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O Fim das Dietas Por Blog Antonio Lancha Jr., professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP e autor do livro O Fim das Dietas (Ed. Abril), indica como emagrecer sem cair em promessas furadas.

Para emagrecer, comece pelos músculos

Pequenas movimentações no dia a dia fazem a musculatura produzir uma substância que ajuda a controlar a fome, o que facilita a perda de peso

Por Antonio Lancha Jr. - Atualizado em 18 jun 2020, 17h35 - Publicado em 29 Maio 2020, 12h56

Na tentativa de emagrecer, muita gente almeja uma rotina perfeita, assim por dizer. A pessoa diz que vai treinar todo dia, preparar todas as refeições em casa (com legumes, verduras e frutas), eliminar as frituras… Mas essas promessas ousadas (pra não dizer irreais) via de regra morrem na praia, como abordei no livro O Fim das Dietas. Nossos padrões de comportamentos engordativos são estabelecidos com base no prazer — removê-los de uma hora para outra tende a não funcionar. Como então fazer o projeto “Eu mais magro” começar a andar? Temos um aliado importante nessa batalha: nossos músculos.

Um estudo recente indica que a musculatura produz substâncias conhecidas como miocinas. Essas moléculas são capazes de alcançar a circulação sanguínea e viajar até o sistema nervoso central, onde ajudam a controlar a fome.

Toda vez que você realiza uma atividade física diária ou um treinamento regular, a contração muscular induz a liberação de doses extras de miocinas. Por outro lado, quando ficamos praticamente parados, escrevendo algo no computador ou lendo um livro, a concentração de miocinas fica muito baixa. Ou seja: ao promover movimentos que recrutam mais grupos musculares, teremos uma maior fabricação de miocinas. Consequentemente, elas ajudarão a controlar a ingestão de alimentos.

Isso é importante, porque, ao diminuir a vontade de comer, fica mais fácil adotar uma alimentação menos calórica.

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Então como colocar essas atividades que promovem maior contração muscular sem grandes mudanças na rotina? Eu proponho usar nossas necessidades básicas diárias para isso. Por exemplo: precisamos de um copo de água por hora. Devemos ir ao banheiro com regularidade. Também é bom ingerir alimentos em intervalos regulares ao longo do dia. E precisamos nos comunicar com os outros, seja por causa do trabalho, seja para conversar com familiares e amigos.

Pois bem: essas tarefas podem ocorrer promovendo contrações musculares maiores e mais intensas. Veja só:

  1. Para consumir um copo de água por hora, coloque um aviso em seu celular. Ao tocar o alarme, levante, vá até a cozinha, beba sua água e retorne.
  2. Não segure idas ao banheiro. Ficou com vontade? Levante-se e cumpra o que ninguém mais pode fazer por você. Aliás, beber bastante água ajuda a aumentar esses deslocamentos.
  3. Vá buscar uma fruta ou prepare um lanche na cozinha.
  4. Quando o telefone tocar (ou quando ligar para alguém), levante-se e fale caminhando.

Pode parecer que essas atitudes farão pouca diferença. Mas, baseado no que sugeri acima, contabilizei o número de deslocamentos em um dia fictício:

  • 1 copo de água por hora, durante 10 horas: dez deslocamentos
  • Idas ao banheiro: três deslocamentos
  • Atender o telefone ou ligar para alguém: quatro deslocamentos.

Totalizamos 17 momentos de movimentação no dia. Essa atividade é o suficiente para elevar as miocinas produzidas pelos músculos e gerar aquele efeito modulador da fome. Acredite: isso vai cooperar, de forma significativa, no controle da ingestão calórica e até na elevação do gasto pela movimentação.

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Comece seu projeto de emagrecimento pelo músculo! Ele é seu aliado, não apenas para gastar energia, mas também para controlar a ingestão de alimentos.

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