Tem para todos os gostos — branco, ao leite, recheado, amargo, crocante... As versões também são variadíssimas — barras, bombons, balas, pirulitos, brigadeiros, sorvetes... Se dependesse das crianças, a frase “todo dia é dia, toda hora é hora” seria lei. Sorte delas que o chocolate não é nenhum vilão. Na verdade, está lotado de nutrientes. Mas daí a ganharem passe livre para se empanturrar vai uma loooonga distância.
No ranking dos especialistas, o chocolate amargo ocupa lugar de honra. E com muita razão, diga-se. Ele é rico em ingredientes benéficos. Para começar, concentra boa quantidade de flavonóides, substâncias antioxidantes que reduzem o risco de doenças cardiovasculares. Ótimo para os adultos e, por tabela, para os pequenos também. Como se fosse pouco, apresenta propriedades antiinflamatórias, além de melhorar o humor e dar o maior pique. Nem mesmo os pequenos, que têm energia pra dar e vender, podem abrir mão desse combustível.
Só que, na preferência infantil, a versão amarga perde para a textura macia e o sabor adocicado do chocolate ao leite e companhia. E é aí que mora o perigo. “No processo de fabricação desses tipos, entram as maléficas gorduras saturadas”, argumenta Priscilla Efraim, engenheira de alimentos do Instituto de Tecnologia de Alimentos Chocotec (Ital), de Campinas. “A versão diet só se diferencia por não conter sacarose. Então, está liberada para os diabéticos. Já o orgânico não tem nenhum tipo de aditivo químico na sua composição.”
Sem dúvida, é um ponto a favor deste último, mas... infelizmente, as tais moléculas gordurosas, nada saudáveis, também marcam presença.
A gordura não é o único senão. “Por causa também do teor elevado de açúcar, o exagero pode levar à obesidade e aumentar a incidência de cáries”, alerta a engenheira de alimentos.
E qual seria, então, a freqüência de consumo ideal? A pergunta divide os experts. “O melhor é evitar comer todo dia”, aconselha a nutricionista Valéria Rangel, da Nutrival, em São Paulo. Priscilla Efraim rebate, dizendo que a guloseima pode, sim, ser ingerida diariamente, desde que em pequenas porções. “A dica é partir uma barra em pedacinhos e oferecer um pouco por vez.” Para não deixar nenhuma margem a dúvidas, a nutricionista Adriana Servilha Gandolfo, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo (FMUSP), resume, numa frase, um conceito sobre o qual especialista nenhum discute: “Criança tem que ter hábito alimentar saudável, com ingestão de frutas, verduras, legumes e pouca gordura”.
Sinal verde, mas sem exageros
E há outra coisa em que os experts concordam: quantidade permitida. Para eles, 30 gramas por dia está o.k., desde que a criança não esteja acima do peso. Essa medida corresponde a uma barrinha de chocolate, o que soma cerca de 160 calorias. Porém, se é difícil domar o ponteiro da balança, consulte um especialista. Ninguém melhor do que ele para dizer como e quando incluir a guloseima no cardápio do seu filho.
Outra questão que enche de pontos de interrogação a cabeça dos pais: qual a melhor idade para liberar a iguaria? “A partir de 1 ano”, defende Adriana Bajzek Barbosa, pediatra do Hospital São Camilo, em São Paulo. “O que pode causar problemas é o modo como o chocolate entra na dieta.”
Uma regra de ouro é oferecer a guloseima como sobremesa. Explica-se: como contém açúcar refinado, de rápida absorção, ela faz subir rápido a quantidade de glicose no sangue se for ingerida no meio da tarde, por exemplo. Para dar conta de retirar o excesso de açúcar e transportá-lo para o interior das células, o pâncreas é obrigado a produzir altas doses de insulina, o hormônio responsável por essa “carona”. Tão rapidamente quanto subiu, porém, a taxa glicêmica volta a cair, gerando um quadro de hipoglicemia. E aí até uma ligeira tontura pode ocorrer. Sem contar que a fome chega com força total, o que acaba levando um aumento na ingestão de calorias e, conseqüentemente, aos quilos a mais.
Outro erro comum é fazer do chocolate uma moeda de troca para a criança raspar o prato. “Transformar o doce em prêmio é estimular maus hábitos alimentares”, condena Adriana Bajzek, que faz questão de enfatizar: “Ela tem que aprender desde cedo a comer de tudo um pouco”.
Mamãe, me dá!
Ir ao supermercado com o filho é sinônimo de encher o carrinho com os mais variados tipos de chocolate. Para evitar reprises e ajudar você nessa doce tarefa, pedimos aos especialistas sugestões que podem facilitar a sua vida na hora de escolher entre as centenas de produtos que lotam as prateleiras.
