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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Silencioso, o câncer bucal mata mais de 6 mil brasileiros todos os anos

Dificuldade para fazer o diagnóstico precoce e conter a infecção por HPV estão entre os fatores que mais inflam o número de óbitos por câncer bucal

Por Andrey Soares, oncologista* Atualizado em 18 Maio 2021, 18h06 - Publicado em 18 Maio 2021, 10h22

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), mais de 15 mil brasileiros são afetados pelo câncer bucal por ano — 6 mil acabam morrendo. Boa parte dos óbitos ocorre pela demora no diagnóstico: mais da metade dos casos são descobertos em estágios avançados.

O câncer de boca é silencioso e muitas vezes indolor. Daí porque o autoexame é fundamental para evitar que a doença seja apenas detectada em estágios mais tardios. Uma afta insistente, sangramento repentino, feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou qualquer lesão que permaneça por mais de 15 dias na boca devem ser investigados.

Mas o fato é que esses sinais iniciais são sutis e, muitas vezes, confundidos com outros problemas de saúde bucal. Está aí mais um motivo para disseminar informações sobre esse tipo de tumor. Além dessas manifestações mais precoces, a doença pode levar ao surgimento de nódulos na região, dor e dificuldade para mastigar ou engolir. São essas as consequências que normalmente fazem os pacientes buscarem ajuda especializada.

O câncer de cavidade oral acomete na maioria das vezes homens acima de 50 anos. Ele costuma surgir na parte posterior da língua, mas outras regiões, como o assoalho bucal, lábios, as bochechas, gengivas, amígdala e o céu da boca, também podem ser afetadas.

O aparecimento da doença está relacionado a questões ligadas ao estilo de vida. Além do fumo, o álcool está associado a 90% dos casos. Apesar da quantidade de fumantes ter diminuído no país, os casos desse tipo de câncer aumentaram cerca de 225% em apenas 20 anos. O HPV também pode ser considerado um fator de risco, no entanto, está mais relacionado ao câncer de orofaringe.

  • Atitudes que fazem a diferença

    Ações simples como parar de fumar, moderar nas bebidas alcoólicas, utilizar protetor labial contra os raios solares, fazer sexo com proteção, tomar a vacina do HPV, higienizar bem a boca e seguir uma dieta rica em alimentos saudáveis podem proteger contra a doença.

    O diagnóstico, se feito em estágio inicial e seguido de um tratamento adequado, eleva a chance de cura desse tipo de tumor para 90%. Na maioria dos casos, a principal solução é a cirurgia. Mas para cada paciente é desenvolvido um tratamento específico, que pode combinar intervenções cirúrgicas com quimioterapia e radioterapia. Opções existem; o que nós precisamos é fazer de tudo para utilizá-las no tempo certo.

    *Andrey Soares é oncologista do CPO Oncoclínicas

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