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Para cada mulher, um método

Não existe uma fórmula ideal, que possa ser usada em qualquer circunstância. A recomendação é buscar a melhor estratégia de acordo com os hábitos e a fase da vida. Por Paula Desgualdo
Se você amamenta
"O estrogênio atrapalha a lactação", avisa o ginecologista Rogério Ramires, do Femme Laboratório da Mulher, em São Paulo. Em outras palavras, os procedimentos hormonais combinados não são uma boa ideia. Mas, seis semanas após o parto, dá para investir naqueles só com progestagênios, que agem como a progesterona no organismo. Entram aí algumas pílulas, as injeções trimestrais e o implante subdérmico, inserido embaixo da pele. Algumas mulheres optam por aproveitar o momento do parto para colocar o DIU de cobre — ou fazem isso logo depois.

Se você fuma
Cigarro e estrogênio jamais combinam, em nenhuma idade. Mas a coisa complica mesmo depois dos 35 anos. Essa é a hora de deixar de lado o etinilestradiol, que entra na fórmula da maioria dos métodos hormonais combinados. Ele aumenta a agregação das plaquetas e provoca constrição dos vasos, potencializando o risco de infartos e derrames — que já é mais alto por causa do tabagismo.

Se você tem enxaqueca
"No caso, quanto menor a dose de hormônios, melhor", afirma a ginecologista Rosa Neme, do Centro de Endometriose de São Paulo. Principalmente o estrogênio, que, por provocar uma vasoconstrição, costuma agravar a dor. Se a enxaqueca for acompanhada de aura, distúrbios visuais como flashes e cegueira parcial, nenhum método hormonal combinado é recomendado.

Se você é adolescente
Não que seja norma, mas a maioria dos especialistas prefere esperar um tempo após a primeira menstruação para que o organismo — sobretudo o sistema reprodutor — amadureça. Esse período é interessante até para dar uma chance de o ciclo menstrual revelar se está mesmo em ordem. Se houver alguma disfunção, como síndrome dos ovários policísticos, ou se a garota pretende iniciar a vida sexual, o ideal é uma boa conversa com o especialista para definir o melhor método para ela. Alguns atrapalham mais e outros, menos.

Se você é diabética
Quando o problema é só o diabete — controlado e sem complicações —, não há grandes restrições. Acontece que, muitas vezes, a doença vem acompanhada de um pacote de males que resultam na chamada síndrome metabólica, como o colesterol alto, a gordura abdominal e a hipertensão. E, aí sim, é preciso avaliar se o uso de hormônios não aumentaria tanto a pressão como a resistência à insulina.

Se você já teve câncer
A ciência questionou diversas vezes se o uso de contraceptivos orais teria relação com o surgimento de tumores de mama. "Essa associação ainda é controversa", esclarece Eduardo Zlotnik, ginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Comprovado mesmo é que os anticoncepcionais reduzem o risco de desenvolver o câncer no ovário e no endométrio. Agora, se a mulher tem ou já teve tumor de mama, a conduta ideal seria evitar todos os contraceptivos hormonais, que podem facilitar a volta da doença. Uma saída é se valer do DIU de cobre. Nos casos de câncer cervical, por outro lado, o DIU de cobre é carta fora do baralho, e os métodos hormonais passam a ser uma possibilidade.

Se você sofre à beça de TPM
Nada menos que 80% das mulheres enfrentam ou já enfrentaram o inchaço, a irritação e as dores da tensão pré-menstrual. Nessa circunstância, as pílulas de uso contínuo, sem pausa para menstruar, apresentam bom resultado. "O implante também melhora os sintomas porque pode cessar a menstruação", diz Mara Diegoli, coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com TPM do Hospital das Clínicas de São Paulo. Há ainda as pílulas combinadas que levam o hormônio sintético progestagênio drospirenona e prometem aliviar o incômodo.

Se você é hipertensa
Mais uma vez, a Organização Mundial da Saúde recomenda fugir da combinação sintética estrogênio-progestagênio, especialmente nos casos mais graves de pressão alta. "Já as injeções mensais podem funcionar, porque possuem estrogênio natural, e não sintético", revela Rogério Ramires.

Se você quer engravidar em curto prazo
Esse é um assunto sempre complicado, que mexe com as expectativas da mulher e gera ansiedade. Não custa repetir, portanto, que cada corpo tem seu tempo. Mas, se usarmos a lógica, o DIU de cobre ou progesterona e o implante não seriam boas escolhas, já que têm vida útil de três anos para cima. A injeção trimestral de progesterona é outra opção que deveria ser descartada. O período de retorno à fertilidade após a suspensão do uso costuma ser mais demorado que o de outros métodos hormonais.

Veja aqui qual é o método mais adequado para você.

Rede MdeMulher