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Transplante de ovário: uma opção para preservar a fertilidade

Embora experimental, essa técnica surge como esperança para mulheres que passaram por tratamentos tóxicos aos órgãos reprodutivos. Conheça o método

Cerca de 60 bebês vieram ao mundo graças a essa técnica. Testado pela primeira vez no fim década de 1990, o autotransplante de ovário rendeu sua primeira prole em 2003, na Bélgica. “É um método novo, mas que avança a passos largos”, afirma o médico Giuliano Bedoschi, especialista em reprodução humana e diretor da Clínica Mater Prime (SP).

Bedoschi recentemente publicou um estudo em que descreve dois casos de mulheres que, em virtude de um câncer, aceitaram se submeter a esse procedimento com o objetivo de não ficarem inférteis por causa do tratamento — quimioterapia, radioterapia e mesmo cirurgia podem lesar os órgãos reprodutivos. “De 80 a 90% das pacientes vêm da oncologia. O restante apresenta uma menopausa precoce e severa”, relata o expert, que realiza seu doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Mas como funciona? Em resumo, os médicos extraem parte do tecido ovariano antes da terapia e o congelam. Quando a paciente encerra a parte mais agressiva do tratamento, em tese já estaria apta a receber o ovário de volta. Mas isso não é uma obrigatoriedade.

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Uma das voluntárias atendidas por Bedoschi reimplantou o órgão sete anos depois de estar curada, enquanto a outra demorou 12 anos — ambas conseguiram ter filhos. “Nós costumamos recolocar o tecido quando surge o desejo de engravidar. Mas outros grupos vem experimentando fazer essa parte final do método antes”, explica.

Do ponto de vista de saúde, pode ser interessante abreviar esse tempo, uma vez que o transplante evitaria a menopausa precoce, atrelada a sintomas desagradáveis, como fogachos e perda de libido. No entanto, estamos muito, mas muito longe de utilizar o procedimento como uma forma de alívio dos desconfortos dessa fase.

Quando recorrer ao transplante de ovário?

Hoje em dia, o método não está disponível nas clínicas. Ele vem sendo testado nas universidades ao redor do globo em situações nas quais não há tempo para congelar óvulos ou mesmo embriões. Isso acontece, por exemplo, em mulheres que precisam iniciar um ciclo de quimioterapia antes das duas semanas necessárias para um congelamento de óvulos ou embriões.
Por ser uma experiência nova, as taxas de sucesso ainda não são das melhores: giram em torno de 20%. Mas a expectativa é de que cresçam conforme o aprimoramento das tecnologias e da técnica em si.

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“Uma das limitações é que, após a reimplantação do ovário, 70% dos óvulos se perdem”, lamenta Bedoschi. Ora, o organismo demora uma semana para criar vasos sanguíneos que abasteçam o novo ovário. E, durante o período, faltam nutrientes para preservar os óvulos. “Se contornarmos isso de algum jeito, certamente obteremos resultados mais satisfatórios”, avalia o especialista.

No momento, os filhos de mulheres que passaram por um autotransplante de ovário estão sendo acompanhados de perto pelos especialistas para verificar quaisquer alterações. Segundo Bedoschi, os bebês de suas duas pacientes vão muito bem, obrigado.

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