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O fantástico (e misterioso) mundo da imunidade

Conversamos com um dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2011 sobre o sistema imune e sua influência no câncer, diabete...

O imunologista americano Bruce Beutler recebeu, em 2011, a mais importante premiação da área científica. Também pudera: Suas pesquisas foram cruciais para compreender melhor como nossas forças de defesa atuam. Veja agora uma entrevista exclusiva que fizemos com ele:

Sabemos que o sistema imune é mais complexo do que se imaginava. Já deciframos direito como ele trabalha?

Nós ainda nem conhecemos as partículas mais importantes nessa história. O que temos é uma ideia geral de como o corpo reage a invasores. Eu faço uma comparação com a meteorologia. A ciência até consegue predizer o tempo, se vai chover ou fazer sol. Mas as previsões nem sempre são certeiras. Esse é o mesmo nível de informação que temos hoje em relação à imunidade. Já deciframos uma parte, mas falta muito para entender o todo.

E quais foram as principais descobertas recentes nesse campo?

Os achados mais interessantes vêm da oncologia. Os cientistas já desvendaram o mecanismo que impede as células imunes de atacarem o câncer. Após entender esse processo, foram produzidas substâncias que corrigem essa falha e permitem que a doença seja contra-atacada pelo organismo. Isso abriu a perspectiva de novos tratamentos contra tumores.

Quais são as grandes perguntas a serem respondidas sobre o sistema imune?

Precisamos entender por que as células de defesa de algumas pessoas começam, por exemplo, a atacar tecidos saudáveis. Isso é o que acontece nas doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. A genética tem um papel importante, mas os genes não respondem a todas as dúvidas.

Os casos de doenças autoimunes só aumentam no mundo. Existe alguma explicação para esse fenômeno?

Ninguém sabe ao certo. O ambiente está mudando, os alimentos se modificaram, as pessoas vivem em casas cada vez mais limpas… A teoria da higiene diz que, se você é exposto a muitos micróbios no começo da vida, há uma diminuição no risco de desenvolver doenças autoimunes. Mas isso não foi comprovado. Por enquanto, continuamos nas hipóteses.

A inflamação, principal reação do sistema de defesa nessas doenças, teria um papel em outras enfermidades?

Sim, as pesquisas apontam que uma série de condições tem um componente inflamatório, como o diabete do tipo 2, o Alzheimer e as doenças cardiovasculares. Mas eu acredito que a inflamação seja apenas uma característica da doença, e não o principal fator por trás dela.

Falando nos invasores, a resistência bacteriana deveria preocupar mais?

Certamente. Não há nenhuma garantia de que os antibióticos continuarão efetivos. É essencial procurar novas soluções, e isso não está sendo feito de forma adequada. Pode ser que no futuro tenhamos pouca proteção contra bactérias simples, que já começam a escapar de nosso controle. Se nada for feito, nossos filhos e netos não terão a mesma proteção contra os micróbios de que usufruímos agora.

Bruce Beutler, que é professor da Universidade do Sudoeste do Texas (EUA), brinca: “É uma ótima sensação acordar todas as manhãs e lembrar que você ganhou um Prêmio Nobel”.

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