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Cuidados e exames para gestantes devem continuar na pandemia

Médico desmistifica questões que passam pela cabeça dos pais e reforça importância do acompanhamento e dos exames de pré-natal mesmo na crise do coronavírus

Por Victor Bunduki, ginecologista* - 11 out 2020, 12h42

A pandemia do coronavírus resultou em uma queda significativa no número de exames de pré-natal, fundamentais para avaliar a gestante e o bebê, ainda que nunca tenha sido recomendada a paralisação do acompanhamento médico nessas circunstâncias. O medo da contaminação fez com que muitas grávidas deixassem de realizar esses exames, incluindo o ultrassom, no período. É algo longe do ideal, uma vez que as consultas obstétricas de rotina são capazes de identificar, prevenir e corrigir complicações na gestação.

Procedimentos como ultrassom obstétrico são primordiais para detectar doenças e deficiências no primeiro e no segundo trimestres de gravidez. Isso permite tratá-las a tempo com suporte nutricional ou medicações. Ao mapear o desenvolvimento da criança, podemos realizar diagnósticos e tratamentos mais precisos e eficazes, preservando a mãe e o bebê. Quaisquer irregularidades na formação do feto devem ser averiguadas e informadas aos pais.

É preciso ter em mente que não existem evidências científicas comprovando que gestantes necessitam de cuidados extras diante da Covid-19 — as medidas de proteção básicas, como uso de máscara e higiene das mãos, seguem imperativas. Assim, é fundamental que mulheres grávidas ou que deram à luz recentemente tomem ciência da importância de ir aos laboratórios ou clínicas e sigam fazendo as consultas ao médico e os exames.

Os centros de medicina diagnóstica encontram-se devidamente equipados para cumprir os protocolos de segurança e higienização. E, como o acompanhamento tem de ser individualizado, só um médico qualificado, baseado em exames bem feitos, pode orientar e atualizar a paciente, atento às suas particularidades.

O médico também irá detalhar os cuidados durante a gestação, o parto e a amamentação em tempos de pandemia. Até o momento, o que se sabe é que a passagem do vírus da mãe para o feto não parece ocorrer (a não ser no período logo após o parto). Também não há evidências de malformação embrionária que possa ser indubitavelmente imputada ao coronavírus. Na amamentação, sabemos que a transmissão pode ocorrer pela via respiratória, mas, com as medidas preventivas (máscara, limpeza das mãos…), os benefícios do aleitamento superam eventuais riscos da infecção.

Reforço que os exames e o acompanhamento pré-natal devem ser oferecidos continuamente e as gestantes podem manter a programação de consultas e procedimentos sem precisar se preocupar com nada além da gravidez em si. Basta tomar os cuidados necessários. Cabe lembrar que, diante de quaisquer sinais ou sintomas de Covid-19 nesse contexto, recomendamos buscar o atendimento médico precoce a fim de se confirmar o quadro com exames e orientar as medidas de proteção à mãe e ao bebê.

* Victor Bunduki é ginecologista e especialista em saúde materno-infantil do CDB Medicina Diagnóstica

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