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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Correndo pelo Diabetes: como fazer do limão uma limonada

A descoberta do diabetes serviu como motivação para o surgimento de um projeto de saúde voltado a mudar a vida de quem tem a doença

Por Bruno Helman, CEO do Correndo pelo Diabetes* 23 fev 2021, 15h58

Por mais clichê que possa parecer, o título acima é o que melhor expressa a minha história. Eu fui diagnosticado com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) aos 18 anos, estava em vias de prestar vestibular para Relações Internacionais e não sabia absolutamente nada sobre a condição.

Com o tempo, fui me apropriando e aprendendo que o “meu” tipo era autoimune, diferentemente do tipo 2, que é multifatorial. As aplicações de insulina e as “pontas de dedo” – nome popular para os testes de glicemia capilar, feito a partir de um furinho nessa parte do corpo – se tornaram parte do meu dia a dia.

Logo comecei a correr, com o objetivo de completar uma maratona (42 195 metros) com o meu pai. Em 2016, cruzamos lado a lado a linha de chegada da Maratona do Rio de Janeiro. E o que era para ser a primeira e única prova desse tipo, pois sempre achei a corrida tediosa, tornou-se a primeira das 15 completadas até aqui.

Aliada à minha recém-descoberta paixão pela corrida, decidi que devia usar a minha voz em prol da população com diabetes. Criei, então, o Correndo pelo Diabetes (CPD), que surgiu como “Correndo pela cura”, pois o objetivo inicial era arrecadar recursos para a pesquisa clínica voltada à solução do DM1.

Hoje, o CPD se transformou numa organização que promove a saúde e inclusão das pessoas com diabetes e seus familiares a partir da prática regular de exercício. Trabalhamos com cinco pilares: autonomia, atividade física, amizade, acolhimento e acompanhamento. A partir deles, buscamos oferecer o apoio necessário para que se busque uma vida ativa e saudável, rompendo com os paradigmas e estigmas que muitas vezes são associados à condição.

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    Adaptação na pandemia

    Por conta da pandemia do novo coronavírus, tivemos que nos reinventar e ajustar as ações de acordo com as necessidades da população com diabetes. Entre abril e julho de 2020, realizamos uma campanha de arrecadação de fundos para mais de 300 famílias com diabetes em situação de vulnerabilidade do Estado do Rio de Janeiro.

    Além disso, junto à Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), realizamos a 1a Corrida Virtual SBD CPD, que engajou corredores no Brasil inteiro e também no exterior – tivemos participantes de países como Bélgica, Chile, Paraguai, Porto Rico.

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    Mas, com certeza, a nossa principal conquista foi a adaptação do nosso Programa Correndo pelo Diabetes, liderado por alguns dos melhores profissionais de saúde em diabetes do Brasil. Todos são intimamente ligados à condição seja por terem diabetes, serem cuidadores de pessoas com a doença ou atuarem na área por décadas.

    Utilizando ferramentas como Zoom, WhatsApp e Youtube, o Programa oferece: acompanhamento individualizado de profissionais de educação em diabetes, vídeo-aulas de yoga, treinamento de fortalecimento muscular, planilhas de corrida/caminhada, além de encontros virtuais de troca de informações e conhecimentos sobre temas relevantes.

    Por meio da prática da atividade física criamos um ambiente seguro e acolhedor para que os participantes convivam com o diabetes de uma forma saudável – física e emocionalmente.

    O segredo do CPD é que todos são bem-vindos, independentemente dos objetivos pessoais. A equipe está pronta para ajudar, apoiar e incentivar os participantes a correrem atrás dos seus sonhos, como diz o lema da organização.

    Ciente da nossa responsabilidade social, o Correndo pelo Diabetes ainda criou um programa de bolsas que variam de 50 a 100%, a fim de incluir pessoas com diabetes e seus familiares atendidos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    Até o momento, o Programa CPD tem sido um enorme sucesso, contando com inscritos de norte a sul do Brasil, além de representantes de outros países.

    O que surgiu como um limão azedo, hoje se tornou uma doce limonada, que estimula centenas de pessoas a ressignificarem o doce da vida. Não porque utilizamos algo artificial para adoçá-la, mas, sim, porque aprendemos a apreciá-la. Convido a todos para se juntarem a esse movimento e correrem conosco atrás dos seus sonhos.

    *Bruno Helman é fundador e CEO do Correndo pelo Diabetes

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