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O Fim das Dietas Por Blog Antonio Lancha Jr, professor titular com mestrado, doutorado e livre docência em Nutrição pela USP e autor do livro O Fim das Dietas (Ed. Abril), indica como emagrecer sem cair em promessas furadas.

As armadilhas do inverno para o controle de peso

Uma porção de gente acredita que o corpo gasta mais energia nessa época do ano. Não é bem por aí...

Por Antonio Lancha Jr. 21 jul 2021, 15h47

O inverno chegou e, com ele, aquelas comidas saborosas, aromáticas e quentinhas. Ao mesmo tempo, a queda da temperatura faz o nosso apetite se modificar. Já reparou como as saladas, tão apreciadas no verão, muitas vezes não nos apetecem no inverno?

O interessante é que frequentemente ouvimos que gastamos mais energia nessa estação do ano e, por isso, não precisamos ter tanto medo de engordar ao degustar comidas mais gordurosas. Atenção: acreditar nisso pode te induzir a uma cilada, capaz de atrapalhar a perda e/ou a manutenção do peso. Essa colocação só seria verdadeira se a gente vivesse ao relento, dependendo basicamente de nossas reservas para preservar a temperatura corporal.

De onde surgiu essa ideia?

Se estivermos desprotegidos e expostos a um clima gélido, nosso organismo de fato irá promover alguns mecanismos para tentar ajustar a temperatura e não deixar o corpo esfriar. Nesse contexto, nossos músculos eretores dos pelos são estimulados e começamos a tremer, por exemplo – são tentativas de produzir mais calor.

Agora, vem a pergunta-chave: no inverno, você realmente passa frio ou está sempre abrigado? Esse é o ponto. Raramente estamos de fato expostos a baixas temperaturas, sem qualquer tipo de isolamento.

Muitos pensam que os esportes de inverno, como o esqui na neve, levaria a um gasto energético elevado por causa temperatura ambiente. Outro engano. Para praticar esse tipo de atividade, são usadas roupas específicas para o clima. Isso faz toda a diferença.

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No inverno, também temos menos estímulos para deslocamentos a pé ou prática de atividade física mais prolongada no ambiente aberto, o que contribui, na verdade, para um menor gasto energético.

Logo, a hipótese de gastar mais energia no inverno não se aplica à nossa vida nos dias de hoje.

Por outro lado, o fato de preferirmos consumir os alimentos mais aromáticos, saborosos e calóricos no inverno tem sua origem na evolução e na nossa história alimentar. E não há problema em aproveitar essa época do ano para se deliciar com pratos e receitas que combinam com o clima frio.

Só tome cuidado para não cair na pegadinha de achar que o gasto calórico no inverno é maior e, portanto, capaz de lidar com eventuais excessos. Como vimos, isso é balela. Se quiser mesmo gastar energia, exercite-se – mesmo no frio.

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