• Prefira os chocolates sem avelã, amendoim, castanha e nozes. Além de mais difíceis de digerir, chegam a ser mais calóricos do que aqueles à base de leite.
• Embora as crianças adorem, evite também os cobertos de marshmallow — verdadeiras bombas calóricas.
• Já os tipos recheados com cereais, como aveia, são uma boa pedida. Por causa da fibras, saciam por mais tempo a vontade de comer doce.
• Chocolate que não se desmancha na boca tem pouquíssimo cacau e grande quantidade de gordura e açúcar. Passe longe! Quem dá a dica é a chef chocolatière Renata Arassiro, de São Paulo.
Mamadeira turbinada
Apesar de os puristas torcerem o nariz, os achocolatados em pó deixam o leite mais saboroso. “Eles têm a seu favor o fato de serem enriquecidos com vitaminas, além de estimularem o consumo de leite”, afirma a pediatra Adriana Bajzek Barbosa, de São Paulo. Há casos, porém, em que se recomenda parcimônia no uso. “Se a criança for de baixo peso e desnutrida ou consumir quantidade insuficiente de leite, é melhor evitar”, alerta a nutricionista Cibele Crispim, da RG Consultoria Nutricional, de São Paulo. “O chocolate dificulta a absorção de cálcio, que já é escasso no organismo desses garotos.” Como os produtos já vêm adoçados, não adicione mais açúcar ao leite. Se ela tiver tendência à obesidade, experimente usar chocolate em pó, aquele próprio para receita de bolo, com adoçante misturado.
Chocolate é tudo de bom
O grão de cacau é altamente nutritivo. Contém 50% de gorduras, de 20% a 25% de carboidratos, de 15% a 20% de proteínas, 1,5% de teobromina, e 5% de água, além das vitaminas A e do complexo B. Também é rico em substâncias abaixo que, segundo pesquisas científicas ainda em andamento, podem trazer benefícios para a saúde como um todo.
• Flavonóides Poderosos antioxidantes, estão presentes nos chocolates na forma de flavonas, como a epicatequina e a catequina, capazes de aumentar a saúde cardiovascular e ajudar a moderar inflamações.
• Metilxantinas Esse é o grupo das substâncias bioativas, entre as quais se incluem a cafeína e a teobromina, que são estimulantes. Esta última também pode ter ação calmante em caso de tosse. Mas atenção: nem por isso a guloseima deve ser oferecida para aliviar o incômodo. Outros compostos do chocolate são a tiramina e a feniletilamina, que modulam o humor. Por isso são consideradas antidepressivas.
• Minerais Cobre, potássio e magnésio, entre outros, estão na fórmula da iguaria. O magnésio é um nutriente essencial à saúde dos ossos e dos dentes e ao bom funcionamento dos nervos, dos músculos e do sistema imunológico. Se ele está em déficit, despencam os níveis de dopamina no sistema nervoso central, alterando o humor e aumentando o desejo por chocolate.
Eu só quero...
• Ao leite Esse leva massa e manteiga de cacau, leite e açúcar.
• Meio amargo Contém pequena quantidade de leite, massa e manteiga de cacau, além de açúcar.
• Branco Mais gorduroso, tem manteiga de cacau, leite e açúcar. É o único tipo produzido sem a massa de cacau.
• Diet É uma mistura de massa de cacau, leite, sacarose e frutose.
• Orgânico Em sua fórmula entram cacau orgânico, manteiga de cacau, leite e açúcar.
Campeões na preferência infantil
| Alimentos |
Quantidade g/ml |
Calorias |
Proteínas |
Carboidratos |
Lipídios |
Achocolatado em pó |
100 (1 xícara de chá) |
385 |
3,38 g |
90,73 g |
1 g |
Bombom Sonho de Valsa® |
22 (1 unidade) |
113,3 |
1,87 g |
13,1 g |
5,96 g |
| Brigadeiro |
15 (1 unidade média) |
60,3 |
1,43 g |
9,3 g |
1,93 g |
Chocolate ao leite |
100 (1/2 barra grande) |
521 |
7 g |
60 g |
29 g |
| Chocolate diet |
100 (1/2 barra grande) |
472 |
6,4 g |
56,2 g |
32,3 g |
Calda de chocolate |
100 ml (1 xícara de chá) |
414,5 |
1,31 g |
50,8 g |
22,8 g |
Sobremesa láctea |
110 (1 potinho) |
160 |
5 g |
22 g |
6 g |
2