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O Futuro do Diabetes Por Blog Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), além de autor do livro O Futuro do Diabete (Ed. Abril). Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do problema

Remédios para diabetes também protegem o coração

E isso é uma ótima notícia, já que as doenças do coração são a causa de morte nº 1 entre quem tem diabetes. Compartilho as últimas descobertas a respeito

Por Dr. Carlos Eduardo Barra Couri - 13 set 2020, 19h53

Temos no Brasil cerca de 16 milhões de pessoas com diabetes e outras 16 milhões com pré-diabetes, de acordo com a estimativa da Federação Internacional de Diabetes (IDF). E sabe qual é a principal causa de morte nos dois grupos? As doenças cardiovasculares — em primeiro lugar, o infarto, e, em segundo, o AVC ou derrame.

Mas o fato intrigante é que, em pesquisa realizada pelo núcleo de Inteligência da Editora Abril com a nossa curadoria em 2019, pudemos detectar que a maioria dos brasileiros com diabetes (e também sem diabetes) nem sequer desconfia dessa séria relação entre a doença e os problemas cardiovasculares.

Veja: ter diabetes não é sinônimo nem uma sentença de um coração em maus lençóis. Podemos evitar o perigo seguindo algumas medidas básicas:

• Manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente
• Realizar consultas e exames médicos periódicos
• Controlar a glicose no dia a dia
• Medir e controlar a pressão, o colesterol e os triglicérides de tempos em tempos
• Deixar de fumar
• Ter uma boa rotina de sono
• Usar os medicamentos conforma a prescrição médica

Por falar em medicamentos, tivemos gratas surpresas científicas nos últimos anos. Hoje contamos com remédios eficazes para o controle do diabetes, que não aumentam o risco de hipoglicemia e ainda reduzem o risco de doenças cardiovasculares. É um bônus e tanto.

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Destaco aqui algumas das descobertas sobre esse efeito colateral bem positivo:

1. A pioglitazona, medicamento de uso oral que reduz a resistência à insulina, reduz infarto e AVC em pessoas com pré-diabetes e diabetes tipo 2;

2. Os inibidores de SGLT2, comprimidos que expelem o excesso de glicose pela urina, reduzem peso, pressão e níveis de ácido úrico, diminuem a ocorrência de insuficiência cardíaca, quadro grave e potencialmente letal;

3. Os agonistas de GLP1, que simulam um hormônio intestinal, melhoram a produção de insulina e controlam o peso, baixam o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular.

Como sempre, o custo desses tratamentos continua sendo um fator limitante de acesso à população, especialmente em um país como o nosso. Falta no Brasil um grande estudo de farmacoeconomia em diabetes para responder à seguinte pergunta: o custo dos medicamentos é menor ou maior do que os custos das sequelas da doença? Isso sem falar do impacto físico, mental e social das complicações cardiovasculares, neurológicas, renais…

Se você tem diabetes, não deixe de conversar com seu médico sobre essa relação entre diabetes e coração. E faça sua parte, controlando a glicose e cuidando do corpo todo.

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