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O Futuro do Diabetes Por Blog Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), além de autor do livro O Futuro do Diabete (Ed. Abril). Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do problema

O primeiro remédio 3 em 1 para o diabetes

Acaba de ser aprovada nos Estados Unidos uma associação inédita de três medicações em um único comprimido para tratar o diabetes tipo 2

Por Dr. Carlos Eduardo Barra Couri - 31 Maio 2019, 15h56

Não canso de falar: um dos maiores desafios no tratamento das doenças crônicas é a adesão aos medicamentos prescritos em consultório. No caso do diabetes tipo 2, uma doença causada por diversas falhas bioquímicas no organismo, em geral um único remédio não é suficiente para manter baixos os níveis de glicose no sangue por um bom tempo.

Por isso, o uso de mais de um medicamento acaba sendo a regra e não a exceção. Só que, diante de tantos comprimidos para tomar na rotina, muitos pacientes abandonam o tratamento.

Aí já viu: quanto menos adesão ao plano terapêutico, pior o controle da glicose e maior o risco de complicações no longo prazo. Para tentar resolver esse dilema, que tal se juntássemos alguns desses vários remédios em um único comprimido?

Um passo importante foi dado nesse sentido. Foi aprovada para chegar às farmácias dos Estados Unidos a primeira combinação de três medicamentos para o diabetes em um só comprimido. A solução, inédita, é composta de um trio de primeira linha de princípios ativos que atuam no controle da glicose. São eles:

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  1. Metformina XR: esse fármaco reduz a resistência à insulina, ou seja, melhora a ação do hormônio nas células do organismo. Com isso, mais glicose é aproveitada pelo corpo e não sobra na circulação;
  2. Dapaglifozina: a substância faz com que o excesso de açúcar no sangue seja eliminado pela urina. Segundo os estudos, diminui a glicose, o peso e a pressão arterial;
  3. Saxagliptina: é uma medicação que modula a produção de dois hormônios de função oposta, a insulina e o glucagon, de acordo com a carga de glicose no sangue.

O trio acima trabalha em sinergia e se completa, corrigindo vários daqueles “defeitos” por trás do diabetes tipo 2. Dessa forma, o tratamento consegue promover maior redução nos níveis de glicose, por mais tempo, e oferece um baixo risco de hipoglicemia (quando as taxas de açúcar despencam). Tudo isso com muita segurança para o organismo, inclusive para o sistema cardiovascular.

Agora é aguardar pelo aval e o lançamento em terras brasileiras.

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