a 2.499 estudos que revelam o estreito caminho da boca ao coração.

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O principal achado é o de que pessoas com doenças periodontais tendem a ter maior agravamento de doenças cardiovasculares e menor sobrevida. Além disso, há indícios de que periodontites mais severas impactem negativamente a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes, a arteriosclerose e os níveis de colesterol total e LDL: associação clara com riscos para o coração.

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O que diz a ciência?

Em 1989, uma tese comparativa com internados por infarto e outro grupo de cardiopatas da mesma idade e sexo constatou que os hospitalizados tinham piores condições bucais.

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A experiência deixou claro que indivíduos com disfunções odontológicas eram duas vezes mais propensos a serem internados em relação aos cardiopatas com saúde bucal preservada. Podemos afirmar, inclusive, que é muito esperado encontrar periodontite e cárie – ou suas associações – na cavidade oral de quem sofreu infarto.

Outro ensaio analisado pelos pesquisadores provou que a frequência da periodontite é 2,5 vezes maior entre indivíduos com doenças arterial coronariana e pessoas com artérias coronárias normais.

Ainda, uma pesquisa realizada de 2009 a 2019 na capital paulista revelou que micro-organismos da cavidade bucal estavam presentes em 36,4% dos casos de endocardite infecciosa, evidenciando as consequências graves da negligência dental.

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+ Leia também: Não devemos separar a saúde da boca da saúde do corpo

Boca dos brasileiros

A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (Projeto SB Brasil) objetiva avaliar a realidade dentária dos brasileiros. Resultados prévios deste trabalho, ainda em andamento, indicam que 44,9% dos idosos (65 a 74 anos) requerem algum tipo de tratamento bucal de urgência, devido à dor ou infecção dentária.

Na faixa etária dos 35 aos 44 anos foi identificada a necessidade de pelo menos um procedimento odontológico eletivo em 48,4% dos examinados. Os especialistas também alertaram para a alta incidência de cáries não tratadas.

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Manter a boca saudável, por si só, já deveria ser um hábito de todos. E, diante da constatação sobre a boca ser a porta de entrada para graves avarias cardiovasculares, o cuidado teria que ser redobrado.

Por isso, sintomas como gengiva com coloração mais escura, inchaço ou sangramentos recorrentes, mau hálito persistente, aumento de sensibilidade e retração gengival não podem ser negligenciados.

Persistir na higienização bucal, com escovação pelo menos três vezes ao dia e uso diário de fio dental, além de consultas semestrais ao dentista, é uma maneira eficaz de encerrar esse verdadeiro efeito dominó perverso que chega ao coração. Para pessoas diagnosticadas com cardiopatias, a rotina deve ser ainda mais rigorosa, com visitas menos espaçadas à cadeira do dentista.

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A conscientização, porém, não é apenas da população: profissionais da área precisam compreender a seriedade dessa interrelação para orientar os pacientes da melhor maneira possível.

Ainda é um desafio disseminar entre cardiologistas e equipes de enfermagem informações e atualizações científicas sobre o binômio saúde bucal e cardiovascular. No entanto, já está mais do que sacramentado que essa ligação é real e merece a  atenção de todos.

*Paulo Sérgio da Silva Santos é coordenador do Departamento de Odontologia da Socesp e um dos autores do artigo Condições Bucais como Indicadores de Eventos Cardiovasculares: Perspectivas Atuais de uma Revisão Integrativa.

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