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Hábitos de sono saudáveis reduzem o risco de insuficiência cardíaca

O ato de dormir bem foi associado a uma menor probabilidade de sofrer essa doença que enfraquece o coração

Por Ingrid Luisa 1 dez 2020, 17h34

Uma pesquisa traz mais uma razão para fazer você pensar duas vezes antes de ficar acordado até tarde: hábitos de sono saudáveis estão associados a um menor risco de insuficiência cardíaca. Publicado no periódico científico Circulation, da Associação Americana do Coração, o estudo constatou que adultos com esse costume têm uma probabilidade 42% menor de desenvolver a doença — isso em comparação com pessoas que não dormem bem.

A insuficiência cardíaca é uma condição que afeta 26 milhões de indivíduos no mundo. Ela surge quando o coração deixa de bombear sangue de forma eficiente para corpo, causando cansaço, falta de ar e outros sintomas. Essa condição muitas vezes é a consequência final de problemas que maltratam a saúde cardiovascular, como hipertensão arterial, sedentarismo, diabetes e tabagismo. E, pelo visto, pode colocar a privação de sono nessa lista.

Mas, afinal, o que são hábitos de sono saudáveis?

Em experimentos anteriores, os pesquisadores definiram cinco fatores:

  1. Acordar relativamente cedo
  2. Dormir de sete a oito horas por dia
  3. Quase nunca ter insônia
  4. Não roncar
  5. Não apresentar sonolência diurna excessiva

“Devemos considerar todos os comportamentos juntos, em vez de tratá-los como fenômenos separados, porque as pessoas regulam seu sono como um todo.” disse Lu Qi, um dos autores do estudo e professor de epidemiologia da Universidade de Tulane (EUA), ao The New York Times.

A pesquisa avaliou dados de cerca de 400 mil pessoas com idades entre 37 e 73 anos presentes no UK Biobank — um repositório britânico de amostras biológicas humanas que serve como instrumento de pesquisa, fornecendo informações para cientistas que estudam a cura e prevenção de diferentes enfermidades. A incidência de insuficiência cardíaca foi coletada até 1º de abril de 2019. Ao longo de um acompanhamento de dez anos, foram reportados mais de 5 mil casos.

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Foi cruzando todas essas informações — e descartando variáveis como diabetes, hipertensão, uso de medicamentos e variações genéticas — que os experts ligaram um padrão de sono mais saudável a uma redução de 42% no risco dessa doença no coração. O estudo, no entanto, é observacional. Ou seja, ele firma uma relação entre dois fatores, porém não necessariamente comprova que um causa o outro.

  • Benefícios do sono para o coração

    A relação entre hábitos noturnos não saudáveis e problemas no peito não é nova. Um estudo de 2011, da Warwick Medical School, nos Estados Unidos, monitorou por 25 anos mais de 470 mil pessoas em oito países, e constatou que a privação prolongada do sono ou múltiplos despertares na madrugada elevam a probabilidade de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.

    “A tendência de noites longas e manhãs curtas é uma bomba-relógio para nossa saúde. É preciso agir agora para reduzir o risco de desenvolver essas condições fatais”, comentou o autor da pesquisa, Francesco Cappuccio, em um comunicado da época.

    Em 2018, a Sociedade Brasileira de Cardiologia se posicionou oficialmente sobre o impacto dos distúrbios do sono nas doenças cardiovasculares: “A importância desse tema tem ganhado cada vez mais a atenção da sociedade, principalmente por mudanças drásticas do estilo de vida da população mundial nas últimas décadas: estamos dormindo cada vez menos”.

    Segundo o documento, há um subdiagnóstico dos distúrbios de sono problema e muitos médicos não se atentam ao impacto dessas chateações no sistema cardiovascular. Daí a importância de enfatizar e noticiar descobertas sobre o tema.

    Uma nota no site da renomada Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, tem um título que resume a relação entre sono e problemas cardiovasculares: “Faça um favor ao seu coração – durma mais”. Com tantas evidências, essa certamente é a melhor opção.

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