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Avanço do câncer em Bruno Covas reforça importância do cuidado permanente

O diagnóstico de novos focos do tumor (metástases) no prefeito de São Paulo traz ensinamentos para toda a população

Por Alexandre Ferreira Oliveira, cirurgião oncológico* 21 abr 2021, 11h24

Uma parcela considerável de pacientes oncológicos se vê em situação semelhante à do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, em tratamento de um câncer originado no estômago desde 2019 e que foi agora diagnosticado com focos de metástase nos ossos e no fígado. Ou seja, após um período em que a doença regride de forma parcial ou por completo, o paciente a vê evoluir novamente. Esse retorno, chamado de recidiva, é mais comum nos primeiros cinco anos após o início do tratamento.

O tumor de estômago, também chamado de câncer gástrico, é um dos mais incidentes no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são mais de 21 mil novos casos previstos para 2021. Ele é o quarto mais comum em homens e o sexto em mulheres no Brasil.

Em âmbito mundial, são registrados mais de 1 milhão de novos casos por ano, segundo o levantamento Globocan 2020, da Organização Mundial da Saúde, configurando-o como o quinto câncer mais diagnosticado no globo.

De todos os tumores malignos que acometem o estômago, 90% a 95% são adenocarcinomas. E dentro dessa categoria, há um subtipo que ocorre na transição esofagogástrica, ou cárdia. É uma região do trato digestivo que corresponde à passagem do esôfago para o estômago e está situada normalmente entre o tórax e o abdômen. O câncer de Bruno Covas surgiu ali.

O principal alerta é que a incidência de câncer gástrico da transição gastroesofágica vem aumentando em todo o mundo, provavelmente associado à alta incidência de seus fatores de risco, principalmente o refluxo e a obesidade. O tabagismo também apresenta forte relação com esses tumores.

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Um estudo publicado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) compara a prevalência da doença, década a década. O subtipo de transição gastroesofágica saltou de 15,7% dos tumores gástricos nos anos 1970 para 32% na última década. A prevalência é maior em homens brancos entre 65 e 74 anos, mas vem crescendo nos mais jovens.

É fundamental manter a rotina de exames e tratamento durante a pandemia de Covid-19. Quando a doença é diagnosticada em fases bem iniciais e o risco de metástases, mesmo que microscópicas, é pequeno, o tratamento indicado é a cirurgia oncológica. Em casos de maior risco para a ocorrência de metástases, especialmente quando os gânglios próximos ao tumor se mostram comprometidos, entram em cena quimioterapia e, a seguir, a cirurgia. E em cenários com metástases, a estratégia padrão é a quimioterapia, sendo os procedimentos cirúrgicos reservados para pacientes selecionados.

Em linhas gerais, a metástase é o evento no qual as células do tumor se alojaram em outros órgãos após deslocamento, principalmente pela corrente sanguínea. No câncer da junção gastroesofágica, ela ocorre principalmente no fígado e pulmões. Outros focos, menos comuns, são os ossos e a cavidade abdominal.

A mensagem que quero deixar é que o cuidado precisa ser permanente. Atenção: em fases iniciais, esses tumores não costumam apresentar sintomas. E, se eles surgem, tendem a ser inespecíficos, assemelhando-se aos sinais de refluxo (como a queimação).

O principal alerta da presença do tumor em si costuma ser a dificuldade ou dor na transição do tórax para o abdômen após engolir os alimentos. Essa condição é causada pelo estreitamento da passagem entre os órgãos.

Para prevenir a doença, a melhor dica é se manter saudável, com peso normal e a adoção de hábitos de vida que incluam atividade física e boa alimentação. Além disso, recomendamos não fumar e nem beber. Se você tem refluxo, procure assistência médica e acompanhe seus sintomas. Um exame de endoscopia pode ser indicado pelo médico.

*Alexandre Ferreira Oliveira é cirurgião oncológico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

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