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O Futuro do Diabetes Por Blog Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), além de autor do livro O Futuro do Diabete (Ed. Abril). Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do problema

Diabetes tipo 1 aumenta internações por Covid-19?

Um estudo belga mostra que não houve incremento de hospitalizações por coronavírus em pessoas com a doença. O que isso pode nos dizer?

Por Dr. Carlos Eduardo Barra Couri - Atualizado em 28 jul 2020, 19h42 - Publicado em 28 jul 2020, 14h25

Sabemos que pessoas com maior idade e doenças crônicas apresentam maior probabilidade de adquirir as formas graves da Covid-19, necessitando de internação hospitalar e, às vezes, UTI. Mas ainda persistem dúvidas se esse risco de complicações atinge da mesma forma indivíduos com diabetes tipo 1 e tipo 2. Apesar do nome em comum, falamos de doenças bem diferentes.

Pessoas com diabetes tipo 2 costumam ser mais velhas quando diagnosticadas e possuem outros problemas em paralelo, como pressão alta, colesterol e triglicérides elevados e obesidade. Quem tem o tipo 1, por sua vez, normalmente é diagnosticado quando criança ou adolescente e precisa usar insulina desde a detecção da doença para sobreviver (no tipo 2, isso pode acontecer com o tempo ou a piora do estado de saúde).

Isso posto, será que sujeitos com diabetes tipo 1 enfrentam o mesmo risco de quadros graves de Covid-19? Os belgas foram buscar uma resposta. Na Bélgica, existe um sistema de saúde universal informatizado em que todas as pessoas com diabetes tipo 1 são cadastradas e para o qual disponibilizam seus dados.

Dessa forma, pesquisadores avaliaram manualmente internações ocorridas em duas cidades de lá, Aalst e Lovaina, que têm população de cerca de 300 mil e 90 mil pessoas, respectivamente. Durante o período de 1º de fevereiro a 30 de abril deste ano foram cruzadas informações dos 2 336 pacientes com diabetes tipo 1 dessas cidades com as internações por Covid-19.

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E qual foi o achado? Entre mais de duas mil pessoas, apenas cinco (ou 0,21%) precisaram ser hospitalizadas pela infecção por coronavírus. Na população em geral e sem diabetes tipo 1, o número foi de 0,17%. Do ponto de vista estatístico, é praticamente igual! Mais: as cinco internações dos pacientes com diabetes aconteceram em enfermaria, ou seja, eles não necessitaram de UTI.

No mesmo período investigado, os belgas com a doença tiveram maior número de internações por outras condições, como descontrole da glicose, feridas no pé, cirurgia ou parto. Em resumo, hospitalizações usualmente ligadas ao diabetes foram numericamente maiores que aquelas associadas à Covid-19.

O estudo tem limitações. É uma pesquisa observacional de curta duração e não permite dizer que o mesmo fenômeno ocorra em outros países como o Brasil. Além disso, foram avaliados somente adultos. Por outro lado, o trabalho reforça a necessidade de permanecermos atentos ao bom controle da glicose para prevenir as complicações mais conhecidas do problema, inclusive em meio à pandemia.

Vamos aguardar novas evidências para confirmar se esse padrão se repete em outras nações. Enquanto isso, convido todo paciente com diabetes tipo 1 a controlar e monitorar mais a glicemia, manter o uso regular dos medicamentos e realizar as consultas presenciais ou remotas com seu médico.

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