Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

A voz como a próxima fronteira na dinâmica de cuidados com a saúde

Novas tecnologias abrem perspectivas para o uso da fala na detecção precoce de doenças e na melhoria dos processos no ecossistema da saúde

Por Nathália Nunes, fonoaudióloga*
4 out 2021, 10h30

A crise da Covid-19 acelerou o cronograma de tecnologias disruptivas como as terapias digitais e aplicativos que usam comandos de voz para a execução de diversas funções. Dessa forma, hoje é possível agendar uma consulta com um médico pelo aplicativo ou portal da operadora de saúde utilizando apenas recursos vocais. Ou acionar o médico via app quando um familiar com doença de Parkinson ou problemas cardíacos precisa de cuidados, por exemplo.

Mais do que isso, já não é mais um sonho usar a voz para identificar sinais de uma doença. Tecnologias que permitem capturar sons em dispositivos usados no cotidiano, de aplicativos a sensores, demonstram potencial na detecção e na previsão de sintomas tanto para pesquisas quanto para o uso clínico.

Desde 2020, Israel conta com um aplicativo baseado em inteligência artificial capaz de indicar a presença de Covid-19 pela análise da voz do paciente. Na Europa e nos Estados Unidos, novas tecnologias abrem um mundo de possibilidades para a utilização da fala na triagem, no diagnóstico e no monitoramento de uma ampla gama de condições. Entre elas estão distúrbios neurodegenerativos, como Parkinson e Alzheimer, transtornos de saúde mental, como depressão e esquizofrenia, e doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca.

LEIA TAMBÉM: Nova tecnologia melhora a vida de quem tem Parkinson

Continua após a publicidade

Para entender melhor o funcionamento dessas ferramentas, vale lembrar que a voz humana produz múltiplas frequências, algumas delas imperceptíveis ao ouvido. No entanto, elas são captadas pelas tecnologias digitais em todo o seu espectro. Com o auxílio de algoritmos especiais, essas plataformas conseguem monitorar sinais precoces de doenças baseadas no som.

Em linhas gerais, esses recursos analisam o que chamamos de biomarcadores presentes na voz. São sinais vitais, que revelam se o organismo está funcionando ou não dentro da normalidade. Os biomarcadores vocais foram estabelecidos pela comparação via computador de milhões de vozes de indivíduos.

Esse trabalho considera que a linguagem, a fala e o uso da voz são fenômenos complexos, resultantes da coordenação entre a função cerebral e pulmonar. Como estão ligados a muitos processos neurológicos e fisiológicos, os padrões, quando alterados, podem indicar uma série de doenças.

Continua após a publicidade

A voz também pode ajudar os profissionais de saúde no cotidiano, como aponta uma experiência realizada em hospitais associados à Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Lá os médicos passaram a usar uma ferramenta digital para preencher os prontuários eletrônicos com a voz. Apesar da resistência inicial, hoje eles rejeitam voltar ao preenchimento convencional por escrito.

Assim como com qualquer nova tecnologia, aquelas que empregam o comando ou a interpretação da voz estão sujeitas a ajustes até sua implementação completa. Mas desde já mostram que os recursos vocais vêm alcançando um elevado patamar do ponto de vista científico e não serão mais vistos como antes no campo da medicina.

* Nathália Nunes é fonoaudióloga, consultora de mercado para saúde, fundadora da empresa Arta e palestrante do 7º HIS – Healthcare Innovation Show

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.