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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

A mobilidade e o bem-estar de quem faz a economia girar

Pesquisa reforça impacto dos deslocamentos na saúde física e mental dos trabalhadores. Questão precisa ser contemplada pelas empresas hoje e no pós-pandemia

Por Antonio Carlos Gonçalves, CEO da plataforma Fretadão* 28 out 2021, 10h13

Em 2020, o comércio eletrônico bateu recorde com um crescimento de 68% em vendas. A Black Friday de 2021 está chegando e a estimativa também é de sucesso acima dos dois dígitos. Essa transição para as compras online foi inevitável em todo o mundo diante da pandemia, mas a pergunta é: como as pessoas que cuidaram dessas centenas de milhares de produtos fizeram para se proteger do coronavírus?

A resposta envolve uma série de questões, como os protocolos sanitários adotados pela indústria e o varejo, mas gostaria de tocar num ponto em particular, o deslocamento desses e de tantos outros trabalhadores que não pararam suas atividades profissionais fora de casa. Afinal, a “logística das pessoas” é (ou deveria ser) uma das preocupações básicas de qualquer empresa.

Em uma pesquisa encomendada pela plataforma Fretadão à Global Trevo Consulting, identificamos que, das mil pessoas ouvidas em nove estados do país, 80% sinalizam que a mobilidade tem forte impacto em sua saúde física, 79% citam reflexos de ordem psicológica e 77% apontam relação com a produtividade.

Vemos que há um movimento crescente de empresas dispostas a apoiar os colaboradores em um melhor ambiente de trabalho, independentemente da discussão sobre onde ele está atualmente (remoto, híbrido ou presencial). Na pesquisa, 52% das empresas ouvidas já investem mais de 500 reais por colaborador em ações para promover a saúde metal, por exemplo.

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A grande questão é a união de duas pontas: se a mobilidade é vista como um item fundamental para os colaboradores, será que o programa de bem-estar é suficiente para torná-los pessoas mais felizes e produtivas? Quanto a mobilidade é realmente contemplada pelas companhias?

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Há quem diga que “cada caso é um caso”, mas nossa experiência tem mostrado que oferecer uma política consistente de mobilidade é um caminho bastante assertivo. Nesse cenário, o fretamento tem evoluído como um apoio à saúde física e mental. Com um deslocamento em um único modal e sem risco de lotação, evitam-se acidentes de percurso e minimizam-se o estresse e a fadiga dos longos períodos no trânsito.

Tecnologias como inteligência artificial e machine learning têm deixado a equação entre custo, tempo de transporte e qualidade de vida cada vez mais viável para as empresas. E esse foi um dos ensinamentos que o setor de logística promoveu para o restante do mercado: boa parte dos grandes varejistas e e-commerces optaram pelo fretamento para seus funcionários. Assim, a “logística das pessoas” ficou tão garantida quanto a entrega dos produtos que você recebeu na sua casa ao longo da pandemia.

O que resta saber é se o transporte, que representa um dos principais investimentos financeiros dentro de uma empresa, será revisto sob a ótica do bem-estar dos colaboradores. Isso porque os dados atuais confirmam aquilo que sentimos no dia a dia: a experiência do deslocamento faz muita diferença na energia e na disposição que teremos durante o expediente. Essa é mais uma questão de qualidade de vida que estará no radar do pós-pandemia.

* Antonio Carlos Gonçalves é CEO da plataforma Fretadão

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