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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Quem é o nutricionista do futuro? Já marcou uma consulta com ele?

No dia do nutricionista, especialista examina qual é o perfil do profissional capaz de gerar mudanças de verdade no comportamento alimentar

Por Cynthia Antonaccio, nutricionista - Atualizado em 31 ago 2020, 15h55 - Publicado em 31 ago 2020, 10h04

Se você vem adiando sua consulta com o nutricionista por receio de ficar sem comer o que mais gosta ou por achar que consegue fazer dieta sozinho, precisa conhecer um novo conceito e o papel do nutricionista do futuro. Vou aproveitar o Dia do Nutricionista, 31 de agosto, para propor uma reflexão e um convite. Esse pode ser o momento certo para você começar a rever, mudar e melhorar sua relação com a comida. E isso tem tudo a ver com a versão 4.0 do nutricionista que vou apresentar.

Mesmo diante de uma enxurrada de informações científicas disponíveis, o fato é que não estamos mais saudáveis tampouco mais magros. Pelo contrário, ainda ficamos neuróticos, ansiosos e confusos na hora de comer.

O tradicional termo “reeducação alimentar” não tem resolvido a situação. E pare pra pensar: você já foi educado sobre alimentação alguma vez na vida? O pior é que, em boa parte dos casos, esse processo se converte em um reducionismo do ato de comer. É o que chamamos de nutricionismo, uma forma de doutrinar a alimentação com foco nos nutrientes de forma isolada. Deixamos de dar importância ao alimento e à alimentação em toda a amplitude emocional, social e cultural que ela engloba.

Sem dúvida, a nutrição evoluiu. Hoje sabemos quanto ela é fundamental para melhorar nossa disposição, aptidão física e imunidade, assim como reduzir o risco de diabetes, doenças do coração, entre outros problemas. Mas ficamos limitados aí. Precisamos dar um próximo passo.

Por isso defendo que o nutricionista pode se tornar um “terapeuta nutricional”. O que é isso? Não, ele não é psicólogo, mas um profissional que entende do comer emocional e investiga os comportamentos e pensamentos associados à alimentação. Ele escuta o paciente ativamente, se interessa por sua história com a comida, estimula ganhos de consciência e empodera o outro para mudar.

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Esse nutricionista também atua com um plano alimentar. Porém, o processo é completamente diferente da famosa folhinha de dieta calculada. Aqui falamos em estabelecer metas, desafios, esquemas, sugestões de práticas e refeições… Enfim, um passo a passo alinhado ao perfil de cada um. É isso que gera impacto, autonomia e resultados.

O nutricionista do futuro não cai na armadilha de ser o “consertador de coisas”, ou seja, de alguém que faz prescrições que ninguém consegue seguir por muito tempo. A ideia é saber e conjugar bioquímica com aspectos emocionais e comportamentais, sem militância. É aliar o melhor da ciência da nutrição a um processo gradual, gentil e realista que leva em conta as relações, os sentimentos, os dilemas e a história do outro.

Esse profissional pode empregar técnicas e modelos que abrangem aconselhamento nutricional, entrevista motivacional, comer intuitivo, mindful eating, terapia cognitivo-comportamental… Tudo com enfoque na mudança de comportamento alimentar. E, assim, ele é capaz de transformar teoria em prática, e ciência em arte.

A hora de rever e mudar sua relação com a comida é agora. Procure um profissional com essas habilidades, escolado na nutrição comportamental e baseado em ciência. Procure o nutricionista do futuro.

* Cynthia Antonaccio é nutricionista, mestre pela Universidade de São Paulo, idealizadora do Instituto Nutrição Comportamental e coautora do livro Mindful Eating – Comer com Atenção Plena, da Editora Abril (clique para comprar)

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