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Maio Vermelho: tabagismo e outros fatores de risco para o câncer de bexiga

Esse tipo de tumor, mais comum em homens, pode ser causado por diferentes razões, como mostra um especialista

Por Marcelo Wroclawski, urologista*
Atualizado em 31 Maio 2022, 10h28 - Publicado em 30 Maio 2022, 18h38

Em nome da Sociedade Brasileira de Urologia (seccional SP), aproveito o mês de combate ao tabagismo para alertar a população sobre o fato de que o cigarro é o principal fator de risco para o aparecimento do câncer de bexiga.

Tanto no cigarro quanto em sua fumaça, há mais de 7 mil substâncias químicas – sabemos que pelo menos 70 favorecem o aparecimento de tumores. Estima-se que o hábito de fumar seja responsável por cerca de 50% dos tumores vesicais e fumantes têm de 4 a 7 vezes mais chance de desenvolver esta neoplasia.

No caso da bexiga, o risco é aumentado porque estes compostos químicos deletérios são absorvidos pelo pulmão, caem na corrente sanguínea e são filtrados pelo rim, que produzirá uma urina “contaminada”. Como a bexiga é um reservatório de urina, estas substâncias passarão horas em contato com a superfície vesical, propiciando o ambiente adequado para causar os danos celulares.

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Além do tabagismo, compostos químicos chamados aminas aromáticas, dentre outros, favorecem a doença. Então, trabalhadores de alguns setores da indústria estariam em maior risco, como os da tinta, de corantes e da borracha.

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Um quimioterápico chamado ciclofosfamida também aumenta o risco de câncer de bexiga.

E, por fim, problemas crônicos da bexiga podem desencadear a doença. São, em resumo, situações que causam inflamação na bexiga, como infecções urinárias constantes, pedras na bexiga.

+Leia também: a relação do câncer de bexiga com o diabetes

O câncer de bexiga pode alterar o padrão urinário, provocando sintomas chamados de armazenamento (ou irritativos). Eles nada mais são do que o aumento da frequência com que o indivíduo urina, tanto de dia quanto de noite, a necessidade de urinar com urgência, além de dor e queimação ao urinar.

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O principal sinal de que algo não vai bem é a presença de sangue visível na urina. Entretanto, em alguns casos, o tumor pode provocar sangramento microscópico, aquele que não é visível e só é identificado no exame de urina. Qualquer sangramento urinário demanda que o paciente procure com brevidade o seu urologista ou o sistema público e os serviços de atenção primária à saúde.

Já um cenário de doença mais avançada, o paciente pode apresentar dor nas costas e emagrecimento.

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Baixa nos diagnósticos

Estudo realizado pela SBU-SP, em parceria com instituições de saúde responsáveis pelo atendimento de pacientes do SUS, revela que a pandemia provocou, indiretamente, uma redução média de 26% no diagnóstico de novos casos de tumores de rim, próstata e bexiga. Isso é grave! Os dados compararam a identificação de novos casos de câncer gênito-urinário nos anos de 2019 e 2020.

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Mais especificamente em relação ao tumor de bexiga, o Hospital das Clínicas da UNICAMP, por exemplo, observou uma queda de 52% no diagnóstico de novos casos. No A.C.Camargo Câncer Center, a redução foi de 24%.

Importante dizer que quem já teve uma vez o câncer de bexiga corre um risco adicional de voltar a sofrer com ela. Mais de 1/3 dos pacientes apresentarão recidiva em cinco anos, e o risco de a enfermidade voltar depende de algumas características do tumor inicial.

Portanto, é importante que, uma vez diagnosticado e tratado, o paciente mantenha posteriormente o seguimento periódico estabelecido por seu urologista.

A boa notícia é que, quando a doença ainda não invadiu a musculatura da bexiga, o que felizmente ocorre em aproximadamente 75% dos casos, a sobrevida neste cenário é superior a 95% em cinco anos.

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Uma vez levantada a suspeita, o paciente deverá ser submetido a um procedimento chamado cistoscopia, que é uma endoscopia das vias urinárias. Na cistoscopia, por meio da uretra (canal da urina), introduz-se uma câmera que identifica uma eventual lesão no interior da bexiga.

Na maioria das vezes, é possível realizar a ressecção do tumor durante a própria cistoscopia e enviar o material para análise do patologista. Com isso, saberemos se é ou não um tumor maligno e qual seu subtipo, assim por dizer. Também é possível fazer o estadiamento local – ou seja, até qual camada da bexiga o câncer chegou.

Se a lesão não invadir o músculo da bexiga, muitas vezes esse procedimento é curativo. Em alguns casos, só é necessário complementar a terapêutica com instilações de substâncias na bexiga durante o seguimento pós-operatório.

Já quando o tumor invade a musculatura da bexiga, o câncer é mais avançado e o tratamento precisa ser mais agressivo. Aproximadamente 1/3 dos casos são diagnosticados nesta fase.

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A dica valiosa é parar com o tabagismo, pois, em dez anos, o risco de câncer de bexiga cai pela metade. Essa seria a principal prevenção. Outras medidas preventivas são: proteção adequada no ambiente de trabalho em que há exposição às aminas aromáticas, beber muito líquido e uma dieta rica em frutas e vegetais.

Incidência

No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o câncer de bexiga é a 7ª neoplasia mais comum em homens, atingindo cerca de 7,5 mil anualmente. No mundo, de acordo com levantamento do Global Cancer Observatory, a incidência supera 550 mil novos casos por ano.

Sabe-se que a maior incidência de casos é em homens: cerca de 3 a 4 vezes mais do que em mulheres. Isso ocorre, provavelmente, porque indivíduos do sexo masculino estão, ou estiveram, mais expostos aos fatores de risco, como tabagismo e exposição aos compostos químicos no ambiente de trabalho.

Mais de 70% dos tumores são diagnosticados após os 65 anos (a idade média é aos 73 anos). Pessoas de raça branca têm aproximadamente duas vezes mais risco de desenvolverem a doença.

*Dr. Marcelo Wroclawski é presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (seccional SP).

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