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Saiba como se livrar das dores crônicas

A medicina oferece uma variedade de soluções que dão um basta a tormentos antes infindáveis. Das mais modernas invenções até pequenas mudanças no cotidiano, descortinamos esse universo de boas-novas

Os limites de uma pessoa acometida por dores, claro, merecem atenção especial dos profissionais de saúde
Foto: Getty Images

A dor arrasa o bem-estar e, se não tratada, pode perdurar até depois de a agressão ter sido resolvida. “É inaceitável, com o que a medicina agora disponibiliza, conviver com dores sem fazer nada”, arremata o neurologista Manoel Jacobsen. Ao longo desta reportagem, veja o que está ao seu alcance para viver livre de desconfortos doloridos.

Os remédios ainda dominam o arsenal contra as dores. Tanto que analgésicos são campeões de venda entre os medicamentos sem necessidade de prescrição médica. Por mais que as drogas sejam de fato eficientes – e, na atualidade, mais seguras e abrangentes do que as de tempos atrás -, elas devem ser usadas com parcimônia e, acima de tudo, orientação. “Se administradas indiscriminadamente, as medicações inibem processos de analgesia naturais”, ressalta o neurologista José Geraldo Speciali,.

Em outras palavras, entupir-se de comprimidos tende a resultar em um organismo cada vez menos capaz de aplacar, por si só, um sintoma doloroso. “Pessoas que tomam analgésicos em excesso para controlar uma enxaqueca ironicamente correm um risco maior de desenvolver cefaleia crônica”, exemplifica Speciali. São limitações como essa que abrem espaço para as saídas não farmacológicas, voltadas especialmente para as dores persistentes.

Diferentemente do diabete ou da hipertensão, doenças que realmente fazem jus ao termo acima, as dores crônicas muitas vezes têm cura. “Elas nada mais são do que um mal-estar que aparece constantemente por mais de três meses. Mas, mesmo quando duradouro, ainda pode ser só sintoma de um transtorno qualquer”, informa Fabrício Dias Assis.

Isso quer dizer que, resolvendo a questão inicial, a chateação tem uma boa chance de desaparecer. Tumores, depressão e infecções estão entre os males que costumam ter, como consequência, dores prolongadas – e que, solucionados, vão embora junto com elas. Outro motivo para buscar a opinião de um médico antes de limpar a prateleira da farmácia.

Atitudes analgésicas

Só que os limites de uma pessoa acometida por dores, claro, merecem atenção especial dos profissionais de saúde. Afinal, se a atividade se tornar exacerbada, o benefício vai por água abaixo. “Uma intensidade alta demais ou até mesmo movimentos específicos podem desencadear sensações desconfortáveis. Isso é comum em pacientes com fibromialgia”, alerta Josimari Santana, fisioterapeuta da Universidade Federal de Sergipe e estudiosa dos meios de contornar essa doença que acarreta dores pelo corpo.

Agora, de pouco adianta suar sobre a esteira sem dormir bem. Isso porque o tempo gasto debaixo dos lençóis é outro auxiliar na fabricação daqueles sedativos naturais. “Existem pesquisas provando que a privação das fases mais profundas do sono é um gatilho para dores musculares e de cabeça”, comunica João Batista Santos Garcia, presidente da Sbed. Essa estatística também tem a ver com o estresse decorrente de um período sobre a cama bem aquém do desejado. É que esse nervosismo, quando não deixa o corpo rapidamente, gera uma tensão que cansa e machuca os músculos.

Muito se fala sobre a influência do cardápio nas dores, principalmente nas que atingem a cabeça. “A escolha dos alimentos tem lá a sua importância, mas, antes de mais nada, a pessoa deve se preocupar em não ficar sem comer por um período prolongado”, ensina o neurologista Mario Peres, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Existem pessoas que apresentam enxaqueca quando ingerem queijos, chocolate, banana e vinho tinto. Todas essas delícias contêm substâncias potencialmente dolorosas. Entretanto, só trarão uma consequência nociva em quem já possui intolerância a elas. A regra é justamente conhecer a si próprio e, a partir daí, respeitar seus limites. Ninguém precisa esperar a dor surgir para só então remediá-la.

Roupas antidor

A empresa Invel desenvolveu uma camiseta para atenuar as sensações dolorosas. E ela foi colocada à prova por cientistas do Hospital das Clínicas de São Paulo. Após avaliar voluntários com lombalgia que usaram a peça durante duas semanas, eles notaram uma redução de 45% no desconforto. Um teste similar foi feito com luvas criadas pela mesma companhia. E os resultados também foram positivos. “Esses produtos emitem um calor superficial que incita receptores na pele a enviar sinais de inibição do incômodo aos neurônios”, explica Manoel Jacobsen, coordenador das pesquisas. Isso com a vantagem de não possuir efeitos adversos.

A dor no divã

A ansiedade e a depressão reduzem nossa resistência ao ai-ai-ai. “Eles alteram um sistema que controla o humor e as dores”, afirma Pedro Schestatsky, neurologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Há casos em que as sensações físicas vêm antes do quadro psiquiátrico – ou seja, são sua causa. Prova de que sempre é bom investigar o sintoma doloroso mais a fundo.

Cabeça magnetizada

Um dos procedimentos que ganham cada vez mais destaque entre neurologistas e psiquiatras atende pelo nome de estimulação magnética transcraniana. Até agora, ele já obteve resultados promissores no tratamento de pacientes deprimidos, com mal de Parkinson ou até dos que se recuperam de um derrame. E o foco do momento é a sua capacidade para debelar as dores. O método consiste em emitir ondas magnéticas através de bobinas colocadas próximas do crânio. Dependendo da área que atingem, esses estímulos provocam diferentes reações. “Eles podem ativar neurônios específicos que inibirão as sensações ruins”, atesta Wolnei Caumo, anestesiologista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista no tema. Vale ressaltar que ainda faltam estudos sobre a abrangência da aplicação e que existem efeitos colaterais leves, como sonolência e enjoo depois da sessão. De qualquer jeito, espera-se que, nos próximos anos, a técnica se espalhe pelo Brasil.

Corpo de mulher
Três representantes do sexo feminino convivem com uma dor crônica para cada homem com o mesmo tormento. “E o principal motivo dessa diferença está nas alterações vindas do ciclo menstrual. A oscilação dos hormônios femininos, por si só, já predispõe quadros como a enxaqueca”, avisa o neurologista José Geraldo Speciali.

Sinalização interrompida

Uma agulha ligada a um eletrodo penetra na pele e emite correntes em pequenos intervalos com o intuito de interromper, no nervo afetado, o envio daquelas mensagens dolorosas. Essa é a radiofrequência pulsada. “Diferentemente da versão convencional, ela não destrói o nervo e, logo, mantém a sensibilidade a estímulos que não a dor”, argumenta o anestesiologista Fabrício Dias Assis, da clínica Singular. A técnica não exige internação hospitalar e seu efeito dura de seis meses a dois anos. Os resultados mais positivos são observados no alívio da coluna, mas o procedimento também é indicado para a cabeça e até para debelar sensações dolorosas de um eventual câncer. “Só quem tem um marca-passo precisa tomar cuidado”, ressalta Assis. Não é que essas pessoas estão proibidas de passar pela radiofrequência. Todavia, a corrente vinda da agulha pode mexer com o funcionamento do dispositivo e, por causa disso, antes de ser liberado, o indivíduo deve passar por uma avaliação completa.

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